Última horaReal Bétis x FC Porto: Árbitro francês reencontra dragões em Sevilha pela sexta vez
Publicidade

SL Benfica 2-2 FC Bayern de Munique: E no fim ganham os alemães…

John Aguiar · 6 min

SL Benfica 2-2 FC Bayern de Munique: E no fim ganham os alemães…

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

sl benfica cabeçalho 1

É uma daquelas verdades duradouras do futebol, esta a preconizada no título. E quando saiu o sorteio todos pensámos que dificilmente esse fado se alteraria, tal a discrepância de orçamentos e, consequentemente, de recursos de plantel. Havia quem vaticinasse mesmo uma hecatombe total. Por mim, apenas desejei que, no mínimo, não saíssemos da Champions League vergados a uma goleada. Não só pelo prestígio em si, mas sobretudo pelo efeito desmoralizador para a Liga portuguesa e adeptos, traduzindo-se numa possível quebra na onda vermelha. Bom, não só não se confirmaram os piores cenários, como estivemos bem por dentro da eliminatória até aos 142 minutos do total 180 minutos que nos separavam das meias-finais, quando sofremos o 1-2. Quem diria…

Mas vamos ao jogo. É impossível vergar este Bayern ao nível da posse de bola e o Benfica entrou a saber disso. Os bávaros apresentaram a sua habitual face, procurando ter a bola, libertando a avalanche directamente à nossa baliza, mas sem uma referência fixa na frente, já que Lewandovski ficou no banco, preferindo a circulação, com Muller móvel a abrir espaço, ora a Vidal, ora a Douglas, ora a Ribery. Com Xabi Alonso no 11 essa intenção foi notória. O Benfica forçosamente teve de alterar um pouco o seu jogo. Sem Mitroglou, Jonas e Gaitán, ficámos mais num 4x2x3x1, Salvio e Carcela nas alas e Pizzi no apoio a Raul Jiménez. Foi um Benfica personalizado, o que entrou no jogo, preparado para o carrossel, embarcando nele, mas sem entrar na vertigem dos comandados por Guardiola. Na defesa, Lindelof, Fejsa e Ederson iam demonstrando ser de aço, com uma concentração a toda a prova. O sérvio esteve em todo lado e os dois jovens formados na Luz devem ter entrado nos cadernos de muito tubarão europeu. E com o jogo a seguir a mesma toada de Munique, com o Bayern a circular a bola e com o Benfica a manter-se firme, a explosão da Luz: cruzamento de Eliseu e um cabeceamento certeiro de Raul Jiménez a aproveitar um erro de amador de Neuer. E pouco tempo depois, quase o 2-0, de novo pelo mexicano.

Depois do importante golo em Coimbra, o mexicano facturou hoje frente ao colosso alemão Fonte: #SL Benfica
Depois do importante golo em Coimbra, o mexicano facturou hoje frente ao colosso alemão
Fonte: SL Benfica

Era a melhor fase do Benfica em toda a eliminatória: tudo empatado e os bávaros meio desnorteados. A cada recuperação de bola do Benfica, os de Rui Vitória desdobravam-se bem na defesa e iam rápidos e empolgados para o ataque. Cheirava a epopeia! Mas com gente como o Bayern não se brinca. Mesmo quando não estão bem, pode sempre surgir um coelho da cartola. Foi o que aconteceu. Ataque rápido, cruzamento tenso, Ederson em mais uma excelente intervenção, só que ninguém cobriu a entrada de Vidal. O chileno, com frieza, remata de primeira à baliza. Rude golpe no entusiasmo encarnado e o jogo muda. É também nestas coisinhas que está a diferença. Jogadores de menor qualidade tentariam dominar a bola e só depois tentar um remate em jeito ou sairia um chutão. Com o ex-Juventus saiu um remate de primeira, colocado, em força e aproveitando a ausência de Ederson, que tinha tido uma boa intervenção, o erro foi a falta de cobertura. Sanches tinha de acompanhar o chileno… E com uns 7 minutos para jogar, o desnorte por causo do empate. Se Rui Vitória pudesse, antecipava o intervalo, tamanha era a desconcentração dos nossos jogadores.

O Benfica, apesar da valorosa entrada, deparava-se, ao cabo dos primeiros 45 minutos, com dois problemas: Pizzi e Salvio. O português não deu a rotação habitual ao jogo, pois estava mais à frente que o habitual e ali, quase a 10, ele não rende, pois não tem a visão de jogo e a técnica de jogar e fazer jogar. E Salvio está totalmente fora de forma e este não era o jogo para ele. Ainda ensaiou as suas habituais cavalgadas, mas pouco fez. Talvez o erro de Vitória tenha sido não lançar desde logo Talisca e Guedes, que trouxeram muito ao jogo. E o brasileiro está muito mais confortável por ali do que Pizzi. E Guedes trouxe o entusiasmo e a capacidade de rotura que Salvio nunca teve.

A Luz encheu-se para um grande jogo entre Benfica e Bayern Fonte: #SL Benfica
A Luz encheu-se para um grande jogo entre Benfica e Bayern
Fonte: #SL Benfica

Com a 2ª parte, os problemas da 1ª não desapareceram. Era um Benfica abatido, que havia sentido o golo e de que maneira. As alas continuavam em via verde e o meio muito permissivo à circulação, com Fejsa e Sanches em clara perda e Pizzi lá longe. O Bayern circulava a bola com total à vontade e a equipa parecia desligada, com Lindelof a ser um patrão. Esse alheamento aliado a falta de pressão ficou consubstanciado no 1-2. Eliseu é batido por Martinez que assiste Muller que, sozinho, só tem de encostar. E se não fosse este, já outro alemão se aprestava para marcar, estando ambos sozinhos. E com este resultado, aos 52 minutos, a eliminatória estava sentenciada e o jogo arrastava-se com o Bayern a acercar-se do meio campo do Benfica com facilidade e Ederson continuava a brilhar. Outro problema era que Sanches não estava a conseguir libertar-se, jogando simples, mas sem profundidade ou verticalidade.

Com as substituições, Guedes e Talisca, o Benfica ganhou algum ânimo assim que ambos começaram a assentar o jogo. Ainda assim o Bayern controlava a seu bel prazer. O Benfica estava espartilhado e sem capacidade de reagir. Pelo meio, bola no nosso poste… O primeiro sinal de revolta foi dado por um bom remate de André Almeida. Com o Benfica já mais próximo do desenho habitual, Carcela e Guedes nas alas e Talisca na frente com Raul, ganhámos outro fulgor. E numa típica arrancada do jovem português, este é derrubado por Javi Martínez e na cobrança do livre, o 2-2. Haviam ainda 15 minutos pela frente. Até ao fim, houve mais Benfica, mas não muito mais, pois os alemães mantiveram a frieza, em virtude dos dois golos de avanço. Destaque para estreia de Jovic, que na única ocasião que teve de tocar na bola, mostrou alguma qualidade ao conseguir efectuar uma recepção difícil e rematar.

O Bayern de Munique é um justo vencedor da eliminatória. Foi melhor e é melhor. Os bávaros, excepção feita aos 10 minutos entre o nosso golo de hoje e o do empate, mantiveram sempre o domínio territorial e de posse de bola. Porém, em 180 minutos, assistimos a um Benfica personalizado, pragmático e digno do adversário. E que só perdeu o desnorte após o 1-2. Ainda assim, nunca entregou os pontos e conseguiu arrancar um justíssimo empate hoje, o que dá uma justa nota de equilíbrio neste duelo. Talvez tenha ficado um penalty por marcar na Alemanha e hoje Martínez poderia ter visto o vermelho. Mas não creio que tenham sido erros muito escandalosos e não acho que esteja aí a razão do nosso afastamento. Por outro lado, na Alemanha tivemos duas belas chances de golo e hoje outra. Se tivéssemos outro nível de eficácia, o resultado poderia ser diferente… Ainda assim, é de lamentar a ausência de Gaitán hoje, bem como a de Mitroglou e ver Jonas de fora por um amarelo desnecessário ainda amarga mais a língua. Com todos disponíveis hoje, chegaríamos lá? Nunca iremos saber, não os tivemos…

O resultado prático foi a nossa derrota. E mais uma vez vimos o sonho de repetir os anos 60 negado. Mas olhando às previsões iniciais, que grande Benfica tivemos. Isto sim, foi uma noite europeia à antiga: os alemães não passaram em Lisboa. E isso enche-nos o peito de orgulho. E não é uma vitória moral. É um regresso a um lugar que é nosso, o das grandes e eternas noites de história. Não foi a epopeia desejada, mas foi uma viagem e peras. E o nosso prestígio sai enriquecido e o nosso espirito fortalecido. E na segunda-feira, com o regresso da Liga, o bom que saiu desta eliminatória vai nos empurrar. Oxalá que as maleitas estejam já curadas!

John Aguiar

Redação Bola na Rede · ver artigos