«Esta nova geração de treinadores está aqui, fascina-me e gostava de estar envolvido nisso» – Entrevista Bola na Rede a João Nuno Fonseca

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João Nuno Fonseca falou em exclusivo com o Bola na Rede sobre a estreia como treinador principal no Leixões, a importância da criação de um projeto a longo prazo e o futebol no Médio Oriente.

Bola na Rede: Começando pela tua carreira, passaste por vários clubes enquanto Analista e Adjunto. Quão importante foram essas experiências para este novo passo como treinador principal?

João Nuno Fonseca: Muito importante. Eu gostava muito de jogar, mas a verdade é que rapidamente percebi que para entrar no futebol profissional de alto nível teria que ir ou pela área do treino, ou pela área do treino complementada com a área da análise do jogo. Porque eu vejo que a análise te permite interpretar o jogo de uma forma tremenda. E isso até aconteceu uma vez que, na altura, eu era presidente do núcleo de estudantes da FCDEF em Coimbra e convidei o André Villas Boas, que na altura era treinador da Académica, a ir dar uma aula aberta à FICDEF. Estávamos em conversa, e ele depois em off também me disse que a análise ia servir de base para muita coisa. Porque depois a forma como preparas um treino, a forma como tu planeias um determinado exercício, não quer dizer que planeias de acordo com aquilo que é o adversário, mas sim de acordo com aquilo que são as tuas convicções para a tua equipa. Mas se tu souberes interpretar os momentos do jogo, mais facilmente vais ser capaz de transmitir de forma simples aos jogadores. E tudo isto acabou por confluir, porque na altura eu era adjunto na formação da Académica, dos sub-19, e comecei depois também nesse ano a fazer análise e observação de adversários. Começou na altura com o Jorge Costa, o Pedro Emanuel, o prof. José Guilherme, o Luís Moraes, o Sérgio Conceição. Acabou por se juntar ali o bom de estar na formação enquanto treinador, e depois ao mesmo tempo, enquanto analista na equipa profissional. Tudo isto com a Académica na Primeira Liga. Depois há sempre uma evolução, acabo por sair para o Catar, num contexto completamente diferente daquilo que estava habituado em Portugal, e lá está, mais uma vez com um centro de alto rendimento onde tinha uma multiculturalidade brutal. Cruzo-me lá com o Farioli, que na altura era treinador de guarda-redes, na academia Aspire, no Catar. Portanto, tu consegues perceber que há várias formas de chegares a treinador principal. Tu nunca vais deixar de ser treinador, mesmo que sejas adjunto. Nunca vais deixar de ser treinador. Agora, a função, o rótulo, que de certa maneira te intitulam, é que acabas por ser treinador principal, tens de tomar decisões, e estás em tudo aquilo que é a tomada de decisão. Agora, a forma como tu chegas a tomar a decisão, todo o conhecimento, aquilo que eu sempre penso, é que tu nunca vais ter ninguém ao teu lado no banco para te dizer aquilo que tu queres fazer. Tens de ser tu a sentir. A tua intuição tem de te falar mais alto nestas questões. Portanto, todo o conhecimento que se consegue beber, e que eu consegui de certa maneira beber na altura, há 16 anos atrás, quando comecei no treino complementado com a análise, ajudou-me imenso. Hoje em dia, uma decisão numa fracção de segundo, uma intuição que tenho por algo que está a acontecer no jogo, acredito piamente que teve muito a ver com a influência que teve a análise na minha carreira.

Bola na Rede: Separando a parte tática e a parte relacional com os jogadores, que características pensas que te definem como treinador?

João Nuno Fonseca: Olha, eu acho que, sobretudo no futebol moderno, hoje em dia, muitos treinadores abdicam de ser. Acho que, cada vez mais, vês treinadores que gostam de estar empregados. O facto de estar empregado não te pode retirar aquilo que é o saber estar no futebol, a forma como tu vais beber conhecimento, a forma como tu vais querer progredir na tua carreira. Agora, há características nos treinadores que depois vão fazer com que os jogadores percebam um jogo melhor, ou não, perante aquilo que tu queres e que tu tens à tua frente. Eu acho cada vez mais que estás a mecanizar muito determinadas coisas no futebol. Quando eu acho que as coisas são sempre complementares. Tu não consegues dissociar a relação. Vamos passar um bocadinho ao antigo. Quando nós jogávamos à bola no campo, no bairro, etc., não interessa. Se eu estivesse com os melhores, ou se eu estivesse com um jogador melhor do que eu, eu ia me sentir melhor. Portanto, esta complementariedade é fundamental. E aí entra a capacidade do treinador intuir naquilo que é. Este jogador, complementado com este, vai me dar aquilo que eu pretendo para o meu jogar.
E portanto, as qualidades de perceção do jogo, de perceber aquilo que nós queremos efetivamente extrair dos jogadores, leva ao seu tempo. Porque não é de um dia para o outro que tu vais conseguir implementar uma determinada metodologia. O resultado traz confiança, sem dúvida. Eu recordo-me que quando começamos a época no Leixões, se calhar, tive momentos em que era mais defensivo do que aquilo que eu queria. Mas porquê? Porque eu considero que tu teres pontos e ganhares pontos traz-te a confiança para depois ter bola. Portanto, há aqui este balanceamento que tem de ser feito sempre, quando estamos em fase de perceção do que é o momento no clube.

João Nuno Fonseca, Leixões
Fonte: Leixões

«Considero que tu teres pontos e ganhares pontos traz-te a confiança para depois ter bola»

Bola na Rede: Mas, imaginando que tinhas ficado o ano inteiro no clube, como é que vias o Leixões a jogar à tua maneira? Que princípios é que achas que estariam implementados no fim do ano para a equipa jogar exatamente da forma como tu gostarias que jogasse?

João Nuno Fonseca: Um Leixões dominador. Um Leixões dominador naquilo que são os processos com e sem bola. Já estávamos a ser dominadores naquilo que era a pressão alta, naquilo que era o facto de estarmos a defender em bloco. Ok, sofremos ali golos que não devíamos ter sofrido. Eu recordo-me um jogo com o Vizela, que tivemos dois golos sofridos quando estávamos completamente por cima do jogo. E isto a jogar em Vizela, um candidato neste momento a subida. Eu via o processo da equipa Leixões que nós estávamos a construir, um processo de domínio de todos os momentos do jogo. E quando digo isto é, eu queria uma equipa não a jogar para pressionar, mas a pressionar para jogar. Pressionar para ter bola o mais alto possível no terreno e recuperar e entrar dentro da baliza adversária. O facto de gostar e nós explorarmos isso e termos trabalhado isso de, a partir do guarda-redes, termos o controlo do jogo, naquilo que é um pontapé de baliza, naquilo que é atrair o adversário à nossa área para depois encontrarmos os espaços entre as linhas para progredirmos no campo. Tudo isto faz parte de um processo que tu não constróis do dia para a noite. Não consegues construir do dia para a noite. Agora, tens é a condicionante que tens os adeptos que querem a subida da divisão. Tens os adeptos que sonham há 14 anos com o Leixões de volta à Primeira Liga. Essa ânsia misturada com frustração, porque são tantos anos a perder, que será que tu ganhas o primeiro jogo 3-0 e já é sinónimo de que vais subir? Foi o que acabou por acontecer. Fizemos um jogo extremamente competente na primeira jornada, ganhamos 3-0. Fomos ao Benfica empatar 1-1 nos últimos minutos, o Benfica marca de canto. Depois ganhamos 3-2. E, portanto, tudo isto cria uma expectativa muito grande. Agora, há que saber dosear esta expectativa. E esta expectativa só é doseada quando toda a gente está consciente daquilo que é possível de fazer. Agora, eu sou apologista que numa Segunda Liga não se pode criar uma expectativa desmedida para aquilo que é a realidade do clube. Tu tens um Leixões que se reestruturou naquilo que foi os departamentos, naquilo que foi a entrada dos investidores, houve uma reestruturação profunda no clube. Essa reestruturação, tu só consegues que uma casa seja eficiente quando dás tempo para as coisas começarem a funcionar entre elas. Não me permitiram que isso acontecesse. Decidiram tomar essa decisão. Somos humanos, as pessoas têm diferentes visões e acabo por sair numa altura em que estávamos a seis pontos de subida e hoje em dia tu vês as equipas que estão para subir divisão e a diferença é extremamente competitiva. Não há muito para onde se fugir nisso.

Bola na Rede: Pensas que essa foi a principal razão de teres deixado o Leixões? A pressão acumulada por todos esses fatores internos e externos diferentes?

João Nuno Fonseca: Não tenho dúvidas. Não tenho dúvidas. Há uma ânsia muito grande de várias entidades, seja a adeptos, seja a direção, de querer efetivamente ser uma equipa que vai lutar para subir divisão.
Mas para seres uma equipa que vai lutar para subir divisão, precisas ter as fundações bem solidificadas. Tu não consegues, do dia para a noite, mudar uma casa e dizer assim, esta casa agora é eficiente. Não consegues. Por muito que queiras. Vê o Arteta no Arsenal. O que o Arsenal era após Wenger e o que é o Arsenal após a entrada do Arteta. Há aqui um espaço de tempo que tu tens que saber ser coerente. Certo. Quando não és coerente, andam em oscilações. O culpado será sempre o treinador. Nunca há outra hipótese. O treinador saiu, passado um mês saíram diretores. E aconteceu isso comigo. O treinador saiu e depois saíram diretores. Isto tem sempre assim. Eu respeito muito as pessoas e agradeço muita oportunidade na altura que me deram. Agora, se precisava de mais tempo, completamente. Toda a gente sentiu isso, se tu perguntares hoje aos jogadores, eles respondem-te.Mas eu já o disse em outras entrevistas. O adepto leixonense vive com o coração na boca. Quando tu vives com o coração na boca, muito facilmente criticas sem conhecer. Sonhas sem perceber efetivamente o que é que existe na realidade. Eu para sonhar e eu para fazer crer aos adeptos que é possível uma subida de divisão, eu podia tê-lo dito na primeira conferência que fiz. Não o disse e sempre disse uma coisa: Nós vamos jogo após jogo construindo a nossa maratona. Agora, o facto de termos ganho 3-0 na primeira jornada criou um impacto nas pessoas. E isso fez com que nós andássemos nesta criação de expectativa que foi depois catapultada para: ‘Epá, já estamos cá em baixo na classificação, temos que mudar’. E estávamos a seis pontos da subida, e com as eliminatórias ganhas na Taça de Portugal. Há uma série de fatores. Repara, eu termino 4 jogos em 10 com menos um jogador. Há coisas que tu não consegues controlar. Eu digo sempre, nós conseguimos controlar aquilo que é a nossa equipa. Os fatores externos, alguém que está a arbitrar um jogo, não consegues controlar isso. Controla os teus jogadores, controla aquilo que é possível fazer. Eu tive um jogador que entra no Feirense, o (Morufdeen) Moshood, na segunda parte, ao minuto 60. Ao minuto 62 já estava fora com o duplo do cartão amarelo. E estávamos na quarta jornada. Uma quarta jornada nos punha já com pontos separados para o segundo lugar. Portanto, é tudo muito rápido no futebol.

João Nuno Fonseca Leixões
Fonte: Leixões

Bola na Rede: Percebendo que isso é uma realidade e que tudo é muito rápido no futebol e que há cada vez mais essa falta de paciência com os treinadores, achas que podias ter feito alguma coisa diferente nesses quatro meses que estiveste no Leixões?

João Nuno Fonseca: Sim, tu aprendes… Houveram momentos, agora com reflexão minha, sobretudo naquilo que é a vinda de determinados jogadores, a forma como houve um planeamento curto daquilo que seria à época, porque a entrada dos investidores aconteceram ao mesmo tempo em que eu entrei também no clube. Portanto, diferentes visões. Se calhar, obviamente, teria tomado outro tipo de decisão nesse aspecto em concreto. Eu acho que todos nós aprendemos com isto que acaba por acontecer. Eu aprendi bastante com esta experiência. Acho que me tornei um treinador mais consciente face àquilo que é a dimensão de um clube como o Leixões. Com uma massa associativa muito grande, muito aguerrida, muito a querer. Eu dou-te um exemplo concreto. Eu gosto de um guarda-redes que tenha protagonismo numa organização ofensiva. E quando tu vês um lateral a jogar para o central e o central a jogar para o guarda-redes, no Estádio do Mar, isso é sinónimo de assobios, porque estás a jogar para trás. Portanto, isso se calhar era algo que para mim foi uma aprendizagem. Para mim foi, e mesmo essa ânsia dos adeptos de querer, de querer, de querer, bola para a frente, bola nas costas, bola no espaço, bola longa. Muitas vezes, não é compreendida por parte dos adeptos. Porque eu também, como eles, quero ter sucesso e quero ganhar. Se eu entrasse no Leixões para perder, nem ia. Entrei com um objetivo, estava feliz no momento, mesmo no momento em que nós estávamos, quando saí, eu estava feliz. Estava feliz porque sabia que aquilo fazia parte daquilo que nós estávamos a construir. Agora, houve uma necessidade de mudança e eu tive que respeitar essa necessidade de mudança por parte da direção. Não sou mais do que ninguém para impedir que isso acontecesse. Agora, sem dúvida que havia muito para se fazer, mas muito mesmo, face àquilo que é a qualidade do plantel do Leixões.

«Acho que me tornei um treinador mais consciente face àquilo que é a dimensão de um clube como o Leixões».

Bola na Rede: Falando na qualidade do plantel, há algum jogador que treinaste no Leixões que consigas imaginar a jogar na Primeira Liga de uma forma consistente?

João Nuno Fonseca: Tem vários, vários. Vou dar um exemplo. O Lourenço (Henriques), faz uma época muito boa na Liga 3, no Varzim, e é a primeira opção no Leixões quando eu cheguei. Foi um jogador que cresceu muito e muito aberto a essa necessidade de querer perceber o que é o alto rendimento e acho que é um jogador que está preparadíssimo para isso. Tens um Cláudio Araújo, que é um jogador muito bom, que tem uma qualidade muito boa. Porquê? Porque é um jogador que te cria tempo para ter tempo. Ou seja, eu tenho jogadores que me criam tempo para os outros se moverem pelos espaços que eu quero, vai facilitar tudo o que isso acontece. Por isso é que agora vês o Amadu (Baldé) e o Cláudio juntos a jogarem no meio-campo no Leixões. Um complementa-se com o outro, e isso é muito positivo. O Amadu também teve um crescimento brutal. Nós estávamos a seguir o Amadu, na altura nos Sub-23, e eu faço a estreia dele na equipa principal num jogo com a Naval, na primeira eliminatória que fazemos da Taça de Portugal. Ou seja, há esta necessidade de que tu percebes que estes jogadores têm um potencial muito grande e que te vão dar ao clube bastante. Tu consegues potenciá-los se eles compreenderem aquilo que é efetivamente a intenção para um determinado jogar. E acho que aí nesse ponto tens estes exemplos, tens o Serif (Nhaga) também, a irreverência que tem num corredor lateral, a forma como consegue expor a equipa ofensivamente, mas depois por outro lado tem que perceber que não é só para a frente, também é para trás. E para trás, muito bem solidificado este processo de crescimento em termos defensivos. Tens um Bica, que já esteve num contexto francês e que chega, e que está num contexto de Segunda Liga, mas é um jogador de Primeira. Portanto, tens aqui uma série de jogadores que, a meu ver, estariam muito facilmente numa Primeira Liga em Portugal.

Bola na Rede: Ligando a pressão intensa que pretendes ver nas tuas equipas, com o facto de teres cruzado até com o Farioli no Qatar, dirias que o FC Porto é o clube que reflete mais estes princípios que gostas de ver dentro de campo?

João Nuno Fonseca: Sim, tu tens um Porto neste momento que é muito competente nos vários momentos do jogo. Mas esse crescimento foi feito desde o início, ou seja, as pessoas falavam muito na questão do Porto em termos físicos, que era uma equipa que se calhar ia quebrar de rendimento. Eu vi sempre pelo lado de que houve um planeamento criterioso por parte da estrutura FC Porto naquilo que era a necessidade para a época, e depois foram cirúrgicos no mercado de inverno. Tu vais buscar um (Seko) Fofana e permite-te claramente ter uma segurança no meio-campo, que é o que segura tanto a parte da frente quanto a parte de trás da equipa, segura-te a equipa ali de uma forma muito boa. Ou seja, quando tens uma estrutura que te permita solidificar aquilo que é o teu jogar, que é a tua intenção para um determinado jogar, estás mais próximo de ganhar mais vezes, e isso faz toda a diferença. Para além de teres qualidade nos jogadores com que tens à tua disposição. Eu não posso querer um determinado jogar para a minha equipa se vir que não tenho jogadores capazes para o fazer. Portanto, tudo isso vai da interpretação do treinador e ser coerente com aquilo que tem à frente. Eu não vou pôr uma equipa que tem estado a perder maioritariamente das vezes nos últimos tempos, a querer ter protagonismo com a bola, quando a bola queima. Vamos tentar não sofrer tantos golos como estamos a sofrer. Vamos tentar ser compactos defensivamente. Tu vê o exemplo do Paços Ferreira de Paulo Fonseca na altura do FC Porto de Vítor Pereira. Paços Ferreira fechadinho, não sofria golos e chegou ao final em Paços a jogar um futebol de posse e de domínio perante o FC Porto. Portanto, isso é um exemplo claro daquilo que é possível-se fazer permitindo-te ter tempo.

João Nuno Fonseca, Leixões
Fonte: Leixões

Bola na Rede: Trabalhaste no Catar entre 2013 e 2017, antes do Boom de popularidade e desenvolvimento do futebol no Médio Oriente. O que tem achado desse crescimento e que memórias tem desse período?

João Nuno Fonseca: Olha, no Médio Oriente há muita paixão pelo futebol. E tu sentes isso não só no Qatar, mas também na Arábia Saudita. Vais à Arábia Saudita ver um jogo e nos bairros fala-se futebol, no Qatar menos, mas existe essa paixão. E portanto, houve uma necessidade de perceber que para chegares a um campeonato do mundo tens de ter uma seleção minimamente competitiva. E portanto, foi esse planeamento que foi feito na altura, 15 anos antes de eu entrar, por volta do ano 2000, 2002, quando começou a ser criada a Academia Aspire, com essa visão: para conseguirem um dia ter o campeonato do mundo no país. Mas para lá chegar depois iriam ter uma seleção com qualidade para representar o país. E para tu seres competitivo nisso, tens de criar bases, tens de criar uma estrutura, desde scouting, desde análise, desde performance, desde treino, há uma série de coisas que são planeadas atempadamente. e tu vês isso a acontecer neste momento, eles querem ser competitivo e tentar competir, não só na Ásia, mas depois no mundo inteiro com as equipas locais. E estão a fazer, hoje em dia, não vejo uma equipa, dou-te o exemplo, o Ulsan, onde eu estive, é uma equipa que neste momento não consegue competir com o Al Hilal, na Champions League Asiática. E isto era uma discussão que nós tínhamos internamente, porque a verdade é que o investimento que houve nessas equipas, nessas estruturas, na forma como estão a pensar, é completamente diferente de uma equipa que está na Coreia do Sul. E tudo isso impacta-te naquilo que é a perceção do jogo nesse mesmo país. Eu considero que tu estás mais próximo de vencer mais vezes se tiveres uma estrutura otimizada para performance. E uma estrutura otimizada, a ver, scouting, performance, análise, recuperação… Portanto tudo aquilo que engloba o jogador naquilo que é o treino-jogo-recuperação-treino-jogo-recuperação, tudo isso impacta na performance. Tu podes até ganhar 3 ou 4 jogos seguidos, mas não vais ganhar como o Al Hilal de Jorge Jesus acabou por conseguir. Portanto, isso é tudo é um processo que existiu, desde ganhar no campeonato, a ganhar na Champions League Asiática.
Portanto, este processo todo permitiu-os estar mais competitivos e vão estar cada vez mais. Não tenho dúvidas. Eu não tenho dúvidas nenhumas que a seleção da Arábia Saudita no Mundial que vai receber em 2034 vai chegar a ser uma seleção muito mais competitiva daquela seleção que nós temos a jogar contra a Argentina no Mundial do Catar, que já foi competitivo. Agora, é preciso também fazer com que os jogadores sauditas joguem na Liga Saudita, que é uma coisa que eu acho que acabou por haver um decréscimo O jogador saudita está com menos protagonismo numa Liga Saudita. Essa visão por parte da federação acredito que esteja a mudar para que continue a existir essa competitividade e essa capacidade do jogador saudita continuar a ser competente.

«Considero que tu estás mais próximo de vencer mais vezes se tiveres uma estrutura otimizada para performance»

Bola na Rede: Agora estás 100% comprometido a uma carreira como treinador principal? Ou ainda abres a porta a poder integrar uma equipa técnica como adjunto? E se pretendes continuar como treinador principal, que destinos é que tens debaixo de olho?

João Nuno Fonseca: Sim, eu acho que no futebol nós não conseguimos prover o dia de amanhã. Uma coisa é aquilo que nós temos como intenção, e eu tenho como intenção clara de prosseguir a carreira como treinador principal, porque gosto realmente de liderar equipas, pessoas, estruturas. Sinto-me com essa vocação também. Caso não o tivesse sentido, rapidamente teria expressado tudo isso. Há sempre uma linha de progressão, há sempre uma linha que me permite agora, se calhar com um bocadinho mais de critério, escolher melhor um projeto que me permita vencer já amanhã. Portanto, isso vai ser determinante, obviamente, naquilo que será o progresso da minha carreira enquanto treinador. Porque entrando com uma estrutura e com um clube que te permita esse tempo e permita ganhar mais vezes do que perder, é mais fácil de conseguires construir e alimentar essa carreira enquanto treinador principal, que é isso que eu pretendo. Estou aberto a qualquer desafio. Eu gostava muito de poder ser em Portugal, porque é o meu país e acabou por ser o país que eu decidi começar a carreira como treinador principal. Agora, como é óbvio, hoje em dia a fechar portas em qualquer sítio, é um erro. Eu sinto que tenho muito a dar àquilo que uma estrutura em Portugal, porque o facto de eu estar há muitos anos fora, de viver diferentes realidades, diferentes competições, culturas, em continentes diferentes e também, ao mesmo tempo, a capacidade que tenho de falar diferentes línguas, acho que acaba por se reunir aqui uma série de condições para que um clube veja isso como um investimento. Agora, há tantos treinadores no mercado, há tanta necessidade de entrar que a definição vai ser no detalhe. Lá está, ou te fecha portas e ficas cá dentro ou então abres portas e vais para fora e continuas a prosseguir a tua carreira fora. Se me perguntares o que é que eu quero, eu gostava muito que fosse em Portugal, na Primeira ou na Segunda Liga. Não havendo clareza nisso, terei que, obviamente, ir para fora com alguma tristeza, porque acho que este futebol e este país tem muito para dar e eu gostava de estar envolvido nisso. Porque esta nova geração de treinadores está aqui, está-se a viver neste momento e isso fascina-me e gostava de estar envolvido nisso, obviamente.

João Nuno Fonseca, Leixões
Fonte: Leixões

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