Rui Borges em conferência de imprensa após eliminação do Sporting da Champions League: «Merecíamos pelo menos o prolongamento»

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Rui Borges falou sobre vários temas em conferência de imprensa. Sporting eliminado pelo Arsenal da Champions League.

Rui Borges esteve presente em conferência de imprensa após o Sporting ser eliminado pelo Arsenal nos quartos de final da Champions League. Depois de uma partida disputada no Estádio Emirates e terminada 0-0, o técnico dos leões começou por dizer o seguinte:

«A palavra orgulho é a certa. Os jogadores, pelo que fizeram nos dois jogos, mereciam mais. Merecíamos pelo menos o prolongamento. As melhores oportunidades são do Sporting. Foi fantástico o carácter da equipa. A palavra orgulho é certa. Qualidade que a equipa tem demonstrado em toda a época, não só hoje. Com mais impacto porque foi na Champions, mas também somos os melhores».

«Aguentar o 0-0 era objetivo? Não podíamos ir na emoção do extra-campo. Ao mínimo espaço deixávamos a eliminatória fugir e não adiantava nada. Em termos estratégicos, equipa fantástica. O Arsenal não criou assim tantas oportunidades, nem hoje nem em Alvalade. Não queríamos deixar partir o jogo, é uma equipa que com espaço cria jogo. Queríamos instalar no meio-campo, é uma equipa desconfortável sem bola. Queríamos ataques organizados com tempo para desgastar o Arsenal e ter bola. O Sporting é uma equipa que gosta de ter bola, jogo ofensivo e de posse e hoje não fugimos a isso. Orgulha-me muito».

«Penálti sobre Maxi Araújo? Esses lances não falo, é desvalorizar a nossa capacidade no jogo».

«Mais ambicioso no jogo? Fomos muito ambiciosos nos dois jogos, com as melhores oportunidades. Mostra a qualidade individual e coletiva. Ambição não faltou. Próximos jogos? Agora pensamos no próximo, é o Benfica. Recuperar, respirar e pensar com calma. O Benfica está mais fresco porque joga de semana a semana. A energia dos adeptos será importante, faço o apelo para estarem ao nível a quem têm estado, para defrontar o Benfica».

«Frustração? Não pode existir frustração nenhuma. Tem de existir orgulho pelo que foram capazes de fazer contra uma das melhores equipas da Europa. Recuperar e ficar prontos para o próximo jogo. Se queremos estar entre os melhores da Europa, temos de perceber que esta energia é de três em três dias. Não podemos baixar o nosso nível, tem de ser este o nível. Tem de servir de motivação, de orgulho, nunca de frustração. A exigência individual e uns com os outros tem de estar lá. É isso que queremos e temos de demonstrar».

«Análise tática? Dificuldades com bola é simples. O Arsenal tem das melhores linhas defensivas da Europa, centrais fortíssimos no duelo e rápidos. Não somos fisicamente uma equipa forte em duelos, gostamos de ter bola e jogo apoiado. Não temos muito jogadores para transição. Batemo-nos com uma defesa fortíssima atleticamente, em velocidade. Era importante instalar, quebrar e ficar com bola, com ataques demorados. Não podíamos querer sempre acelerar. Queríamos instalar e arranjar o momento certo para entrar no bloco deles, mais do que a transição. Centrais rápidos e atléticos. Dois jogaços do Luis, não cansa só correr, mas levar com os duelos. São dois animais. A dificuldade foi por aí. Defensivos, não deixámos criar nada. Lá, o Odegaard levou a não termos tantos timings de pressão e criou superioridades que não nos criaram perigo. Tínhamos superioridade atrás e não tínhamos na frente. Hoje foi por aí, tentar puxar a pressão no lado direito para o Pote saltar a três. Era um corredor morto, porque acionando a pressão à direita, a bola não variava à esquerda. A variabilidade dos médios do Arsenal é tanta que em alguns momentos não dá para saltar. O Eze como 10 ficava longe, conseguiram ligar com ele, mas não criaram perigo. Equipa fantástica nesse aspeto».

«Campanhas na Europa? Não vivo de reconhecimento, mas do orgulho do que faço. Reconhecimento deixo para vocês e para quem está de fora. Não é isso que me faz tentar ser melhor e melhorar. Há oito anos estávamos a começar este caminho como treinadores, num sintético de Bragança no Campeonato de Portugal no Municipal de Vimioso. Hoje estamos aqui. Caminho fantástico e bonito. Orgulho do nosso trabalho, mais do que reconhecimento. Não ligo a isso, sou a mesma pessoa independentemente do que faça e do que ganhe. Sou humilde, tranquilo».

«Balanço? Muito positivo. De alguma forma, marcámos a história do Sporting. Olhar para as coisas de forma positiva, é o início de um sonho e de um crescimento que o Sporting tem vindo a fazer. Temos de conseguir manter o caminho e o crescimento. Tivemos a felicidade de olhar para o Sporting e para as equipas portuguesas de forma diferente. Mérito do Sporting, mas valoriza o nosso campeonato e as nossas equipas. Serviu para valorizar todos, mais ao Sporting que fez a caminhada, mas a todos nós portugueses e equipas portuguesas. Que seja um caminho crescente. Difícil, não temos as armas das grandes ligas europeias, mas conseguimos».

«Portugal na Europa? Não sei o que tem de mudar, mas o futebol português está bom. Temos de o valorizar. Braga e FC Porto fazem grandes campanhas, valoriza-nos a todos e temos de continuar a valorizar. Sou português, orgulha-me que ganhem as equipas portuguesas. Somos um país pequeno, mas podemos bater-nos com os maiores. É isso que demonstrámos. Valorizar o jogo, o futebol ali, o retângulo. Isso é que tem de ser valorizado».

«Pedro Gonçalves? Não sei. A minha opinião é de que está bem, fez um bom jogo, a equipa sentiu-se depois de sair. Procura a melhor forma e a confiança, é um jogador importante. Deu bom contributo à equipa pelo que dá. Os números dele falam por ele e definem a importância que tem para o Sporting e para o grupo».

«O Peugeot é subjetivo e andou ao mesmo nível do Mercedes. Orgulho no que a equipa foi capaz de fazer. Grande jogo, merecíamos mais, mesmo no jogo de hoje. Não ligo a sorte e azar, a sorte dá muito trabalho. O Geny, a bola bate no poste e podia ter entrado. O futebol é sobre isso».

«Conversa com Mikel Arteta e Arsenal favorito? Desejei sorte para os desafios que têm em frente e para as meias-finais. Não há favoritos, qualquer uma é candidata a ganhar. É desfrutar dos jogos, é o que eu farei como pessoa que gosta de futebol. Queríamos muito estar nas melhores quatro, não conseguimos e ficamos nas melhores oito».

«Preparação da próxima época com saídas importantes e rumores? A próxima época não falo de nomes. Não faz sentido. Vão falar de muitos nomes e já começaram. Está ser preparada com tranquilidade e dedicação. A grandeza é o Sporting, não jogadores e treinador. O clube fica, continua grande e continuará grande. A próxima época está a ser preparada ao seu ritmo, com calma e dedicação. Queremos muito lutar pelo campeonato e Taça».

Diogo Lagos Reis
Diogo Lagos Reishttp://www.bolanarede.pt
Desde pequeno que o desporto lhe corre nas veias. Foi jogador de futsal, futebol e mais tarde tornou-se um dos poucos atletas de Futebol Freestyle, alcançando oficialmente o Top 8 de Portugal. Depois de ter estudado na Universidade Católica e tirado mestrado em Barcelona, o Diogo está a seguir uma carreira na área do jornalismo desportivo, sendo o futebol a sua verdadeira paixão.

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