O Benfica de José Mourinho chegou a Leiria com um registo de 22 jogos sem perder nas competições nacionais. Contudo, a meia-final da Taça da Liga revelou-se um teste de realidade penoso para as águias. Perante 17.469 espetadores, o Braga de Carlos Vicens não só venceu por 3-1 como expôs imensas fragilidades defensivas dos encarnados.
O Benfica entrou em campo a pretender asfixiar a saída de bola bracarense. Com Fredrik Aursnes e Leandro Barreiro a servirem de gatilhos na pressão alta, a equipa encarnada conseguiu, nos primeiros dez minutos, criar a sensação de que o golo era inevitável, tendo sido parado apenas pelas boas defesas de Lukas Hornicek. No entanto, esta pressão revelou-se péssima e sem coberturas eficazes.


O Braga identificou rapidamente a cratera nas alas. Ao forçar o jogo pelo corredor direito através de Ricardo Horta e Rodrigo Zalazar, os minhotos expuseram a gritante desorientação de Samuel Dahl e a falta de agressividade de Tomás Araújo. O primeiro golo é o exemplo perfeito da falha estrutural, onde Samuel Dahl perdeu de vista Rodrigo Zalazar, e Tomás Araújo teve uma abordagem passiva que permitiu a Pau Víctor finalizar sem oposição.
O momento da noite, aos 33 minutos, foi mais do que um golo de antologia de Rodrigo Zalazar, foi um manifesto contra a apatia defensiva do Benfica. Ver o médio uruguaio percorrer metade do terreno sem sofrer uma única falta tática é incompreensível para uma equipa de elite. A abordagem infantil de Nicolás Otamendi, permitiu que o camisola 10 do Braga fizesse o que quis antes de bater Anatoliy Trubin.
Richard Ríos e Leandro Barreiro foram incapazes de ditar ritmos ou fechar caminhos por dentro, permitindo que João Moutinho e Florian Grillitsch controlassem o tempo do jogo com bola. O Benfica tornou-se uma equipa de jogadores esforçados, mas taticamente desequilibrados, onde Georgiy Sudakov, outra vez na ala, perdia toda a sua capacidade criativa ao ser obrigado a tarefas defensivas para as quais não tem características.
Ao intervalo, José Mourinho corrigiu o erro de lançar um Manu Silva ainda longe da forma física ideal e deu palco a Gianluca Prestianni. O argentino foi o único capaz de abanar o jogo, trazendo a verticalidade e a agitação que faltavam. O golo de Vangelis Pavlidis, de grande penalidade, foi o prémio para uma fase de domínio em que o Benfica parecia estar perto de reverter o cenário.


Contudo, a desorganização voltou a cobrar faturas. Aos 82 minutos, num lance que começou com uma falha de apoios de Tomás Araújo, o defesa central acabou por desviar para a própria baliza, permitindo a Gustaf Lagerbielke sentenciar o encontro na recarga. O descalabro mental culminou na expulsão de Nicolás Otamendi, que agora falha o clássico decisivo frente ao FC Porto.
O Benfica falhou a revalidação da Taça da Liga porque foi uma equipa previsível e permissiva e o Braga foi o justo vencedor. A ausência de extremos criativos no onze inicial e a insistência em jogadores limitados tecnicamente como Leandro Barreiro tornaram o jogo encarnado fácil de ler para um Braga que, sem ser brilhante, foi cirúrgico.

