Gverreiros apresentam a resposta que a eliminatória pediu | Braga 4-0 Ferencváros

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O carimbo para os quartos-de-final da Europa League não foi fácil de adquirir, mas a resposta dos gverreiros em Braga não deixou quaisquer dúvidas sobre qual das equipas mereceu mais a passagem à próxima fase. O Braga entrou de forma fulminante, acrescentando uma maior ameaça ofensiva à qualidade com bola que vimos na primeira mão e que têm demonstrado ao longo de toda a temporada. A pressão alta e marcação individual do Ferencváros manteve-se, mas as dinâmicas introduzidas por Carlos Vicens desmontaram-nas de forma exímia.

O detalhe essencial que mudou o ataque bracarense foi o posicionamento adiantado de Gabri Martínez na ala esquerda, que fez inúmeras movimentações diagonais nas costas da defesa adversária. Estes movimentos foram eficazes graças à liberdade posicional do trio de ataque, que retirou as referências às marcações adversárias. Desta forma, foram capazes de acrescentar uma ameaça de saída de bola longa, forçando os húngaros a reduzir a intensidade da pressão. No momento sem bola, o espanhol mantinha-se mais alto que Victor Gómez, do lado contrário, permitindo que Ricardo Horta estivesse encarregue de uma marcação individual ao médio brasileiro, Júlio Romão.

Gabri Martínez, Braga
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede

A dificuldade da formação orientada por Robbie Keane de manter a linha de fora-de-jogo organizada foi algo destacado pelo técnico irlandês e que esteve na origem de dois dos três primeiros golos. Um apoio curto de Pau Víctor enquanto os colegas de ataque esticavam na profundidade, seguido de uma boa proteção de bola e um grande passe do avançado espanhol foi suficiente para desmontar completamente os adversários. Rodrigo Zalazar encontrou Ricardo Horta no segundo poste e, com 11 minutos no relógio, a ‘remontada’ começou a ganhar forma.

No segundo golo, a maior povoação do meio-campo no momento defensivo da saída de bola resultou numa recuperação de Florian Grillitsch, que voltou a fazer uma grande exibição, demonstrando a sua mistura entre poderio defensivo, leitura de jogo e chegada tardia à grande área. No seguimento da jogada, o médio alemão aproveitou um corte mal conseguido de Raemaekers para rematar da entrada da área. O remate não foi o melhor, mas Dávid Gróf deixou a bola escapar por baixo de si e a eliminatória estava empatada ao fim de 15 minutos.

Grillitsch voltou a estar na origem do terceiro golo bracarense, aparecendo no sítio certo para interceptar a bola e, num único toque, encontrar Pau Víctor, que se deslocou para o corredor direito, deixando espaço para Gabri Martínez atacar o espaço nas costas. A desorganização dos húngaros voltou a deixar um elemento do Braga em jogo e o avançado serviu o seu compatriota com mais um grande passe. Assim, com pouco mais de meia hora da segunda mão na Pedreira, a cambalhota na eliminatória foi alcançada.

Florian Grillitsch, Braga
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede

Daí em diante, o ritmo do jogo mudou completamente, passando para um domínio da posse bola e controlo do ritmo de jogo por parte dos minhotos. Mantiveram o sufoco à saída de bola adversária, estando confortáveis com possíveis duelos entre os seus defesas-centrais e a dupla de Yusuf e Lenny Joseph em bolas longas. Mais uma vez, a presença de Niakaté trouxe tranquilidade à defesa do Braga, que encaixa na perfeição com a disponibilidade física de Lagerbielke. O terceiro elemento, Bright Arrey-Mbi acabou por ter um posicionamento diferente, funcionando quase como um defesa-lateral. O alemão protegia a profundidade que Gabri Martínez deixava para pressionar alto, mas caía de volta como terceiro central nos momentos em que o bloco baixava.

Já na segunda parte, o triângulo composto por Victor Gómez, Rodrigo Zalazar e Pau Víctor conseguiu uma bela combinação de passes e movimentações sem bola, que acabou com o jovem avançado a encarar a defesa húngara em zona priveligiada. Acabou por não encontrar o espaço para o remate, mas devolveu ao corredor direito, onde encontrou Zalazar, que, com muita qualidade cruzou rasteiro para a zona frontal da grande área. De primeira, Ricardo Horta enviou um foguete que ainda bateu no poste antes de entrar, alcançando o 19.º golo da temporada, aos quais junta 10 assistências, forçando Roberto Martínez a considera-lo cada vez mais como uma possibilidade para a convocatória de Portugal no Mundial 2026.

Ricardo Horta, Braga
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede

A partir do quarto golo, o andamento do encontro baixou ainda mais, algo que foi potencial pelas inteligentes substituições de Vicens. Ainda antes dos 75 minutos, o técnico espanhol introduziu Moscardo, João Moutinho, Dorgeles e Diego Rodrigues, todos eles jogadores com altos níveis de leitura de jogo e capazes de jogar em zonas interiores. Júlio Romão ainda assustou com um remate de longe, mas Lukas Hornicek esteve à altura depois de um jogo em que foi chamado a intervir de forma muito esporádica. O guarda-redes de 23 anos voltou a mostrar a sua qualidade com os pés, lançando vários dos passes longos que condicionaram a pressão adversária e mantendo a habitual frieza na saída curta.

Em suma, o Braga demonstrou a sua identidade ao nível máximo: uma equipa com muita personalidade com bola, baseada no associativismo tático de Vicens, que atinge os objetivos no ataque graças a um trio ofensivo com posicionamentos muito difíceis de acompanhar. A caminhada do Ferencváros de Robbie Keane foi de louvar, considerando a diferença de talento para muitas das equipas que já tinham ficado pelo caminho, porém a Pedreira foi onde o sonho chegou ao fim. Os gvrreiros garantiram passagem aos quartos-de-final da Europa League pela quarta vez na história, onde enfrentarão o Real Bétis.

Carlos Vicens, equipa técnica Braga
Fonte: Edmilson Monteiro / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

O Braga conseguiu variar entre saída de bola curta e longa, com muitas diagonais de Gabri Martinez, que aproveitavam os movimentos do trio de ataque que arrastavam a marcação individual adversária. Quão importante foi esta dinâmica para quebrar a pressão alta do Ferencváros?

Carlos Vicens: É algo que preparamos já na primeira mão, mas os timings foram melhores hoje. A vantagem de jogar eliminatórias a duas mãos é que dá para experimentar coisas, perceber os erros e melhorá-los. Sabíamos que, jogando contra uma equipa tão física que marca homem-a-homem, precisávamos de ter muita personalidade e de querer ter a bola. Mas também era necessário que eles sentissem a ameaça (da bola longa), e o Gabri ajudou-nos a fazer isso mesmo. Foi algo planeado para eles nunca estarem tranquilos quando nos apertavam. Foi uma parte importante do jogo porque, como já sabes, a construção de jogo é fundamental para nós. Penso que fomos inteligentes no ‘mix’ entre bolas curtas e bolas longas, decidimos bem nos momentos e isso permitiu-nos vencer hoje.

A liberdade posicional do trio de ataque do Braga criou alguns problemas à marcação individual do Ferencváros. Qual foi a razão deste fator ser mais evidente na segunda mão e o que tem a dizer sobre a qualidade individual do ataque bracarense?

Robbie Keane: Antes de mais, parabéns ao Braga, é uma equipa muito boa, com um bom treinador, um tipo porreiro. Os três (primeiros) golos são três erros, deixámo-los em jogo. Três erros claros que deram golo, três golos evitáveis, para ser sincero. Sabíamos que ia ser uma tarefa difícil, contra uma grande equipa, mas, como acabei de dizer aos jogadores, ninguém acreditaria que estaríamos aqui agora. No balneário, disse que temos sempre de acreditar, mesmo apesar da diferença gigantesca de orçamento. Disse para ninguém ficar desapontado. Temos de olhar para a ‘big picture’. Os rapazes foram incríveis para chegar aqui. Seguimos em frente. Estabelecemos um padrão e temos de o manter agora. Estou orgulhoso do que eles fizeram.

Quem lhe saltou mais à vista no plantel do Braga?

Robbie Keane: Todos. É errado dizer só um, eles têm uma grande equipa em todas as posições. São uma equipa de topo, guardaram bem a bola, todas as equipas portuguesas contra quem joguei são muito calmas em posse. Mesmo quando joguei com a seleção. Eles preferem a componente técnica aqui, como em Espanha. Fiquei impressionado ainda no primeiro jogo, para ser sincero.

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