A Regionalização do Futebol Português

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Com o término da Liga Portuguesa de Futebol, já se começa a olhar para a próxima época. Será o Sporting tricampeão? Vai o Benfica, com a possibilidade de ter um novo presidente, conseguir alcançar o tão desejado 39.º campeonato? Vai o Porto recuperar de uma das piores épocas da história recente dos azuis e brancos? Ou será finalmente o ano em que o Braga se torna campeão?

Apesar disso, eu estou de olho em outra coisa, algo que deveria preocupar todos os adeptos portugueses. Na próxima época não haverá nenhum clube a sul do Tejo na primeira divisão portuguesa…

Com a descida do Farense, vê-se também a descida do futebol português a sul de Lisboa (em Portugal Continental). Para a próxima época a equipa mais a sul passará a ser… o Estoril.

Isto já não acontecia desde 2003/04, época que curiosamente foi a última que contou com o Alverca.  22 anos depois vai se voltar a repetir uma liga com zero clubes abaixo do Tejo, mas com um representante do Ribatejo.

Que a Liga Portuguesa de Futebol sofre de um grande problema geográfico já todos sabemos. É sabido que a maioria dos clubes da primeira divisão nos últimos 25 anos são de cidades do litoral, com grande número de habitantes.

Para terem uma maior noção do problema, a região do Alentejo teve um total de zero equipas na primeira divisão nos últimos 23 anos. O Campomaiorense esteve entre os grandes na época 2000/01 e desde aí que nunca mais se viu a Primeira Liga nos campos alentejanos.

O que está a provocar isto? Será a desertificação da população do interior para o litoral? Esvaziando assim estes clubes de público e profissionais? Estarão estas regiões deixadas ao abandono por parte dos órgãos competentes? Ou será isto apenas mais um exemplo de um problema que assola Portugal em vários setores?

Normalmente nas minhas crónicas gosto de deixar perguntas e acabo sempre por também deixar aquelas que, para mim, são as respostas necessárias. Desta vez não sei o que responder, não sei que soluções posso, humildemente, deixar-vos.

Paulo Vitor Mafra Portimonense
Fonte: Pedro Barrelas / Bola na Rede

É que este problema não assola só a primeira divisão. A segunda liga é um espelho muito fiel ao que se passa no maior escalão português. Para a próxima época apenas Portimonense e Farense irão representar os quase 1,8 milhões de portugueses que vivem abaixo do Tejo.

Acho mesmo, por muito ridículo que seja, que a única solução para acabar com este problema passaria por uma NBAlização do futebol português. A criação de uma Conferência do Norte e outra do Sul, pode ser mesmo a única solução para que distritos como Setúbal, Évora e Beja possam ver futebol profissional sem ser por um ecrã. Para um problema absurdo, uma resposta absurda.

Podem se estar a perguntar qual o problema disto? O que isto afeta o futebol jogado? Bem é simples, quanto mais clubes tivermos nas mesmas zonas geográficas, menos provável que fenómenos como o Vitória SC aconteçam. Se a Liga Portuguesa de Futebol tiver seis clubes em Lisboa, como vão estes clubes conseguir se sustentar do ponto de vista da massa associativa/adepta? Principalmente quando há dois clubes como o Sporting e o Benfica que sozinhos roubam 90% dos adeptos?

Haver uma maior representatividade geográfica é fundamental para a festa do futebol. Vejam só o fenómeno que foi o Elvas na Taça. Imaginem um mundo onde quando um dos grandes vai jogar fora, vai efetivamente jogar fora e não numa versão mais pequena do Dragão ou da Luz.

A Liga de Clubes e a Federação Portuguesa de Futebol têm de olhar para este problema e fazer mudanças, seja nos apoios financeiros a clubes mais isolados, sejam às próprias associações distritais.

Miguel Rodrigues
Miguel Rodrigues
Miguel Rodrigues é licenciado em Comunicação e Jornalismo. Gosta de todos os desportos, mas é no futebol onde se sente em casa.

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