FC Porto | Os Aliados ali tão perto

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Há campeões que encantam. E depois há campeões que sabem sofrer, resistir… e ganhar. Este FC Porto enquadra-se mais na segunda definição. E é precisamente isso que o coloca, hoje, com o caminho aberto para o título.

Num campeonato onde muitas vezes se confunde espetáculo com consistência, a equipa orientada por Francesco Farioli construiu algo mais importante do que brilho momentâneo: uma identidade competitiva sólida, pragmática e eficaz.

E quando se chega a esta fase da época, é isso que decide os campeonatos. Havia dúvidas nos primeiros dois meses do ano. A equipa parecia estar a dar mostras de alguma quebra física, absolutamente natural face ao ritmo empregue por jogadores-chave nesta equipa portista, como o caso do dinamarquês Victor Froholdt, absolutamente determinante no esquema e modelo de jogo do técnico italiano.

Março apresentava um calendário exigente, com jogos de elevado grau de dificuldade e a necessidade de manter consistência num momento crítico da temporada.

O FC Porto não só respondeu, como saiu reforçado. E o FC Porto teve de afrontar este ciclo infernal de jogos com Deniz Gul e Terem Moffi como as suas opções atacantes, uma vez que para além da lesão prolongada Luuk de Jong, também Samu Omorodion contraiu uma lesão de igual gravidade, não podendo dar mais o seu contributo à equipa até ao fim da época.

Jogadores FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Não deslumbrou. Não venceu todos os jogos, mas manteve intactas todas as suas aspirações nas três frentes que ainda disputa: campeonato, taça e Liga Europa. Com segundas linhas, fez uma exibição bastante competente, saindo com uma derrota de 1-0 (resultado enganador) de Alvalade contra o Sporting, mas cujo resultado lhe abre legítimas esperanças de poder dar a volta na 2ª mão que irá ser realizada dentro de umas semanas no Estádio do Dragão.

Empatou uns dias depois no Estádio da Luz, num empate que soube a derrota devido ao facto de ter estado a vencer por 2-0 no terreno dos seus arqui–rivais, e podendo aumentar a distância para seis pontos na tabela classificativa em relação ao Sporting, que havia empatado no dia anterior em Braga.

Mas esse resultado não deixou mossa na equipa portista, que conseguiu gerir muito bem os momentos da eliminatória e beneficiou de uma exibição fantástica de Diogo Costa no jogo da segunda mão contra os alemães do Estugarda, e cumpriu de maneira bastante eficaz no seu compromisso para o campeonato, ganhando em casa por uns contundentes 3-0 ao Moreirense, uma das equipas sensações do campeonato.

Durante este mês, a equipa mostrou uma maturidade competitiva que raramente falha nas decisões finais. Farioli fez uma cuidada mas rigorosa gestão do seu grupo de trabalho (sendo bastante previsível nas suas substituições e no timing das mesmas na maior parte das vezes), que mostrou estar à altura das exigências e expectativas.

Sobreviveu ao mês mais duro da época com nota alta, e isso diz muito sobre no que esta equipa se tornou.

Com os jogos mais exigentes ultrapassados, o cenário que se apresenta é claro:
o calendário joga a favor do FC Porto. Nas próximas duas jornadas, recebe o Famalicão e depois desloca-se ao reduto do Estoril, sendo esses os seus jogos teoricamente mais difíceis perante equipas que se encontram em lugares confortáveis na tabela e com ainda algumas esperanças de conseguirem a histórica qualificação para as fases preliminares da Conference League.

São equipas que poderão causar problemas aos dragões, que terão vários jogadores a regressar da paragem para jogos de selecção (alguns envolvidos em jogos de capital importância para os seus países, como Deniz Gul, e o trio polaco Kiwior, Bednarek e Pietusewski, que jogam a sua presença no Mundial), e uma eliminatória bastante difícil com os ingleses do Nottingham Forest, comandados por Vítor Pereira, técnico português que regressa à casa onde se sagrou bicampeão nacional.

Kiwior e Bednarek FC Porto x Benfica
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Apesar de um grau de exigência considerável associado a esses jogos, esta equipa já mostrou competência e qualidade contra adversários de uma talha maior. No mês de março, o FC Porto foi a Alvalade, à Luz e à Pedreira em Braga, e saiu vivo de todos esses estádios contra equipas de qualidade superior ao Famalicão e ao Estoril.

E não querendo menosprezar Tondela, Estrela da Amadora, Alverca, AVS Sad e Santa Clara, ninguém acredita que os portistas possam ceder pontos perante estas equipas, apesar da única derrota da equipa de Farioli ter sido contra o Casa Pia, mas num momento da época totalmente distinto e sem o impacto dos reforços de Inverno, privados igualmente do melhor Froholdt. Agora, o contexto é radicalmente distinto.

A não inclusão de Oskar Pietuszewski (o melhor reforço do mercado de inverno portista) na lista de inscritos da Liga Europa e o regresso de Thiago Silva (que veio trazer muita experiência e maturidade a um plantel portista composto por jogadores pouco titulados), poderão revelar-se essenciais para que o FC Porto possa encarar esses dois jogos na liga doméstica com totais garantias de sucesso.

Num cenário onde os adversários diretos continuam sujeitos a confrontos complicados (o Sporting ainda irá receber o Benfica), os dragões surgem numa posição privilegiada, não apenas pelos pontos, mas pela estabilidade e pela forma como gerem os momentos do jogo.

Nesta fase, mais do que jogar bem, importa não falhar. E este quadro azul e branco tem sido, acima de tudo, uma equipa que falha pouco.

Jan Bednarek Francesco Farioli FC Porto
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Muito deste momento explica-se pelo trabalho de Francesco Farioli. Num processo de mudança e reconstrução, o técnico italiano conseguiu implementar uma ideia clara: uma equipa organizada, disciplinada, forte sem bola e extremamente competente na gestão dos diferentes momentos do jogo.

Não é uma equipa exuberante. Mas é uma equipa segura, madura e difícil de bater. E isso, num campeonato longo, vale mais do que qualquer exibição estética.

Mas este FC Porto não nasce apenas no banco. Há um processo que começou antes, pensado e estruturado, numa remodelação de plantel iniciada pelo saudoso e falecido Jorge Costa e consolidada pela liderança de André Villas-Boas.

Um projeto que procurou devolver identidade, critério e visão ao clube. E os resultados começam agora a ser visíveis. Se havia dúvidas, o mercado de inverno tratou de as dissipar. A chegada de Seko Fofana trouxe músculo, experiência e liderança ao meio-campo, e os necessários minutos de descanso para Froholdt.

Um jogador que equilibra, que impõe presença e que dá à equipa uma dimensão competitiva superior. Além disso, tem golo, sendo que os golos apontados foram em jogos de capital importância para a equipa portista: contra o Sporting em casa, e recentemente, marcando o golo da vitória em Braga, naquele que poderá ter sido o jogo do título.

Mas a maior surpresa tem nome próprio: Oskar Pietuszewski. Com apenas 17 anos, proveniente dos polacos do Jagiellonia. E já titular indiscutível. Uma ascensão meteórica no futebol nacional, e que já lhe valeu a sua primeira convocatória para a selecção polaca, podendo ser um dos grandes destaques do próximo Mundial, caso a Polónia se consiga qualificar.

O jovem polaco não entrou de caras no onze, mas afirmou-se num ápice. Com personalidade, qualidade técnica e uma maturidade pouco comum, tornou-se numa das figuras da equipa e numa das grandes revelações da temporada. 

Tem melhorado na tomada de decisão, e fica na retina a forma como “partiu os rins” a todo um campeão do mundo de seu nome Nico Otamendi em pleno Estádio da Luz. Um gesto técnico só ao alcance dos elegidos.

O avançado nigeriano Terem Moffi ainda revela falta de frescura física, mas já marcou alguns golos importantes, quer no campeonato, quer na Liga Europa. Mas o seu rendimento e peso na equipa são incomparáveis relativamente a Fofana e Pietuszewski.

Este FC Porto pode não encher o olho. Mas é uma equipa que sabe sofrer, que concede pouco, que defende com rigor e que aproveita os momentos certos para decidir jogos, e que encarna a mística que sempre caracterizou as equipas portistas. Num campeonato onde muitos perdem pontos por excesso de risco ou inconsistência, os dragões têm-se pautado exatamente pelo contrário: minimizam erros e maximizam rendimento.

Jogadores FC Porto
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

E isso é, muitas vezes, a fórmula do sucesso. O título não está ganho. Mas está, claramente, ao alcance. E tem um mérito infinito tudo aquilo que a equipa tem feito este ano.

Com o caminho aberto, com a equipa estabilizada e com um calendário favorável, o FC Porto entra na reta final numa posição privilegiada.

Não precisa de ser brilhante. Precisa apenas de continuar a ser aquilo que tem sido. Sólida. Competente. E eficaz. E se assim continuar… os festejos nos Aliados começam mesmo a ficar ali tão perto.

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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