Robbie Keane | O goleador que virou treinador do Ferencvaros

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No dia 8 de julho de 1980, nascia em Tallaght, Dublin, uma figura histórica para a seleção irlandesa, predestinado para grandes palcos e com um faro para golo, estando no momento certo, à hora certa como o melhor dos finalizadores. Robbie Keane era o jogador dos momentos importantes, quando faltava inspiração, aparecia o irlandês. Era um jogador que não precisava de muito para fazer a diferença, numa fração de segundo, tudo mudava. O seu festejo, uma cambalhota entusiasta recheada de paixão, simbolizava a felicidade pura de pisar os relvados e de marcar um golo, como se fosse o último.

A caminhada pelo futebol não podia ter começado da melhor forma. Aos 16 anos, deixou a sua terra natal rumo a Wolverhampton. Keane recusou ofertas do Liverpool e Nottingham Forrest para rumar a um clube onde o tempo de jogo seria mais regular e a adaptação ao futebol profissional mais suave. Um mês depois de completar 17 anos, o rapaz franzino de Dublin apresentava-se às bancadas de Carrow Road com o número dez nas costas e uma vontade gigante de mostrar ao que vinha. Foi uma estreia de sonho, com dois golos marcados e uma demonstração da técnica e maturidade que iriam marcar a sua carreira. 

No Wolverhampton, o ponta de lança enfrentava defesas, destemido e com drible curto, sem medos, digno de um jogador com anos e anos de carreira. Tinha apenas 17 anos, mas para Keane a idade era apenas um número. Foram 11 golos na época de estreia, 16 na segunda e já se notava que o Molineux era pequeno demais para o génio do jovem irlandês. 

Em 1999, chegava o capítulo Premier League. O Coventry pagava seis milhões de libras, tornando Keane o jovem mais caro do futebol inglês. As expectativas eram altas, mas o ponta de lança não desiludiu, repetindo o feito da estreia no Wolverhampton, foram dois golos na estreia no principal escalão do futebol britânico. O irlandês deixou a sua marca no Coventry, ao todo, foram 12 golos em 34 jogos. Estava confirmado o talento do ponta de lança, que por vezes não era o mais vistoso, mas um dos mais pragmáticos e perigosos jogadores do campeonato.

A irreverência e o talento fizeram furor pela Europa. O Inter Milão chegou-se à frente pela compra do jogador de 20 anos. De Dublin para o Giuseppe Meazza, o plano não correu como esperado, a frustração com o papel secundário na equipa italiana levaram ao fim da aventura por terras de Milão. Keane era um jogador que precisava de espaço, de um lugar onde se pudesse afirmar, era alguém que necessitava de movimento, constantemente irrequieto. Anos mais tarde, Massimo Moratti, ex-presidente da Inter, confessava que se arrependia de ter vendido o jogador. Seguiu-se o Leeds, como um capítulo passageiro numa carreira fragmentada, numa procura incessante por um palco onde conseguisse brilhar.

White Hart Lane foi esse palco, onde chega com uma fome gigante de provar que o burburinho que o rodeava era justificado e que, era sim, um jogador diferenciado. Mal chegou, consagrou-se como titular, como peça fundamental numa equipa que precisava da garra do irlandês. No Tottenham, jogou o melhor futebol da carreira, os seus movimentos em campo eram calculados, com instintos de matador, sempre nos momentos mais decisivos, sem se esconder de um bom desafio. No total, ganhou três prémios de jogador do ano, o primeiro jogador na história do clube a consegui-lo. 

Em 2004-2005, o ambiente azedou e Keane foi multado em 10000 libras por abandonar o banco de suplentes num jogo frente ao Birmingham. O ponta de lança era mesmo assim, alguém inquieto e com uma fome de glória que transmitia em cada relvado que pisava. Foi desta forma que chegou ao marco histórico de 100 golos na Premier League, ao lado de Berbatov, numa parceria que fica para os livros. Foram 306 jogos e 112 golos com a camisola dos Spurs. 

Seguiu-se a concretização de um sonho de infância, vestir a camisola número sete no clube do coração, mas mais uma vez este capítulo fica marcado como um dos piores na carreira de Robbie Keane. Foram apenas cinco golos na liga em 19 jogos. De Anfield, ficam memórias amargas,  desde picardias com Benitez a jogar fora de posição, colado à linha, onde nunca tinha jogado. Uma passagem que era um sonho, acabou em pesadelo. Precisava de se reerguer, voltou ao lugar onde tinha sido feliz, apenas seis meses tinham passado. Com a braçadeira de capitão, continuou a ser importante, com menos preponderância. 

Veio uma fase de empréstimos, foi à Escócia onde foi eleito jogador do ano e reencontrou a paixão pelo futebol (16 golos em 19 jogos), voltou ao campeonato inglês com as camisolas do Aston Villa e do West Ham. 

Em 2011, chegou à MLS para representar o LA Galaxy, em fase descendente de carreira mas com a mesma sede de golo que o caraterizava. Sempre decisivo, conquistou três MLS Cups, MVP da liga e da final em 2014, ainda foi a tempo de marcar no prolongamento da final. Foram 92 golos e Los Angeles coroava-o imperador. Fica por mencionar um salto à liga indiana para finalizar a carreira como um verdadeiro aventureiro.

O texto vai longo, tal como a carreira de Keane, mas não podia deixar de assinalar o maior feito da carreira do ponta de lança, ao serviço da seleção nacional da Irlanda. Melhor marcador da história da seleção e o jogador com mais internacionalizações. Números históricos para uma lenda do futebol irlandês e britânico. Com a camisola verde, Keane representava o coração de uma nação com uma força e uma vontade insaciável de representar o seu país. Tinhas apenas 21 anos, quando assumiu a responsabilidade de guiar a seleção irlandesa no Mundial de 2002, após o afastamento de Roy Keane. Foi aos 90+2’, num jogo frente à Alemanha, que o avançado revelou-se novamente decisivo, no sítio certo, à hora certa. Sem o seu golo, a Irlanda corria o risco de ser eliminada na fase de grupos. Voltou a ser decisivo, desta vez frente à Espanha nos oitavos de final, Keane marcou o golo de empate que forçou o prolongamento. Foram estes momentos que o solicitaram como uma figura importante na história do futebol irlandês. Capitaneou a seleção durante anos, foi o primeiro irlandês ou britânico a passar os 50 golos internacionais e igualou Gerd Müller na despedida com 146 jogos e 68 golos. 

O miúdo de Tallaght deixava a sua marca, como desde cedo o fez, no mundo do futebol. As suas cambalhotas ficam para sempre. Liderou a seleção do seu país e foi decisivo nos clubes por onde passou. Por mais pequeno que fosse o seu tempo em cada clube, Robbie Keane fazia questão de deixar o seu cunho pessoal, em cada festejo mostrava a alegria de um miúdo que nasceu para jogar futebol.

José Vale
José Vale
Estudante, 22 anos. Licenciado em Ciências da Comunicação na Universidade do Minho. Atualmente em mestrado em Ciências da Comunicação com especialização em Jornalismo, na Universidade do Minho.

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