SL Benfica 2-2 FC Bayern de Munique: E no fim ganham os alemães…

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É uma daquelas verdades duradouras do futebol, esta a preconizada no título. E quando saiu o sorteio todos pensámos que dificilmente esse fado se alteraria, tal a discrepância de orçamentos e, consequentemente, de recursos de plantel. Havia quem vaticinasse mesmo uma hecatombe total. Por mim, apenas desejei que, no mínimo, não saíssemos da Champions League vergados a uma goleada. Não só pelo prestígio em si, mas sobretudo pelo efeito desmoralizador para a Liga portuguesa e adeptos, traduzindo-se numa possível quebra na onda vermelha. Bom, não só não se confirmaram os piores cenários, como estivemos bem por dentro da eliminatória até aos 142 minutos do total 180 minutos que nos separavam das meias-finais, quando sofremos o 1-2. Quem diria…

Mas vamos ao jogo. É impossível vergar este Bayern ao nível da posse de bola e o Benfica entrou a saber disso. Os bávaros apresentaram a sua habitual face, procurando ter a bola, libertando a avalanche directamente à nossa baliza, mas sem uma referência fixa na frente, já que Lewandovski ficou no banco, preferindo a circulação, com Muller móvel a abrir espaço, ora a Vidal, ora a Douglas, ora a Ribery. Com Xabi Alonso no 11 essa intenção foi notória. O Benfica forçosamente teve de alterar um pouco o seu jogo. Sem Mitroglou, Jonas e Gaitán, ficámos mais num 4x2x3x1, Salvio e Carcela nas alas e Pizzi no apoio a Raul Jiménez. Foi um Benfica personalizado, o que entrou no jogo, preparado para o carrossel, embarcando nele, mas sem entrar na vertigem dos comandados por Guardiola. Na defesa, Lindelof, Fejsa e Ederson iam demonstrando ser de aço, com uma concentração a toda a prova. O sérvio esteve em todo lado e os dois jovens formados na Luz devem ter entrado nos cadernos de muito tubarão europeu. E com o jogo a seguir a mesma toada de Munique, com o Bayern a circular a bola e com o Benfica a manter-se firme, a explosão da Luz: cruzamento de Eliseu e um cabeceamento certeiro de Raul Jiménez a aproveitar um erro de amador de Neuer. E pouco tempo depois, quase o 2-0, de novo pelo mexicano.

Depois do importante golo em Coimbra, o mexicano facturou hoje frente ao colosso alemão Fonte: #SL Benfica
Depois do importante golo em Coimbra, o mexicano facturou hoje frente ao colosso alemão
Fonte: SL Benfica

Era a melhor fase do Benfica em toda a eliminatória: tudo empatado e os bávaros meio desnorteados. A cada recuperação de bola do Benfica, os de Rui Vitória desdobravam-se bem na defesa e iam rápidos e empolgados para o ataque. Cheirava a epopeia! Mas com gente como o Bayern não se brinca. Mesmo quando não estão bem, pode sempre surgir um coelho da cartola. Foi o que aconteceu. Ataque rápido, cruzamento tenso, Ederson em mais uma excelente intervenção, só que ninguém cobriu a entrada de Vidal. O chileno, com frieza, remata de primeira à baliza. Rude golpe no entusiasmo encarnado e o jogo muda. É também nestas coisinhas que está a diferença. Jogadores de menor qualidade tentariam dominar a bola e só depois tentar um remate em jeito ou sairia um chutão. Com o ex-Juventus saiu um remate de primeira, colocado, em força e aproveitando a ausência de Ederson, que tinha tido uma boa intervenção, o erro foi a falta de cobertura. Sanches tinha de acompanhar o chileno… E com uns 7 minutos para jogar, o desnorte por causo do empate. Se Rui Vitória pudesse, antecipava o intervalo, tamanha era a desconcentração dos nossos jogadores.

John Aguiar
John Aguiarhttp://www.bolanarede.pt
Apaixonado pelo Benfica desde que se conhece, descobriu a paixão pelos encarnados ao ir pela mão do pai ver os jogos na sede social da terrinha. Desde cedo habituou-se a ler A Bola em formato gigante e coleccionava anualmente os Cadernos do dito jornal. Desde 1993 que não falha um…                                                                                                                                                 O John não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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