Sérgio Abreu representou o Braga e o Fafe, adversários dos quartos-de-final da Taça de Portugal. Foi também finalista da competição em 2001 com o Leixões de Carlos Carvalhal.
O Bola na Rede conversou com Sérgio Abreu, jogador do Fafe entre 1984/85 e 1989/90 e do Braga entre 1991/92 e 1998/99, que se enfrentam esta quarta-feira nos quartos-de-final da Taça de Portugal. O antigo defesa-central alinhou também na final da competição em 2000/01 com o Leixões de Carlos Carvalhal.
Bola na Rede: O encontro de hoje deve ser especial para si, tratando-se dos dois clubes que representou mais tempo na sua carreira. Tem algum prognóstico para o jogo? Ou alguém em particular que pense que possa destacar-se?
Sérgio Abreu: Vai ser difícil. Se for com a intenção de ter que trabalhar e de correr e de lutar, sim, terá grandes hipóteses, claro, de passar, porque tem melhor plantel, tem melhor equipe. Agora, se for para lá a pensar que está a ganhar e que mais tarde ou mais cedo vai ganhar, pode sofrer um desgosto. Se o Braga for a Fafe com a intenção de não facilitar, mais tarde ou mais cedo, acho que o Braga acabará, pelo plantel que tem, chegar à vitória. Mas se for para lá com aquela coisa de ‘vamos deixar andar’, mais tarde ou mais cedo fazemos um golo, poderá passar muito mal. No Braga, de costume, o Zalazar, o Ricardo Horta, isto é, se o Vicens for lá com aquele onze titular e não facilitar. Do lado do Fafe teria de ser pelo seu conjunto, não há individualidades que possa sobressair, mas tem um bom conjunto e se lutarem todos podem fazer uma graça. E já agora, vai fazer perto de 40 anos que o Fafe ganhou 2-1 ao Braga do Vítor Manuel. Ganhamos 2-1 em Fafe nos oitavos-de-final e depois passamos aos quartos-de-final e perdemos com o Benfica na Luz 1-0 e nós estávamos na 2.ª B também.
Bola na Rede: O Fafe pode conseguir algo histórico hoje. O que tem achado da campanha do clube esta época?
Sérgio Abreu: O Fafe por acaso, começou muito mal. Os primeiros jogos perdeu quase tudo. Depois houve uma mudança de treinador e este treinador veio trazer ambição, crer. A partir daí o Fafe começou a galerar no campeonato, que acho que é aquilo que mais interessa ao Fafe, é tentar ficar nos quatro primeiros, para, acima de tudo, manter-se na Liga 3, para já, e com hipóteses depois de poder subir de divisão. A Taça de Portugal, como digo, já fez muito, mas se puder ir mais longe, melhor ainda.
Bola na Rede: Como é que têm visto o crescimento do Braga desde a altura em que esteve no clube como jogador?
Sérgio Abreu: O Braga é um clube totalmente diferente daquilo do Braga do meu tempo. No meu tempo o Braga era um ‘Braguinha’, digamos assim, até há um treinador que passou por lá com muito êxito que chamava o Braga a ‘loja dos trezentos’. Curiosamente, eu e o Carlos Carvalhal fomos colegas de equipa no Sp. Braga e mais tarde reencontramo-nos no Leixões, ele já como treinador e eu como jogador. Sempre disse que ele ia dar treinador e na realidade foi dos melhores com quem trabalhei e mostra da capacidade que tem é o percurso fantástico que tem feito como treinador, passando por grandes clubes e alcançando grandes resultados, com destaque para o que fez no comando técnico do seu Braga, onde venceu uma Taça de Portugal em 2020/21. Tínhamos bons jogadores, mas o dinheiro não abundava. E agora não, desde que o António Salvador tomou conta do clube elevou o clube para um patamar que se pode dizer hoje que o Braga é o quarto grande português, tanto em infraestruturas como em clube. O Braga nos últimos anos tem-se batido quase sempre para ficar nos quatro primeiros. Quando no meu tempo, nos primeiros anos, era quase sempre para não deixar divisão, e sim a partir do tempo em que o presidente João Gomes de Oliveira também tomou conta do clube.
Bola na Rede: Esteve na final da Taça de Portugal em 2001 com o Carlos Carvalhal ao comando do Leixões. Qual é a sensação de jogar num jogo dessa magnitude?
Sérgio Abreu: E eliminámos o Braga na altura em que as meias-finais eram só a uma mão. Se fosse a duas mãos, se calhar não estávamos na final. Ganhámos 3-1 na primeira mão, e se houvesse a segunda mão, que acho que havia de voltar a ser só a uma mão, e acho que o Pedro Proença quer voltar a pôr as meias-finais a uma mão, e acho mais justo. Estar numa final com uma equipa da segunda B, ainda hoje é um marco, que eu saiba que em Portugal ainda ninguém conseguiu fazer isso. Sabendo que nós estávamos na segunda B, que agora a bem dizer é a Liga 3, que é como o Fafe, na altura nós estávamos na segunda B, mas tínhamos um plantel que podia estar perfeitamente na primeira divisão, a jogar para estar do meio da tabela para cima. Tínhamos uma equipa de antigos jogadores da primeira liga e com muita juventude saída das camadas jovens, do Leixões, que era um grande plantel. E chegar à final é um sonho, para um jovem como eu, na altura que chegou à primeira final com o Braga contra o Porto, em 1996. E depois, alguns anos depois, chegar com uma equipa da segunda B à final da Taça de Portugal contra o Sporting e depois vir a ganhar a Taça é uma coisa enorme, e sobretudo de uma equipa que era da segunda liga.
O jogo dos quartos-de-final da Taça de Portugal tem início marcado para as 18h45 no Estádio Municipal de Fafe. Mais tarde, o FC Porto recebe o Benfica.

