Arreta handia: o Sporting fez história e ganhou o direito de se sentar à mesa com os maiores da Europa

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BILBAO, PAÍS BASCO- O Sporting fez história para o futebol nacional. Esta é a grande conclusão da noite mágica vivida em Bilbao. Um ambiente ensurdecedor, com as bancadas do San Mamés a vibrar a cada jogada, a cada lance. A UEFA bem que tentou proibir os aficionados verde e brancos de entrarem na La Catedral, mas os sportinguistas marcaram a sua presença, numa partida que gerou todo o tipo de sentimentos ao longo dos 90 minutos.

Um encontro que prometia, com dois emblemas em duas fases distintas de forma, mas que os três pontos eram obrigatórios para os dois emblemas, de modo a alcançar o objetivo. Os leões, queriam ter direito a sonhar com um posto direto nos oitavos de final da Champions League, algo uma equipa portuguesa nunca tinha conseguido no novo formato. Os bascos, procuravam agarrar-se a uma réstia de esperança num apuramento para o playoff, de modo a compensar a campanha interna abaixo do esperado. Ainda assim, Ernesto Valverde tinha deixado o alerta na antevisão: a prioridade do Athletic é a La Liga. O espanhol falou com cautela, praticamente menosprezando o jogo frente ao Sporting. Dentro de campo, a conversa foi outra.

Rui Borges surpreendeu praticamente todos ao colocar Daniel Bragança no terreno de jogo. O médio entrou para a posição de 10, com a equipa técnica na esperança que o seu regresso aos relvados como titular fosse numa noite de glória. Já do outro lado, Unai Gómez apareceu pela banda direita, quando é um médio de origem. O Sporting estava quase na sua máxima força. O Athletic aparecia diante dos seus adeptos ‘remendado’, sem peças importantes como Dani Vivian, Mikel Jauregizar ou Nico Williams.

Contudo, contra todas as expectativas, foram os espanhóis a assumirem a batuta do jogo. Oihan Sancet fez o primeiro golo, logo aos 3’. O médio ofensivo fez praticamente o que quis nos minutos em que esteve em campo. Produziu jogo, combinou com os colegas, principalmente do lado esquerdo, na companhia de Robert Navarro, ajudando igualmente na pressão, deixando o Sporting desconfortável. Apesar de ser um jogador experiente, durante os últimos anos mostrou alguma irregularidade. Contudo, a qualidade está toda lá e pode ser peça chave para o que resta da temporada. A entrada dos leões em campo foi terrível. Morten Hjulmand esteve amorfo, a aposta em Daniel Bragança provou ser um ´tiro no pé’. Ninguém se destacava.

Aos 10’, de bola parada, Ousmane Diomande saltou ao segundo andar para fazer o empate, mas foi o único motivo de felicidade dos verde e brancos na primeira parte. Até aos 45’, viveu-se o pesadelo. Gonçalo Inácio saiu lesionado, aos 26’, ligando os alarmes de Rui Borges. Para o seu lugar entrou Matheus Reis, que se destacou inicialmente pela negativa, ‘oferecendo’ o segundo golo ao Athletic. Perda de bola para Oihan Sancet e Gorka Guruzeta na raça fez o 2-1, depois de uma bola na trave. Os leões não sabiam nesta fase de jogo o que era acertar um passe, o que era construir uma jogada com pés e cabeça. A situação até ao intervalo não mudou. O 2-1 era um resultado curto e caso tudo se mantivesse como estava, certamente o Sporting seria goleado. O Athletic tinha um motor (Oihan Sancet), que fazia as restantes peças jogar, incomodando o Sporting como pouco se viu na temporada.

Rui Borges sabia que tinha que fazer algo, embora não tenha mexido ao intervalo. De uma forma inesperada, tudo mudou, com dois fatores a provocarem que a tempestade atingisse o San Mamés. Aos 50’, Oihan Sancet saiu lesionado. Aos 55’, são lançados a campo Eduardo Quaresma, Hidemasa Morita e Pedro Gonçalves. O Sporting começou a assumir a batuta e a dar espetáculo, como não se tinha visto. Se o Athletic perdera a sua referência, o emblema de Alvalade ganhara a sua. Pedro Gonçalves entrou para ser génio e mostrar todas as suas virtudes. O 2-2 surge de uma jogada entre si e Francisco Trincão, com o internacional português a bater Unai Simón, aos 62’. O Sporting melhorou como um todo. Pedro Gonçalves ajudou os seus colegas a conseguirem subir o nível, depois de quase uma hora despercebidos em campo. Hidemasa Morita também deu outro fôlego ao meio campo e Eduardo Quaresma mostrou qualidade.

O Athletic ‘perdeu-se’ dentro das quatro linhas. Os seus atletas estavam cansados, depois de uma primeira parte de luxo, mas de exigente esforço físico. Rui Borges percebeu isso na perfeição e sabia que era altura do Sporting mostrar para o que vinha. Assim sendo, os leões continuaram a carregar, a gerar oportunidades, anulando as valências de um oponente que só aparecia ‘de vez em quando’. Ernesto Valverde estava longe de ser um vilão, mas não tinha banco para muito mais. As ausências levaram a uma aposta em jovens promessas, mas que não conseguiram mexer com o jogo (ainda que teria mais sentido ter colocado Selton Sánchez logo a partir do apito inicial, ao invés de Unai Gómez, mesmo que tampouco seja um extremo de origem).

Já o Sporting lançou a sua arma aos 87’. Alisson Santos não é o melhor jogador à face da terra. Não é o jogador com mais qualidade do Sporting. Possivelmente não tem a capacidade de ser um dos titulares de Rui Borges. Mas é talismã e uma equipa tem sempre que contar com esse estilo de atleta. Aos 90+4’, Luis Suárez tinha tudo para ser o herói, mas o colombiano vacilou no frente a frente com Unai Simón. Contudo, a jogada ainda não tinha acabado. Havia Alisson Santos. O extremo recuperou a bola (e quase que a perdeu no segundo seguinte, devido à receção horrível), fez um movimento para o centro e rematou cruzado. Unai Simón ainda se esticou, mas todo o San Mamés viu a bola a ir para o fundo das redes. Silêncio dos vestidos de vermelho e branco. As centenas de sportinguistas no estádio foram à loucura. Esta equipa tem atitude e não desiste até ao último minuto. Uns dizem que é sorte, mas para se a ter, é necessário lutar por ela. O Sporting sabe lutar. O apito final trouxe uma sensação de alívio, de que se havia feito história, com este triunfo a ser recordado para sempre.

Foi uma vitória do esforço. Possivelmente este 3-2 foi injusto dado o que aconteceu. O Athletic fez uma primeira parte como poucas, anulou o Sporting com facilidade. Mas a segunda parte acabou por ser comandada pelos visitantes. Muito por culpa de Rui Borges. O treinador leu bem o encontro, viu o que precisava e mexeu três de uma vez. Mais tarde, lançou um revulsivo que, no fundo, era a última esperança do Sporting. É um triunfo com o dedo do técnico, que guiou a equipa à primeira vitória em Espanha.

Ninguém sabe como será o futuro, mas o Sporting entrou na história. Evitou um playoff que prometia ser complicado, poupando os jogadores a mais dois jogos, ficando ‘de cadeirinha’ a acompanhar a competição. À sua volta, nos postos de qualificação direta para os oitavos de final, somente tubarões. A instituição já tinha sido tão grande como os maiores da Europa ao bater contra o PSG, mas com este triunfo senta-se mesmo à mesa com eles. A partir de aqui, é sonhar.

Já o Athletic tem aqui uma missão complicada. Ernesto Valverde aparenta algum cansaço e deve mesmo abandonar o cargo no final da temporada. Em Bilbao sabem quem são as opções válidas para assumir o posto de treinador, mas estão todos empregados. O plantel tem as suas virtudes, mas é curto para quando se disputa uma competição continental, além das internas. Os adeptos marcaram presença no San Mamés e compreendem o contexto complexo que se vive. A probabilidade de 2025/26 ser um ano para esquecer, sem acesso às próximas provas continentais, é elevada, mas a primeira parte dá esperança.

Bola na Rede na Conferência de imprensa

Bola na Rede: O Pedro Gonçalves entrou muito bem no encontro, aos 55′, fazendo o Sporting crescer também devido à ligação com o Francisco Trincão. Acredita que esta relação foi fundamental para o triunfo?

Rui Borges: Não acho que foi somente a ligação com o Francisco Trincão. O Pedro Gonçalves faz crescer toda a gente, ou fez crescer, neste caso. Mas não foi só o Pote, o Morita e o Edu foram importantes. A entrada dos três foi importante. O Edu mostrou clarividência na tomada de decisão, a ver os espaços. O Morita tem uma grande capacidade de leitura de jogo e anda bem em espaços curtos. O Athletic é intenso nesses espaços curtos, é uma equipa coesa. É importante ter estes jogadores. O Morten Hjulmand cresceu, falhou menos passes. Cresceu o Luis, o Trincão… Acho que não foi só pelo Pote, muito honestamente. O Pote é claramente diferenciado, a música é outra (risos). Os três foram importantes naquilo que foi instalar a qualidade de jogo. Percebemos onde tínhamos que ir para atrair e ganhar espaços. A entrada dos três foi muito boa e ajudou muito a equipa a crescer e a vencer, acima de tudo.

Ricardo João Lopes
Ricardo João Lopeshttp://www.bolanarede.pt
O Ricardo João Lopes realizou a sua formação na área da História, mas é um apaixonado pelo desporto (especialmente pelo futebol) desde criança, procurando estar sempre a par da atualidade.

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