5 duelos intensos entre Dragões e Leões para a Taça

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A final da Taça no Jamor é uma das maiores tradições do futebol português e caminhada para a mesma é algo árduo, mas absolutamente único para todos os conjuntos que na história da Taça de Portugal o conseguiram.

Apesar da “prova rainha” do futebol lusitano estar cheio de duelos entre equipas “grandes” e “não grandes” que foram marcantes, nomeadamente quando se assistiu ao fenómeno “tomba gigantes”, maioritariamente os embates entre os principais emblemas arrastaram mais multidões, suscitaram mais paixões e criaram mais suspense na hora do árbitro apitar para o início da partida.

O FC Porto e o Sporting foram dois dos maiores protagonistas de eliminatórias e finais que ficaram para a história. Na história da Taça de Portugal, dragões e leões defrontaram-se por 44 vezes, 19 na casa dos portistas, 16 em terreno verde e branco e os restantes nove em campo neutro (finais e finalíssimas). Quanto a triunfos, apesar do equilíbrio, os portistas têm uma ligeira vantagem. Nos 44 jogos da Taça, o FC Porto venceu 17 clássicos (12 em casa, dois em Alvalade e três no Jamor), 13 terminaram empatados (e tiveram de ir a desempate) e nos restantes 14 foi o Sporting que saiu por cima (sete em casa, cinco na “Invicta” e dois no Jamor). No campo dos golos, o equilíbrio volta a verificar-se: 61 golos azuis e brancos e 56 leoninos em 44 jogos.

Aqui ficam cinco eliminatórias entre FC Porto e Sporting disputadas no século XXI que ficaram para a história pela sua intensidade e que permanecem na memória de muitos adeptos. Nesta quarta-feira a tradição e história continuam.

5. 

FC Porto 1-3 Sporting – 2014/15 – A terceira eliminatória da Taça de Portugal 2014/15 ditou um clássico no dragão entre FC Porto e Sporting, numa altura em que os dois emblemas já necessitavam de resultados positivos e manter-se na Taça de Portugal para evitar entrar numa aura de negatividade.

Os dragões comandados por Julen Lopetegui estavam invictos ainda no cômputo geral das competições, os dragões já tinham três empates consecutivos (Guimarães, Boavista em casa e Alvalade) na Liga que os tinham feito perder a liderança e ficar atrás do Benfica e vinham de um empate em Donesk (2-2) para a UEFA Champions League. Após vencer em casa o Braga para a Liga (2-1) era necessário eliminar o Sporting da Taça de Portugal para se manter numa sequência de resultados positivos.

Já o Sporting necessitava mais de resultados. Embora o futebol praticado fosse atrativo e se mantivesse invicto nas competições internas, já tinham perdido em casa com o Chelsea para a UEFA Champions League (0-1 em Alvalade) e contavam com cinco empates que faziam o leão atrasar-se muito na Liga (Coimbra, Luz e caseiros com Belenenses e FC Porto) e na competição europeia (Maribor). Uma eliminação da Taça de Portugal poderia ditar o início de uma época negativa para os verdes e brancos, logo era essencial vencer no Dragão.

Com o emblema portista entraram em campo: Andrés Fernández, Danilo, Maicon, Marcano, José Ángel, Casemiro, Héctor Herrera, Quintero, Adrián López, Óliver Torres e Jackson Martínez (C).

De verde e branco alinharam: Rui Patrício (C), Cédric Soares, Maurício, Paulo Oliveira, Jonathan Silva, William Carvalho, Adrien Silva, João Mário, Nani, Diego Capel e Fredy Montero.

Ao contrário do Sporting que se apresentava com os habituais titulares e na máxima força, o FC Porto surpreendeu ao apresentar metade do onze com jogadores não titulares, uma opção de Lopetegui que cedo começou a mostrar os efeitos. Apesar da equipa portista conseguir atacar e criar oportunidades de golo, a articulação entre os jogadores não era a melhor e oferecia aos homens de Marco Silva bastante espaço. Aos 31 minutos e após cruzamento de Jonathan Silva, Marcano (pressionado por Montero) desvia de forma infeliz para dentro da baliza e surpreende Andrés Fernández. Quatro minutos mais tarde, Quintero lança Jackson Martínez que vence no um contra um com Rui Patrício. No entanto, a esperança portista de chegar à vantagem não durou muito. Aos 39 minutos, após um infeliz passe para trás de Casemiro, Montero coloca em Nani que remata fora da área para o fundo das redes e leva o leão em vantagem para o intervalo.

Na segunda parte, o “filme” foi mais do mesmo.  Jackson falhou uma grande penalidade, permitindo a defesa a Rui Patrício. As oportunidades acumulavam-se para ambos os lados, até que aos 83 minutos a eliminatória ficaria sentenciada. No lado direto do ataque verde e branco, Slimani recebe de João Mário e tenta o remate que é impedido por Marcano, a bola sobra para Carrillo que empurra para uma baliza deserta. Após sete anos sem vencer no Dragão, o Sporting voltava a vencer no terreno do FC Porto.

Apesar de ter terminado a época em terceiro lugar na Liga, atrás dos dois rivais e ter caído cedo na Taça da Liga e UEFA Europa League, a equipa de Marco Silva chegaria à final da Taça de Portugal. Os leões eliminaram SC Espinho, FC Vizela, FC Famalicão e CD Nacional, até vencer no Jamor o Braga nas grandes penalidades (após 2-2 no fim do prolongamento) e vencer uma competição que fugia ao leão desde 2008. Já o FC Porto terminou a época sem qualquer conquista, finalizando a Liga na segunda posição, caindo nas meias-finais da Taça da Liga e fazendo uma interessante prestação na UEFA Champions League, caindo só nos quartos de final aos pés do Bayern de Munique (4-7 nas duas mãos).

4.

FC Porto 5-2 Sporting – 2009/10 – Cerca de um ano depois de se terem defrontado pela última vez para a Taça de Portugal, FC Porto e Sporting reencontravam-se na “prova rainha” e desta vez para os quartos de final, no Estádio do Dragão.

No princípio de fevereiro de 2010, os portistas ocupavam o terceiro lugar da Liga a seis pontos de distância dos líderes (Braga e Benfica), estavam na meia-final da Taça da Liga e iam defrontar o Arsenal nos oitavos de final da UEFA Champions League. A equipa de Jesualdo Ferreira embora estivesse em todas as frentes, o futebol da equipa era inconstante e vivia com algumas lacunas no plantel, fruto de algumas lesões, muitos jogos e o desfalque de Hulk (castigado desde dezembro pelo incidente no “Túnel da Luz”). Com o objetivo do pentacampeonato a revelar-se difícil, era fundamental manter-se nas outras competições a fim de procurar uma época positiva e conquistas, nomeadamente a Taça de Portugal.

Já do lado dos leões, o cenário era um pouco mais negativo. A equipa de Carlos Carvalhal depois de vir de uma sequência de sete vitórias consecutivas em jogos a contar para as três competições internas, perde em Braga para a Liga a e vê evaporar-se a última chance de ainda sonhar pelo primeiro lugar. No quarto lugar a 12 pontos da liderança, restava apostar nas outras competições e

De dragão ao peito foram titulares: Beto, Fucile, Rolando, Maicon, Álvaro Pereira, Fernando, Belluschi, Ruben Micael, Varela, Mariano González (C) e Falcao.

Pelos leões entraram em campo: Rui Patrício, João Pereira, Tonel, Daniel Carriço, Leandro Grimi, Adrien Silva, Miguel Veloso, João Moutinho (C), Izmailov, Liedson e Carlos Saleiro.

Aos 18 minutos, após canto de Belluschi e desvio de cabeça de Radamel Falcao, é Rolando quem empurra para o fundo da baliza. Quatro minutos mais tarde, Izmailov recebe uma bola do capitão João Moutinho e remate forte de meia distância sem hipótese para Beto. Contudo, o FC Porto continua por cima e pressiona, acabando por quase resolver a questão até ao fim da primeira parte. Aos 34 minutos, depois de Álvaro Pereira colocar a bola em Falcao, o avançado colombiano arranja espaço e remata com pé direito antes da meia-lua e faz o 2-1. Oito minutos mais tarde, Ruben Micael cruza e Falcao bisa de cabeça.

Na segunda parte, a equipa portista entrou determinada a ampliar a vantagem e os leões não conseguiram travar tais pretensões. Aos 48 minutos, Mariano González descobre Silvestre Varela à entrada da área sportinguista, que foge de Grimi e arranja espaço para o 4-1. Nove minutos mais tarde, o capitão argentino do FC Porto (Mariano) recebe a bola de Belluschi e a cerca de 26 metros da baliza faz o golo da noite, 5-1. Quando já estava tudo sentenciado e após um canto de Miguel Veloso afastado pela defensiva portista, Leandro Grimi cruza e Liedson faz o 5-2 aos 90 minutos. Um golo que até levou a alguns aplausos nas bancadas do Dragão.

O FC Porto acabaria vencedor da Taça de Portugal vencendo a final do Jamor ao GD Chaves por 2-1, golos de Guarín e Falcao. No entanto, falharia a conquista do Penta tendo ficado em terceiro lugar a oito pontos do campeão Benfica e a três do Braga segundo classificado. Além de ter perdido a final da Taça da Liga frente às águias por 0-3 no Algarve e ter sido eliminado da UEFA Champions League pelo Arsenal nos oitavos de final numa derrota pesada em Londres (0-5, 2-6 no conjunto das duas mãos). Numa época que ficara marcada para os portistas, pelo caso do “túnel da Luz” e o castigo a Hulk e Sapunaru. Já o Sporting terminava a época sem qualquer conquista, caiu nos oitavos de final da UEFA Europa League (aos pés do Atlético de Madrid de Quique Flores que venceria a prova) e em quarto lugar na Liga a 28 pontos do rival campeão.

3.

FC Porto 2-1 Sporting – 2000/01 – A época não estava a correr de feição a dragões e leões. Para o lado das Antas, a equipa de Fernando Santos já tinha sido eliminada das competições europeias pelo Liverpool (então Taça UEFA) e na Liga, encontrava-se em segundo lugar a seis pontos do líder (Boavista FC) e sem vencer fora para a competição há 4 meses. Antes da meia-final da Taça de Portugal contra o Sporting nas Antas, os dragões tinham jogado para a Liga com os leões no mesmo palco, num clássico que terminou empatado a duas bolas. Com a Liga a ficar mais difícil e com os protestos a fazerem-se ouvir, ser eliminado da Taça de Portugal por um rival poderia ser a gota de água.

Do lado do Sporting, as coisas não estavam melhores. A equipa então campeã nacional já não era comandada por Augusto Inácio, que saíra em dezembro e na viragem do ano passara a ter Manuel Fernandes (antigo jogador) como treinador. O histórico “Manel de Sarilhos” vindo de uma excelente primeira metade de época no Santa Clara, mantinha o Sporting com alguma hipótese de ainda sonhar com o bicampeonato, estava na meia-final da Taça de Portugal com o FC Porto e ainda tinha por disputar uma finalíssima da Supertaça em Coimbra, também contra os dragões. Após não conseguir vencer nas Antas para a Liga, sofrendo um empate ao cair do pano, a luta pela mesma estava mais difícil.

Logo, voltar ao terreno do dragão para a Taça três dias depois e vencer, era essencial para os leões ainda sonharem com uma época positiva. Pois se 1999/00 significou a conquista do campeonato 18 anos depois, 2000/01 significou turbulência e instabilidade com a mudança de direção, resultados menos positivos, saída de Inácio e “quase” vinda e depois não vinda de José Mourinho.

De azul e branco alinharam: Ovchinnikov, Secretário, Jorge Andrade, Ricardo Silva, Nélson, Carlos Paredes, Maric, Deco, Clayton, Folha e Capucho (C).

De leão ao peito entraram em campo: Peter Schmeichel, César Prates, Hugo, André Cruz, Rui Jorge, Beto, Paulo Bento, Pedro Barbosa (C), Rodrigo Fabri, João Vieira Pinto e Acosta.

O jogo foi equilibrado, mas o Sporting começou melhor. Os leões abriram o marcador por Beto aos 13 minutos. Capucho igualou 18 minutos mais tarde durante um período em que os portistas procuravam a resposta. Até ao fim dos 90 minutos, o resultado não se alteraria. No meio de duas coletividades que já se batiam contra o cansaço e intensidade para levar de vencida a eliminatória, seriam os azuis e brancos os mais felizes. O extremo portista e que envergava a braçadeira de capitão nesse dia, desempatou aos 100 minutos e colocou o dragão em vantagem. Os homens de Manuel Fernandes não conseguiram ir a tempo de desfazer a mesma e seriam os pupilos de Fernando Santos a irem à final do Jamor pelo segundo ano consecutivo.

O FC Porto terminara vencedor da Taça de Portugal pela segunda vez consecutiva (vencera em 1999/00 ao Sporting por 2-0), após derrotar o CS Marítimo no Jamor por 2-0, golos de Pena e Alenichev. No entanto, falhara a reconquista do campeonato, ficando a um escasso ponto do rival Boavista que conquista o inédito e único título de campeão nacional da sua história. Já o Sporting acaba por vencer apenas a Supertaça ao FC Porto em Coimbra por 1-0, golo de Acosta de grande penalidade. Na Liga, a equipa de Manuel Fernandes acabava em terceiro a 15 pontos do campeão Boavista e 14 do FC Porto.

2.

Sporting 1-1 FC Porto (4-5 g.p.) – 2008/09 – O sorteio da quarta eliminatória da Taça de Portugal 2008/09 ditou uma final antecipada e que seria precisamente o duelo da final da época anterior, desta vez não no Jamor, mas em Alvalade: Sporting x FC Porto. Um jogo que se antevia intenso entre um conjunto que procurava manter o troféu na sua posse (Sporting) e outro que procurava reconquistá-lo (FC Porto). No entanto, os dias que antecediam o encontro não eram felizes para ambas as equipas.

A equipa de Paulo Bento passava por um período de recomposição. Embora já tivesse vencido a Supertaça ao FC Porto no Algarve (2-0) e viesse de duas vitórias seguidas na UEFA Champions League (FC Basel por 2-0 e Shakhtar Donesk por 1-0), os leões já tinham perdido na Luz (0-2) e com o FC Porto em casa (1-2) para a Liga, ocupando o quarto lugar. Além de algumas ausências na equipa que se faziam notar (Vukcevic e Izmailov) nestes jogos e um futebol praticado que começava novamente a gerar descontentamento na massa associativa. Para reentrar num cenário favorável, era essencial para o Sporting manter-se na Taça de Portugal.

Já os dragões de Jesualdo Ferreira encontravam-se numa situação mais difícil. Além de já terem perdido a Supertaça para o Sporting, os portistas vinham de duas derrotas para a Liga (2-3 caseiro com o Leixões e 0-1 no terreno da Naval 1.º de Maio) que os atiravam para o sétimo lugar e as contas na UEFA Champions League estavam muito difíceis. Após perderem em Londres com o Arsenal por 0-4, falham em casa com Dynamo Kyiv (0-1). Depois da derrota na Figueira da Foz, o FC Porto procurou a reorganização, pois avizinhavam-se jogos decisivos. Veio uma vitória em Kiev (1-2) que deu oxigénio nas competições europeias e vinha um exame em Alvalade que ditava a continuação do dragão na “prova rainha” ou mais um resultado para o cenário negativo. Muita expetativa se gerava para o embate que ia por frente a frente o detentor da Taça de Portugal com o campeão nacional.

De leão ao peito entraram em campo: Rui Patrício, Abel, Caneira, Polga, Miguel Veloso, Rochemback, João Moutinho (C), Izmailov, Romagnoli, Liedson e Hélder Postiga.

De azul e branco alinharam: Helton, Fucile, Rolando, Bruno Alves, Pedro Emanuel (C), Fernando, Lucho González, Raul Meireles, Mariano González, Hulk e Lisandro López.

A primeira parte foi dominada pelo Sporting, com mais bola e oportunidades. Aos 29 minutos, a equipa de Paulo Bento colocou-se em vantagem. Após um cruzamento de Izmailov intercetado por Rolando, seguiu-se um corte infeliz de Fernando que eleva demasiado a bola para dentro da área portista e Liedson aproveita voando mais alto que Pedro Emanuel, surpreendendo Helton.

Na segunda parte, o FC Porto esteve mais por cima e conseguiu o empate aos 59 minutos. Após um canto da equipa leonina, Miguel Veloso cruza e Bruno Alves afasta com a cabeça, a bola vem direta para Hulk que faz um sprint de quase 40 metros sem ninguém o conseguir acompanhar e dispara sem hipótese para Rui Patrício. Até ao fim dos noventa minutos, além do resultado nunca se alterar, Marco Caneira e Pedro Emanuel seriam expulsos por acumulação de amarelos.

No prolongamento, o jogo esteve mais partido e sem domínio de qualquer uma das equipas e Hulk seria expulso aos 117 minutos após uma simulação num lance com Rui Patrício. Nas grandes penalidades, a sorte saiu aos homens de Jesualdo Ferreira, com Helton a defender o derradeiro penálti batido por Abel.

Os portistas acabariam por eliminar daí para a frente CD Cinfães, Leixões e Estrela da Amadora, até chegar à final do Jamor com o Paços de Ferreira e vencer por 1-0 (golo de Lisandro López). A época de consagração de Jesualdo Ferreira no Dragão acabou por juntar a Taça de Portugal à Liga Portuguesa, numa histórica “dobradinha” e uma excelente caminhada na UEFA Champions League até aos quartos de final, caindo só aos pés do Manchester United.

Já o Sporting terminaria a época em segundo lugar, cairia nos oitavos de final da UEFA Champions League frente ao Bayern Munique (1-12) e finalista vencido da Taça da Liga (perdendo para o Benfica nas grandes penalidades, após 1-1 em tempo regulamentar). A Supertaça vencida no início da época seria o único título da última época completa de Paulo Bento no Sporting.

1.

FC Porto 1-1 Sporting (5-4 g.p.) – 2005/06 – Em finais de março de 2006, o futebol nacional era dominado e disputado em tons de azul e verde. Estando FC Porto e Sporting fora das competições europeias desde a primeira metade da época (dragões saíram na fase de grupos da UEFA Champions League e os leões falharam o acesso à mesma competição e ainda caíram na primeira ronda da então Taça UEFA) e apenas o Benfica a brilhar nesse panorama (chegando aos quartos de final da UEFA Champions League caindo só aos pés do FC Barcelona que seria vencedor da prova), dragões e leões investiam tudo nas provas internas.

Comandado por Co Adriaanse, o FC Porto liderava o campeonato com dois pontos de vantagem do Sporting (segundo) e sete do Benfica (terceiro) e estava nas meias-finais da Taça de Portugal. Com um estilo cada vez mais consolidado de futebol ofensivo bem articulado, os azuis e brancos tinham a dobradinha na mira.

Já o Sporting entrara numa etapa de mais “tranquilidade” e regularidade com Paulo Bento no comando da equipa, após José Peseiro ter saído em outubro. A equipa leonina estava mais disciplinada, defendia bem e era consistente o suficiente em termos ofensivos ao ponto de ir em dez vitórias consecutivas para todas as competições desde finais de janeiro (em que vencera na Luz por 3-1 para a Liga), sofrendo apenas três golos em tal período. Estando a dois pontos da liderança, ainda com um clássico com o FC Porto a disputar em Alvalade, a Taça de Portugal ainda estava em disputa num duelo também com os azuis e brancos na meia-final, mas no estádio do Dragão. Após um começo turbulento de época, poder terminar a época com um troféu, ou melhor ainda, com uma dobradinha era um sonho para o conjunto de Paulo Bento. A época entrava na “hora H” e estava na hora das decisões, começando pela “prova rainha”.

Pelos portistas entraram em campo: Vítor Baía, Bosingwa, Pepe, Pedro Emanuel (C), Paulo Assunção, Lucho González, Raúl Meireles, Marek Cech, Quaresma, Benny McCarthy.

Com o emblema sportinguista foram titulares: Ricardo, Miguel Garcia, Tonel, Polga, Caneira, Custódio, Carlos Martins, João Moutinho, Sá Pinto (C), Liedson e Deivid.

O jogo foi extremamente equilibrado e intenso. Ambas as equipas criaram muitas oportunidades para marcar, ambas tiveram iniciativa de resolver o encontro o mais cedo possível e com os dois guarda-redes a serem chamados a intervir várias vezes. Tudo se manteve no nulo até ao minuto 18 do prolongamento.

Numa bola longa vinda do meio-campo leonino, Marek Cech desleixa-se no lado esquerdo da defesa portista e não se apercebe da presença de Nani, que rouba a bola e cruza para a área onde aparece Liedson, que foge à marcação de Pedro Emanuel e cabeceia sem hipótese para Vítor Baía. Sete minutos mais tarde e já sem Caneira em campo (expulsão), o FC Porto pressiona e após um cruzamento de trivela de Quaresma, Benny McCarthy voa mais alto que os defesas leoninos e cabeceia para o fundo das redes sem qualquer reação de Ricardo.

Bosingwa ainda seria expulso a dois minutos do fim, no entanto, o resultado não se alteraria e o desempate teria de resultar dos pontapés da marca de grande penalidade. Apenas uma não foi concretizada e logo a primeira. João Moutinho permite a defesa ao 99 do FC Porto e daí para a frente todas foram concretizadas (5-4).  

Após passar os leões nas grandes penalidades para a Taça de Portugal, semanas mais tarde os dragões venceriam em Alvalade por 1-0 com um golo de Jorginho e sentenciavam também a Liga. O FC Porto venceria a Liga de forma clara com sete pontos de vantagem e venceria a final do Jamor frente ao Vitória FC por 1-0, com um golo de cabeça de Adriano. Uma época muito bem conseguida por parte da turma azul e branca e a melhor da carreira do técnico Co Adriaanse.

O Sporting terminara a época sem troféus, mas o trabalho de Paulo Bento e dos seus pupilos fora premiado pela sua regularidade e terminava no segundo lugar, conquistando acesso direto à UEFA Champions League da época seguinte (algo que fugia desde 2000). Além de ficar a impressão que o trabalho do jovem técnico em Alvalade estava no início e prometia, acabando por ficar mais três épocas e meia, vencendo quatro troféus (duas Taças de Portugal e duas Supertaças).

Jorge Afonso
Jorge Afonso
O Jorge apaixonou-se pelo futebol num dérbi em Alvalade e nunca mais largou. Licenciado em Comunicação Social e mestre em Ciência Política, vive entre estatísticas, memórias épicas e o encanto de equipas como o Barça de Guardiola ou a França de Zidane.

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