O inevitável aconteceu: Mo Salah não vai renovar com o Liverpool. O anúncio, feito pelo próprio na conta de Instagram, levou todos os adeptos do Liverpool às lágrimas. E não tinha como ser diferente.
Salah esteve nove épocas ao serviço dos Reds e fez parte dos anos dourados do clube inglês, cravando o nome não só no marcador, como também no coração de todos os scousers. E a razão vai bem mais além dos golos. Salah chegou ao Liverpool depois de passar pelo Chelsea, onde não foi muito feliz, e seguir caminho para Itália, onde começou a demonstrar verdadeiramente o seu valor. Não demorou muito até Jürgen Klopp reconhecer que era este o avançado que fazia falta ao lado de Firmino, e a odisseia nos reds começou.
Durante quase 10 anos não se falava do Liverpool sem se falar de Salah, e vice-versa. Foi criada uma ligação que transcendia o futebol e elevou, ainda mais, o nome dos Reds não só no patamar inglês, como também europeu. Além de fazer parte da equipa na conquista do título da Premier League por duas vezes, esteve lá quando foi o emblema do Liverbird a levantar o troféu mais desejado por qualquer clube europeu: o da Champions.
Portanto, não há como não associar um nome ao outro. E esta despedida, embora expectável por conflitos recentes com o treinador e pouco espaço na linha da frente de Arne Slot, chegou como um murro no estômago. O anúncio resume bem a ligação que havia, e vai continuar a haver entre o jogador e o clube. Durante anos Liverpool, clube e cidade, foram a casa de Mo Salah e o amor era tão recíproco que as músicas escritas para o camisola 11 ecoavam em cada canto da cidade pitoresca no Norte do Inglaterra, e provavelmente até a família real sabia quem era este jogador.
Do Egipto até Inglaterra, não se podem poupar as palavras de agradecimento pela quantidade de vezes que se gritou “golo” por Salah, não só por ser ele a colocar a bola no fundo das redes, como no pénalti no final da Champions, mas também por ajudar os colegas a realizar o maior objetivo do futebol. Salah foi um dos melhores jogadores que passou pelo Liverpool, e será sempre uma lenda escrita na história do clube. Que se ergue uma estátua por ele e por Diogo Jota, e que os adeptos tenham sempre um sítio especial onde honrar estes dois grandes nomes.
“Dizer adeus nunca é fácil”, disse o egípcio no vídeo, e para todos os que acompanham o clube, em Inglaterra e no mundo, nunca será fácil ver Mo vestido com outras cores que não o vermelho, verde, branco e amarelo do Liverpool. Acredito que o sentimento entre os adeptos neste momento será de tristeza, melancolia, saudades antecipadas e memórias infinitas. Não há espaço para zangas com alguém que deu, literalmente, tudo pelo nosso clube. Os scousers são de coração aberto e abraço apertado, e tenho a certeza que será assim que vão apoiar Mo Salah até ao fim da época.
A ti, Egyptian King, deixo o meu agradecimento pessoal por me teres dado tantas alegrias com o clube pelo qual tenho mais carinho na Premier. Por demonstrares o que é o verdadeiro amor à camisola, por nunca teres desistido, por saberes que tinhas os adeptos ao teu lado em todos os momentos e lhes reconheceres o apoio, mesmo os que, como eu, nunca te puderam ver jogar em Anfield. Serás sempre parte da história, e, independentemente para onde chutares a bola agora, sabe que terás milhões a apoiar-te e a receber-te sempre com amor nas bancadas.
Ver-te jogar é como relembrar onde começou o amor ao futebol, é adrenalina, paixão, é gritar para um ecrã e celebrar cada conquista como se fosse nossa também. Há jogadores que marcam gerações e clubes, e tu marcaste os dois.
You’ll (literally) never walk alone. Obrigada por tudo, Mohamed Salah.

