Mudam-se as peças, mas muda-se o jogo? | FC Porto

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O FC Porto de Sérgio Conceição sempre teve uma imagem de marca que o distinguiu das outras equipas que já vimos atuar de azul e branco. Os tempos do início do século XXI com o típico 4-3-3, a explosividade nas alas e a posse de bola deram lugar a uma equipa também vertiginosa, mas com base no jogo direto e na profundidade. E quem era o elemento que melhor oferecia essas capacidades? Moussa Marega.

Infelizmente para a ideologia imposta por Sérgio Conceição, o avançado maliano é agora uma carta fora do baralho. Assinou a custo zero pelo Al-Hilal SFC e não vai voltar a vestir as cores azuis e brancas já na época 2021/2022.

Para muitos adeptos portistas, a saída do jogador é um mal menor, mas em termos estratégicos e modelo de jogo pode significar uma mudança extrema para a equipa. Não é preciso ser um espectador muito atento para perceber que o jogo do FC Porto na era de Sérgio Conceição tinha como um dos pilares base as características de Marega e aquilo que poderia oferecer ao jogo.

A verdade é que, na primeira época, e em jogos teoricamente mais complicados, a presença do número 11 era claramente vantajosa. Já a partir da segunda época e nos jogos com equipas de bloco baixo, tornava-se uma presença que, na minha opinião, era totalmente desnecessária. E é por isso que mudar a forma de encarar o jogo não é propriamente um prejuízo para o próximo FC Porto que se avizinha.

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Marega é a peça ausente que vai mudar o jogo portista. Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Existem até dois dados que me dão confiança que a mudança do estilo de jogo portista pode ser facilmente implementada. O primeiro é que, quando Sérgio Conceição entrou no FC Porto em 2017/2018, Marega não foi logo a primeira opção, até porque a dupla de pré-época que fazia estragos era composta por Tiquinho Soares e Aboubakar.

Marega apenas pegou destaca depois da entrada triunfante frente ao GD Estoril-Praia quando Soares se lesionou. Logo, o que podemos concluir, é que o modelo de jogo inicialmente formatado não era da procura do jogo direto e da profundidade do maliano. Via-se aliás um misto de um jogo vertiginoso e tecnicamente evoluído.

O segundo é que, no final da época passada, Marega perdeu a titularidade para Toni Martínez e a dupla do avançado espanhol com Taremi acabou por se tornar um sucesso. A forma de jogar era claramente diferente e muito mais baseada na bola no pé e combinações na zona ofensiva.

A única questão aqui passa por mentalizar de forma definitiva que nem no banco se vai ter um jogador como Marega para, caso Sérgio Conceição precisasse de uma moleta, lançar. Muito se tem falado de possíveis substitutos com características idênticas ao avançado do Al-Hilal SFC, mas isso não me parece a melhor solução, até porque é raro encontrar jogadores iguais ou muito parecidos. Zé Luis, Waris e Fernando Andrade são três exemplos disso.

Desta forma, é caso para dizer que se mudam as peças e o jogo também vai ter de mudar. Já se viu alguns traços dessa mudança no final da época passada, e, se bem conhecemos Sérgio Conceição, conseguimos ver o FC Porto a jogar outro tipo de futebol com intervenientes que oferecem outras coisas ao jogo. Até porque não havia Maregas no FC Nantes, no Vitória SC e no SC Braga… Dá claramente que pensar!

João Castro
João Castrohttp://www.bolanarede.pt
O João estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social. A sua grande paixão é sem dúvida o jornalismo desportivo, sendo que para ele tudo o que seja um bom jogo de futebol é bem-vindo. Pode-se dizer que esta sua paixão surgiu desde que começou a perceber que o mundo do futebol é muito mais que uma bola a passear na relva.

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