Paulo Bento falou aos jornalistas, à margem do Fórum da Associação Nacional de Treinadores de Futebol 2026, que se realiza entre os dias 30 e 31 de março.
Paulo Bento falou aos jornalistas, à margem da Associação Nacional de Treinadores de Futebol 2026, que se realiza no Palácio de Congressos do Algarve. O técnico salientou o crescimento do treinador português no mercado:
«Está mais do que comprovado. Tenho ideia de que não seremos os únicos. Tivemos treinadores que nos abriram as portas no mundo. Falamos do José Mourinho, mas também do Manuel José, Jesualdo Ferreira e muitos mais. Isso está a comprovar a qualidade do treinador português. Treinador de português deixou de estar na moda? Não creio, não nos vão contratar, pelo menos não devem, não devem contratar por estar na moda. Já sabemos que nos contratam porque nos reconhecem qualidade».
Paulo Bento, que foi também selecionador nacional, deixou as suas perspetivas sobre a possível campanha da equipa das quinas na competição:
«Portugal no Mundial 2026? Tenho pouco conhecimento, do que é mais visível. A história do favoritismo não é um fator que nos leva a ganhar ou a não ganhar. Quando estava no cargo de selecionador, geria da maneira que achava que tinha de gerir. A questão de carregarmos com o fardo do candidato e favorito, é algo que temos de encarar com naturalidade. Não vou colocar essa pressão no selecionador atual, não o faço. Tenho o respeito tremendo e admiração pelo trabalho que está a desenvolver. Não só pela conquista da Liga das Nações, mas pelo seu comportamento deste tempo que está em Portugal. Portugal, se não tem a melhor geração de jogadores no binómio qualidade-quantidade, uma das melhores. Muita qualidade nos diversos setores da equipa, com jogadores nas melhores equipas europeias. Isso são fatores a ter em conta. Há outras equipas que podem também ser consideradas favoritas. As mais candidatas acabam por ser as que mais ganharam».
Paulo Bento assumiu também que jogar bem dará jeito para vencer no Mundial 2026:
«Jogar melhor dá jeito. Quanto melhor jogarmos, mais perto estamos de ganhar. Há diversas formas de jogar bem. Sou admirador do futebol com mais posse, mas há outras formas para ganhar. Duas das melhores equipas da Europa e do Mundo, como o City e o Liverpool, e jogavam de formas diferentes. Também é preciso pontinha de sorte nas competições mais curtas… E no momento exato».
O treinador de 56 anos falou da evolução do Sporting após ter deixado o cargo:
«Sporting? Não foi uma mudança imediata. Após 2009, essa mudança não foi tão evidente. Houve alguma instabilidade no cargo, infelizmente para o clube e para quem esteve. Até que depois houve um momento de viragem: a chegada do Ruben [Amorim], antes o Hugo Viana. O triângulo com o presidente que se criou e estabilizou o clube. O facto de ter ganho, mas num contexto, que não tira mérito nenhum ao Sporting, mas que foi benéfico para o clube. A possibilidade que o Ruben Amorim teve para perder. A mim deram-me mais possibilidades, que perdi quatro vezes. E há outra coisa, por muito que queiram denegrir e que trouxe justiça ao futebol: ajudou o que estava fora do grupo e trouxe o Sporting para um patamar de igualdade com Benfica e FC Porto: foi o VAR, que muita gente critica, mas tem de ser enaltecido. Outra coisa é que nem pela televisão consigam arbitrar um jogo, isso é outra coisa e diferente. Mas que o VAR trouxe justiça e bem ao futebol, não há dúvida nenhuma».
Paulo Bento elogiou ainda a campanha do Sporting na Champions League:
«Campanha extraordinária, não há como dizê-lo de outra maneira: há um primeiro momento por estar nos oito primeiros classificados, que no ano passado até já estaria bem encaminhado, até à saída do Ruben. E, neste ano, a questão do sorteio que não deixa de ser importante. O fator campo tem uma influência tremenda. Campanha do Sporting é extraordinária com mérito da estrutura, treinador e jogadores. Agora, pode acontecer tudo, mas creio eu que se dissermos quem é o favorito a passar? É o Arsenal. Desejo muito que seja o Sporting, mas o Arsenal é favorito».

