A grande novidade no encontro do Benfica na Madeira foi a entrada de Rodrigo Rêgo no onze inicial, frente ao CD Nacional. O “novo” José Mourinho, como já muitos começam a apelidar o treinador encarnado pela forma como tem sabido reinventar soluções. Voltou a recorrer à formação para colmatar as várias lesões que têm assolado a equipa. E fê-lo com segurança: Rêgo respondeu com maturidade, num jogo que exigia concentração e critério.
A primeira parte, no entanto, ficou longe de oferecer grandes momentos ao público. O Benfica assumiu o domínio total desde o primeiro minuto, controlando a posse, o ritmo e os espaços, mas faltou-lhe criatividade e capacidade de desequilíbrio. A circulação era previsível e as combinações no último terço raramente criavam perigo. A equipa parecia presa num bloco muito organizado do Nacional, que se apresentou com linhas curtas, disciplina tática e uma solidez defensiva notável. Enquanto os encarnados rodavam a bola de um lado ao outro à procura de brechas, o Nacional fechava todos os caminhos com atenção e calma, quase sempre bem posicionado e sem perder o controlo emocional. Assim se passou uma primeira parte intensa, mas sem grandes ocasiões, mais marcada pela paciência do Benfica e pela resistência inteligente da equipa madeirense.
A segunda parte começou com o Nacional a tentar ser mais ousado nas transições. Procurou acelerar um pouco mais após cada recuperação de bola, mas mesmo assim não chegou a criar real perigo. Ainda assim, esse ligeiro avanço no terreno acabou por ter consequências inesperadas: numa saída de bola mal calculada pelo Benfica, o Nacional recuperou alto e marcou, aproveitando ao máximo o erro encarnado. Foi um momento duro para a equipa lisboeta, que até então controlara completamente a partida.
Mas a reação surgiu com a entrada de Andreas e, sobretudo, de Prestianni. O argentino trouxe energia, criatividade e coragem para encarar o adversário no um para um. A partir daí, o Benfica tornou-se mais incisivo, mais agudo e mais agressivo no ataque. A estrutura defensiva do Nacional começou a quebrar, já visivelmente desgastada no plano mental, e o Benfica aproveitou para empatar e, pouco depois, virar o resultado para 2–1.
Importa ainda referir a necessidade urgente de aumentar o tempo útil de jogo e combater o anti-jogo. Embora compreenda que muitas equipas usem esta estratégia para equilibrar forças contra adversários mais fortes, torna-se frustrante para quem procura um futebol mais dinâmico e fluido. O Nacional não tinha armas para muito mais e usou as que tinha, mas a verdade é que a pausa constante prejudica o espetáculo.
Individualmente, Paulinho Bóia destacou-se como o cérebro do Nacional. Foi ele quem deu critério às saídas e manteve a equipa ligada enquanto houve frescura. Do lado do Benfica, Prestianni foi a figura mais influente, pela energia e pela atitude com que entrou em campo. Em sentido contrário, Sudakov nunca conseguiu impor o seu jogo, apesar da qualidade que possui, e acabou por ser uma das desilusões da noite.
Foi um jogo duro, tenso e decidido pela persistência e profundidade do plantel encarnado, que soube sofrer, reagir e virar o resultado.

