O Benfica derrotou o Gil Vicente em jogo da 24.ª jornada da Primeira Liga. César Peixoto respondeu à questão do Bola na Rede em conferência de imprensa.
César Peixoto analisou o desaire do Gil Vicente frente ao Benfica por 2-1 na 24.ª jornada da Primeira Liga. O Bola na Rede esteve presente no Estádio Cidade de Barcelos, e, no final do encontro, teve a oportunidade de colocar uma questão ao treinador gilista.
Lê também a questão colocada a José Mourinho, treinador do Benfica.
Bola na Rede: Quando o Gil Vicente tem bola, o Luís Esteves acaba por ser um jogador muito móvel, capaz de participar na construção, mas também, aparecer em zonas mais adiantadas através de diagonais. Gostaria de lhe perguntar como é que se gere o risco e o benefício de o ter, por vezes, numa posição mais ofensiva? E pergunto-lhe também que papel tiveram os corredores laterais, sobretudo o direito, na estratégia da sua equipa para este jogo?
César Peixoto: O nosso meio-campo é muito móvel, temos timings para acionar a bola, para acionar tudo e mais alguma coisa. Eles jogam uns em função dos outros, jogam quase os três de olhos fechados ali no meio. A equipa está sempre equilibrada, nós temos uma equipa coesa defensivamente, muito organizada, não permitimos muito ao adversário, embora hoje, com estas equipas, seja natural que essas situações aconteçam mais. Mas o Luís, quando vai, os outros sabem o que têm de fazer para equilibrar a equipa. A equipa dificilmente está desequilibrada. Faltou-nos aqui ou ali matar uma jogada ou outra com falta para parar a transição do Benfica, mas quando o Luís vai a equipa sabe como equilibrar. Nós temos sempre o lateral do lado oposto fechado, temos os dois centrais, com o Facundo Cáseres logo ali preocupado com a vigilância do número 10, que hoje era o Rafa. Ou seja, a equipa está sempre muito equilibrada, não há nenhum problema. Nós queremos que a equipa seja ofensiva, que o Luís não tenha problemas em chegar lá à zona de finalização. Queremos colocar três, quatro homens na zona de finalização para fazermos golos. A equipa está trabalhada para isso desde o início, tem sido sempre assim e nós conseguimos estar sempre equilibrados e dificilmente permitimos muito ao adversário. Por isso, a equipa está mecanizada para essa situação e não vejo qualquer problema. Em relação aos corredores laterais, nós hoje queríamos que, no do lado direito, quando o Murilo depois viesse procurar bola no pé, porque sabíamos que os centrais do Benfica ficavam muito agarrados no corredor central e eram os médios que acompanhavam as diagonais. Aqui ou ali não conseguimos executar da forma como pretendíamos. O Konan conseguiu desbloquear várias vezes, chegou lá à frente muitas vezes. Acho que a equipa funcionou bem, sinceramente. Aqui ou ali tivemos uma dificuldade ou outra, mas é natural, estávamos a defrontar o Benfica. Acho que tivemos capacidade para ter bola, circular de um lado, circular do outro, empurrar o Benfica para trás. Jogámos por dentro, jogámos por fora, tivemos essa capacidade. Se calhar faltou-nos atacar um pouco mais o espaço em alguns momentos. O Benfica hoje procurou muito o jogo direto nas costas da nossa linha defensiva. Nós temos o jogo apoiado, que é a nossa ideia de jogo, mas eles sabem que, em quatro, uma tem de meter lá para abrir o espaço entre linhas, para termos mais capacidade de ligar, mas nunca foi muito preciso. Acho que podíamos ter sido mais agressivos nesse momento, podíamos ter metido uma ou outra, mas a equipa encontrou sempre soluções por dentro, com os nossos médios a circularem a bola para depois acelerarem por fora e criar situações de perigo. Acho que fizemos um bom jogo, acabámos por não concretizar.

