Força da Tática | Argentina x França: Pode haver modo Repeat?

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Que análise poderia ser feita a uma das melhores de finais de Campeonatos do Mundo de que há memória? Apenas desejar que não tivesse havido apito final ou que mais jogos, no futuro, possam ser idênticos, na emoção, na qualidade individual e na coragem.

Mas todas as boas histórias, têm um início, um meio e um fim. E o fim, foi a consagração de um país, de uma equipa, e de um jogador que respira futebol.

E antes de falarmos sobre o jogo, duas declarações de interesses:

  1. Obrigado, Lionel, por me encantares. É para mim o melhor jogador de sempre: Diego Armando Maradona. Messi é mais regular, menos excêntrico. Mas é por isso, e só por isso. Obrigado por te ter visto a jogar futebol, uma das minhas principais paixões na vida. E são elas que nos movem. Me encanta o teu jogar, obrigado por seres uma fonte de inspiração para os meus filhos.
  2. Decidimos não colocar nenhuma imagem nesta pequena análise. Motivo: que os leitores mantenham a suavidade e a energia contagiante do jogo. Que ela perdure na leitura deste texto e no tempo.

Até aos 75 minutos da partida, quase nos arriscaríamos a dizer que a França tinha feito falta de comparência. A partir daí, o filme de suspense começou, para gáudio de milhões de espetadores.

Para simplificar a análise, dividiremos em seis tópicos, igual ao numero de golos marcados nos 120 minutos.

  1. A cultura de futebol da equipa Argentina, cedo se impôs no jogo. Foi decisiva a mentalidade da equipa sul Americana, completamente arrebatadora. Agressividade nos limites, relação com o arbitro em momentos cirúrgicos, criatividade individual, mentalidade ganhadora de jogos decisivos, acreditar e acreditar sem limites, no seu Líder (Messi) e no seu Selecionador. Scaloni deu as cartas e impôs o que queria no jogo, levando a equipa da França a ter inúmeras dificuldades para adaptar-se ao jogo que estava a ser feito.
  2. A surpresa do jogo argentino. Di Maria, esse génio, foi a surpresa, ao voltar ao onze inicial para este jogo tão especial. Surpresa também ela, a presença de Rodrigo de Paul sobre o corredor direito, a fazer um trabalho invejável durante o tempo que esteve em campo, a atacar e a defender. A Argentina inclinada para o lado esquerdo, a apostar nos dribles incisivos de Di Maria que derreteram por completo Dembelé e Koundé. Argentina apostava no jogo de manutenção de posse de bola, sobre o lado direito, para depois colocar no corredor contrário.
  3. O fator desequilibrador: o meio-campo. Existem várias formas de no futebol, se poder criar superioridade. Neste jogo, a superioridade da Argentina nesta zona do campo de jogo foi total até aos 75 minutos. Superioridade numérica, superioridade individual e superioridade em termos de criação de espaço. Rabiot e Tchouaméni era muito pouco auxiliados, sempre a chegar tarde nas marcações e completamente iludidos pelos movimentos de Messi, De Paul e Álvarez. Dembelé, Giroud, Mbappé e Griezmann não pressionavam a linha defensiva Argentina e chegavam ao ponto de se cruzarem nas marcações, deixando os jogadores do meio campo Argentino em variadíssimas situações de frente para o jogo.
  4. Deschamps entra no jogo. O selecionador francês, retira do jogo dois dos mais influentes jogadores neste campeonato. Porquê? A seleção não estava ligada, não pressionava convenientemente, o meio-campo precisava de ser apoiado e Mbappé participava no jogo mais defensivamente do que ofensivamente. Argentina aos 40 minutos de jogo defende em 4x5x1 com Messi a estar posicionado sobre a direita na linha média sul americana. No início da segunda-parte, aumenta o número de jogadores na pressão Francesa na saída da Argentina, mas a apatia permanece. Em todos os setores, com apatia, percas de bola ridículas para a importância do que ali se estava a disputar.
  5. O futebol é coletivo mas são as individualidades que o decidem. Este foi, de forma sincera, um jogo que se transfigurou não pela estratégia dos selecionadores. Foi sem dúvida nenhuma, pela motivação criada pela emoção descoberta na obtenção da primeira grande penalidade ganha por Mbappé. Foi o despertador. Nada fazia prever, o que se veio a verificar: o jogo a ser decidido apenas por grandes penalidades. Tenho a convicção clara que o espetador aí sim, acordou. Ficámos todos convictos que o jogo iria ser decidido não pelos pormenores, não pela mão dos treinadores, não pelos pés dos jogadores, mas sim pela decisão/qualidade/motivação entre dois craques: Messi e Mbappé. É raro dizermos isto, mas foi o que todos pensámos. Aposto. Os dois mereciam e mereceram.
  6. A dúvida no vencedor. Scaloni possibilitou também a hipótese da reviravolta. Verdade seja dita, a entrada de Acuña não correu como o esperado. O meio-campo da Argentina perdeu o controlo, jogadores decisivos demasiado cansados fisicamente, e nenhuma alteração a ser realizada. Plena confiança nos seus jogadores. Percebe-se: o nível de motivação dos jogadores agarrou de forma volitiva o esforço dos mesmos. O foco e a concentração estavam altos, apesar de nem sempre as pernas responderem convenientemente.

Ganhou a nação sul-americana. Perdeu outra grande nação. O mundo rendeu-se ao Futebol. Tenho a certeza, por 130 minutos.

Artigo da autoria do treinador de futebol, Paulo Robles

Redação BnR
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