Um golo, três pontos, Sevilha no horizonte| Braga 1-0 Arouca

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O SC Braga venceu o FC Arouca por 1-0, num jogo que disse tanto sobre o presente… como sobre o que vem a seguir. O Braga entrou com bola, como habitualmente. Mas sem urgência.  Com sete alterações no onze em respeito ao jogo contra o Bétis (a cabeça de Carlos Vicens já está em Sevilha onde discutirá com a equipa espanhola um lugar nas meias-finais da Liga Europa), o Braga apresentou-se mais preocupado em controlar do que em acelerar.

A consequência disso foi uma primeira parte morna. O habitual jogo rendilhado e de posse de bola, circulação paciente, mas pouca profundidade. Do outro lado, um Arouca compacto, disciplinado e confortável num bloco baixo, à espera do erro ou do momento.

O primeiro remate da partida foi, aliás, dos visitantes, Lee Hyun-Ju tentou de longe, sem perigo. E isso resume bem o que foram os primeiros 45 minutos.Pouco risco. Pouca intensidade. Pouco jogo de ambos conjuntos. O golo anulado a Ricardo Horta (31’) depois de uma excelente incursão pela esquerda de Leonardo Lelo (um dos jogadores menos utilizados que aproveitou o voto de confiança que o seu treinador lhe deu), foi o único momento que quebrou a monotonia. Mas nem isso alterou o rumo da partida. O 0-0 ao intervalo não surpreendia ninguém.

Para a segunda parte, Carlos Vicens lançou Paulo Oliveira para o lugar de Vítor Carvalho, um médio que foi adaptado a central neste jogo, devido às ausências prolongadas de Sikou Niakate por lesão e igualmente do central internacional sueco Gustaf Lagerbielke, que cumpriu um jogo de suspensão. A segunda parte trouxe um Braga mais ligado. Ainda que sem grande brilho, mas com mais intenção.E foi do banco que veio a diferença.

Carlos Vicens mexeu na equipa, lançou Pau Víctor e o jogo mudou. Aos 65’, com apenas dois minutos em campo, o avançado espanhol aproveitou uma descoordenação defensiva do Arouca após cruzamento de Tiknaz e fez o que o jogo pedia desde o início: decidiu. Frio, simples, eficaz. Um golo que valeu mais do que parecia. Golo com dedicatória especial de Pau Victor para Niakaté, que rompeu totalmente o tendão de Aquiles no jogo contra o Bétis, e que falhará o resto da época.

A partir daí, o jogo ganhou outro tom. O Arouca subiu as suas linhas.  E o Braga recuou. Sem criar grande perigo em jogo corrido, a equipa de Vasco Seabra encontrou uma oportunidade clara… num erro evitável.

Gabri Martínez, com pouco mais de vinte minutos em campo, cometeu uma falta completamente desnecessária sobre Lee Hyun-Ju dentro da área. Penalti. Segundo amarelo e consequente expulsão. Um momento que podia mudar tudo. Mas não mudou. Chamado à conversão da grande penalidade, Ivan Barbero acertou na barra. E o destino do jogo ficou praticamente decidido naquele momento. 

O Arouca carregou nos minutos finais, com bolas paradas, cruzamentos, pressão constante. Chegou perto, muito perto, do empate aos 95 minutos, mas Paulo Oliveira apareceu com um corte decisivo quando Barbero já se preparava para finalizar.

Com menos um, o Braga teve de sofrer. E sofreu. Foi o último suspiro. E o momento que selou o jogo. Uma vitória que diz mais do que o resultado. O Braga não foi brilhante, longe disso. Não encantou. Mas ganhou. E isso, nesta fase, pode ser tudo. Mantém-se firme no quarto lugar da tabela classificativa, com um jogo em atraso e com a sensação de missão cumprida antes de um desafio muito maior.

Porque este jogo nunca foi só este jogo. Foi também gestão. Foi também o contexto.  Foi também em Sevilha. Foi mais uma partida para cumprir calendário e ir com boas sensações para um jogo capital por parte do quadro minhoto, o que é absolutamente compreensível, mas terá sido penoso para os mais de 10 mil adeptos presentes numa tarde/noite bastante fria na Pedreira.

Há vitórias que se constroem. Outras que se arrancam. Esta foi arrancada. Com pouco espetáculo, mas com eficácia. Com sofrimento, mas com maturidade.  E, acima de tudo, com um olho já no próximo palco. Porque, agora, o jogo joga-se noutro nível, e Sevilha já está no horizonte.

O Bola Rede esteve presente no Estádio Municipal de Braga e teve a oportunidade de colocar uma questão a ambos treinadores.

Bola na Rede: A sua equipa pareceu ter sempre muitas dificuldades em sair com critério para o ataque, principalmente na etapa inicial. O que sente que faltou para conseguir ser mais acutilante nessa zona de campo durante a primeira parte, dado que o Braga imprimiu um ritmo de jogo mais lento do que o habitual?

Vasco Seabra:  O Braga não costuma impor um ritmo de jogo mais rápido do que foi apresentado hoje. O Braga tem um ritmo pausado, com muitos jogadores por dentro e sempre com a largura máxima. Procura aglomerar muitos jogadores à volta da zona onde estão os jogadores, e isso diminui o ritmo do seu jogo. Creio que a nossa equipa fez um extraordinário mas muito difícil trabalho, onde se desgastou bastante durante a primeira parte. É muito complicado tirar a bola a este Braga. Nesse momento na primeira parte quando ganhávamos a bola, não estávamos com frescura suficiente para conseguirmos retirá-la da zona de pressão. Nunca conseguimos montar o nosso jogo posicional e sair da pressão do Braga, mas na segunda parte já fomos mais capazes, porque conseguimos roubar mais cedo um bocadinho. Os nossos médios foram mais audazes na pressão aos médios do Braga, que é a equipa com mais posse de bola no nosso campeonato. Na primeira parte, não estivemos tão bem nesse momento do jogo, na segunda parte estivemos bem melhores e conseguimos equilibrar o jogo.

Bola na Rede: O Leonardo Lelo não é um dos habituais titulares da sua equipa, mas fez uma hora de jogo bastante interessante com os seus movimentos à profundidade e a associar-se muito bem com o Ricardo Horta. Como avalia a sua prestação?

Carlos Vicens: Sabíamos que íamos precisar da sua largura e capacidade de atacar a profundidade perante um bloco tão baixo como o do Arouca. O seu trabalho foi muito importante para receber a bola e procurar espaço para ferir o adversário. Podia ter estado mais preciso em algumas tomadas de decisão, mas estou muito satisfeito com a sua prestação e com o Lelo ao longo de toda a época. Cumpre tudo o que lhe peço, é um jogador muito sério e disciplinado. 

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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