Quando terminou o último Clássico entre o FC Porto e o Sporting, Francesco Farioli, o treinador dos dragões estava longe de imaginar que o penálti fora de horas de Luis Suárez, que deu o empate aos leões, fosse a sua maior preocupação naquela noite.
O principal ponta de lança do FC Porto o jovem Samu lesionara-se durante o encontro e a gravidade da lesão acabou por confirmar-se. Uma rotura total do ligamento cruzado anterior do joelho direito iria afastar o avançado dos relvados durante vários meses, muito provavelmente excluindo-o da convocatória para o próximo Mundial.
Farioli e o FC Porto que já tinham visto a contratação surpresa do mercado de Verão, o concorrente de posição o veterano Luuk de Jong também lesionar-se com gravidade no início da época, diminuindo as opções para a frente de ataque dos portistas.
O neerlandês que poderia ser muito importante para o desenvolvimento de Samu com a sua experiência de futebol europeu e podia permitir que o FC Porto jogasse noutro sistema.


Com a lesão de Luuk de Jong, o FC Porto viu-se com apenas duas opções para ponta de lança. Samu que foi titular na primeira parte da época e o jovem turco Deniz Gul que ingressou no clube na época passada, mas ainda não se tinha conseguido impor como titular.
Neste cenário, os azuis e brancos sentiram a necessidade de ir ao mercado contratar mais um avançado centro e apostaram no nigeriano Terem Moffi de 26 anos, emprestado pelo Nice. Um ponta de lança de grande robustez física, mas que ainda lhe falta ritmo e conexão suficiente com a equipa, já que chegou relativamente há pouco tempo.
Com apenas duas opções disponíveis, uma delas sem o ritmo necessário para entrar no imediato na equipa, a ausência de Samu pode-se transformar num grande contratempo para Farioli e para o FC Porto.
Apesar de jovem, Samu era uma referência, uma espécie de farol do ataque portista. Forte fisicamente, o espanhol era um jogador que segurava muito bem a bola de costas para baliza, abrindo, muitas vezes, espaços para a entrada dos companheiros de zonas mais recuadas.
Era também um jogador mais habituado às dinâmicas da equipa e já melhor integrado no sistema tático da equipa, ao contrário de Gul e Moffi que ainda não estão identificados com os companheiros, principalmente o nigeriano Moffi que só veio há cerca de um mês.


Numa altura crucial da época com várias frentes em aberto tanto nacional como internacionalmente, os portistas podem sentir muito a falta do jovem avançado espanhol que era uma opção que dava garantias para o estilo de jogo que o FC Porto utiliza e era responsável por 32% dos golos do clube esta temporada.
Nos jogos seguintes, Farioli optou e bem, na minha opinião, por não mudar o sistema colocando Deniz Gul na frente de ataque azul e branca, mas Gul e Samu são avançados de características diferentes. Samu mais posicional, Gul mais móvel e mais capaz de exercer uma pressão mais alta nos adversários.
Já Moffi será quanto a mim uma opção de recurso cuja utilização só se fará quando o FC Porto precisar eventualmente de jogar com dois avançados na área, o nigeriano pode dar aquela consistência física no confronto com os defesas que Gul não dá.
Ainda pode haver outra possibilidade na ausência de Samu, que Farioli poderá utilizar, mas esta implicaria uma alteração no sistema do FC Porto que seria a entrada de Rodrigo Mora como falso nove.


Mora não ofereceria profundidade e o jogo de costas para a baliza, mas teria a capacidade para baixar no terreno e ligar o jogo criando superioridade no meio-campo. Teria, no entanto, a desvantagem de não ter uma referência na área, o que poderia facilitar a vida aos adversários.
O FC Porto apesar de continuar a vencer, tem revelado dificuldades na concretização. A eficácia não tem sido muito elevada e um jogador como Samu, batalhador e de remate fácil vai fazer muita falta ao FC Porto.
Vamos ver se Deniz Gul ou Terem Moffi poderão substituir de maneira diferente Samu, mas com a mesma eficácia. É isso que esperam os adeptos portistas para continuarem a sonhar com o título nacional que escapa aos azuis e brancos há três temporadas.

