5 reforços mais importantes na época do FC Porto

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No verão de 2025, aquando da apresentação de Francesco Farioli como novo treinador do FC Porto, a 7 de julho, André Villas-Boas lançou uma promessa que, à época, soou quase a desafio: poderíamos estar a falar do “maior mercado da história do FC Porto”. Palavras grandes para um clube que, historicamente, sempre soube equilibrar ambição e sustentabilidade financeira.

Meses depois, estando os dragões a uma vitória do título de campeão nacional, o primeiro desde 2021/22, é possível afirmar, sem margem para equívoco, que o presidente azul e branco cumpriu o que prometeu e fê-lo com uma convicção que rapidamente se traduziu em números concretos e, sobretudo, em argumentos desportivos.

Com um investimento que ultrapassou os 90 milhões de euros, tornando aquela, oficialmente, a janela de mercado em que mais gastou na história do clube, o FC Porto construiu um plantel de fôlego renovado e ambições à altura.

André Villas-Boas FC Porto
Fonte: Mário Pinto / Bola na Rede

Aliás, de acordo com o Portal da Transparência do emblema azul e branco, esse valor pode mesmo ultrapassar a barreira dos 100 milhões de euros, mediante o cumprimento de objetivos associados a determinados jogadores.

É o caso, por exemplo, de Jakub Kiwior, que chegou por empréstimo do Arsenal, com uma taxa fixa de cedência de dois milhões de euros, mas com uma opção de compra fixada em 17 milhões de euros, acrescida de até cinco milhões em variáveis, cláusulas que tornam o investimento potencialmente muito mais expressivo do que aquilo que os números de base deixam antever.

Desportivamente, a esmagadora maioria das apostas revelou-se acertada, o que, por si só, já constitui um feito assinalável num mercado desta dimensão. Naturalmente, nem tudo correu em linha reta, dado que Luuk de Jong foi atraiçoado pelas lesões, embora nos jogos em que esteve disponível tenha correspondido com a qualidade e experiência esperada (e ficará, para sempre, na memória o golo que apontou na vitória do Clássico em Alvalade, para o campeonato); Dominik Prpić é jovem, com margem de crescimento considerável, e tem, à partida, os mentores certos dentro do balneário para acelerar e concretizar esse processo; Terem Moffi, que já tinha trabalhado com Farioli no Nice, viu o seu contexto alterado de forma imprevisível, já que, à data da sua contratação, Samu ainda não se tinha lesionado com gravidade, pelo que não se calcularia que acabasse por assumir tamanha importância, apesar dos dois golos marcados; João Costa chegou, claramente, como elemento para compor plantel e, acima de tudo, balneário; já Yann Karamoh, também velho conhecido de Farioli desde os tempos em que o técnico italiano orientou os turcos do Karagumruk, foi contratado a custo zero para rodar entre a equipa B e a equipa principal em escassos momentos, acabou por desaparecer por completo após o mercado de janeiro.

Karamoh FC Porto
Fonte: Bernardo Benjamin / Bola na Rede

Todavia, é preciso reconhecer e elogiar a visão e a gestão exemplar de toda a estrutura portista, desde o presidente, passando pelo departamento de scouting, até ao treinador Francesco Farioli e respetivo staff e equipa técnica. Foram, além de tudo, capazes de perceber, em janeiro de 2026, não apenas que era fundamental segurar todas as peças basilares do projeto desportivo, como também que o plantel carecia de reforços em posições específicas.

Sendo assim, chegaram Thiago Silva, a custo zero, num regresso histórico para o centro da defesa; Seko Fofana, por empréstimo sem opção de compra, que além de toda a qualidade que trouxe e dos importantíssimos golos marcados frente ao Sporting, SC Braga e Famalicão, permitiu que Froholdt fosse gerido de outra forma; Oskar Pietuszewski, uma aposta de futuro, um diamante em bruto que custou oito milhões de euros (podendo chegar aos dez com objetivos) e que entrou praticamente de caras no onze inicial, apesar de não ter sido inscrito na Liga Europa para os jogos a partir dos oitavos de final, uma vez que apenas três reforços de janeiro podiam sê-lo; e Terem Moffi, emprestado, com opção de compra, de oito milhões de euros, mas já explicado o seu inesperado contexto anteriormente.

Oskar Pietuszewski FC Porto
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Apesar de Pietuszewski e Fofana poderem entrar, por direito próprio, na discussão para este top-5, a opção foi a de não os incluir, dado que chegaram apenas em janeiro, ainda que o seu impacto, tanto no balneário como no rendimento em campo, mereça ser sublinhado com a maior das ênfases.

Por fim, Gabri Veiga também não será contabilizado para esta lista por uma simples razão: o médio foi contratado ainda sob o comando técnico de Martín Anselmi, tendo inclusivamente participado no Mundial de Clubes 2025, nos Estados Unidos, com a época 2024/25 ainda em curso, tratando-se, portanto, de um capítulo anterior a esta temporada.

Deste modo, passemos, então, ao top cinco reforços mais importantes na época 2025/26 do FC Porto.

5.

Sporting x FC Porto Alberto Costa Morten Hjulmand
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Alberto Costa – O lateral-direito português, de 22 anos, chegou vindo da Juventus, por 15 milhões de euros, num negócio em que João Mário fez o caminho inverso por 12, ficando, portanto, o saldo favorável a Turim em termos contabilísticos, mas claramente favorável ao FC Porto em termos desportivos.

Alberto Costa é, portanto, um lateral com características muito próprias para a posição, sobretudo pela capacidade física e pela forma como percorre o corredor, sendo um jogador de grande disponibilidade, capaz de fazer constantes vaivéns, oferecendo largura no ataque e recuperação rápida na transição defensiva. Tem boa condução em progressão e consegue ganhar metros com bola, algo importante para desbloquear jogos mais fechados.

Tecnicamente, é competente no cruzamento e na definição no último terço, ainda que nem sempre seja constante. Defensivamente, mostra agressividade no duelo e boa capacidade de antecipação, embora por vezes arrisque na abordagem. Do ponto de vista tático, é notória a evolução que teve ao longo da época, sobretudo no posicionamento e na gestão dos momentos de subida, percebendo melhor quando deve projetar-se e quando deve resguardar.

Assim, é um lateral que alia velocidade, capacidade de cruzamento e boa leitura dos espaços interiores a uma dinâmica de jogo que se encaixa com naturalidade nas ideias de Farioli, ou seja, um lateral que sai a jogar com critério, sobe em profundidade com oportunismo e mantém a equipa larga em fase de organização ofensiva, além, lá está, de toda essa capacidade que tem de jogar em espaços mais interiores.

Paralelamente, sendo “portista de gema”, não se intimidou com o contexto competitivo e foi ganhando espaço com base no rendimento e nos diversos contextos que apanhou, seja com o crescimento exibicional que Martim Fernandes demonstrou no início do ano civil de 2026, seja até com algumas lesões que este último também teve.

No fundo, mesmo não sendo a figura mais determinante do lote (ainda que seja, neste momento, o jogador da turma azul e branca com mais assistências no campeonato, com oito), contribuiu para a dinâmica da equipa e para a consistência exibicional que sustentou o caminho até ao iminente título nacional.

4.

Pablo Rosario FC Porto Casa Pia
Fonte: Pedro Barrelas / Bola na Rede

Pablo Rosario – O médio internacional pela República Dominicana, de 29 anos, foi uma das peças mais úteis da época pela sua versatilidade. Chegou ao FC Porto vindo do Nice por 3,75 milhões de euros, uma autêntica pechincha do mercado de verão. O fator determinante da sua contratação foi inequívoco, isto é, Farioli já o conhecia dos tempos em que treinou na França, logo sabia exatamente o que ele poderia dar à equipa, e pediu-o de forma cirúrgica.

Ora, é sempre bom reiterar que a grande mais-valia de Rosario é a sua polivalência funcional, rara a este nível. Pode jogar como trinco, médio interior, defesa-central ou lateral de qualquer um dos lados, com uma qualidade de execução que não diminui consoante a posição.

Assim sendo, é um jogador que dá ao treinador uma enorme margem de gestão tática, seja para alterar o sistema durante um jogo, seja para gerir cargas e rotações ao longo de uma época longa e exigente.

Do ponto de vista técnico, distingue-se pela limpeza de gesto na posse, pela inteligência posicional fora de bola e por uma capacidade de antecipação que lhe permite ser eficaz mesmo sem os atributos atléticos mais explosivos. Numa frase, tecnicamente, não é um jogador de risco, mas é extremamente fiável e essa consistência foi, precisamente, essencial para manter o equilíbrio coletivo nos vários momentos da temporada.

Em suma, é um jogador que aceita diferentes funções sem perder rendimento, algo raro e muito valioso nos dias que correm. A sua presença foi particularmente importante em momentos de maior exigência física e tática, funcionando como um verdadeiro elemento de ligação entre setores. Foi, sem dúvida, uma das contratações mais inteligentes da época.

3.

Jakub Kiwior FC Porto
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Jakub Kiwior -O defesa-central internacional polaco, com 26 anos, chegou via empréstimo do Arsenal, com uma taxa de cedência de dois milhões de euros e uma opção de compra de 17 milhões fixos, acrescida de até cinco milhões em variáveis, trazendo na bagagem dois anos e meio de Premier League e experiência europeia de alto nível, incluindo Champions League.

Kiwior é, assim, um defesa-central com um perfil pouco comum: o facto de ser canhoto permite ao FC Porto construir a partir da defesa com uma assimetria natural que desorganiza as linhas de pressão adversárias. Sai a jogar com segurança, tem um passe longo de qualidade acima da média e uma capacidade de cobrir o corredor esquerdo que lhe confere dupla utilidade no sistema.

Defensivamente, destaca-se pela antecipação, pelo sentido de posição e por uma elegância de intervenção. Tem, ainda, boa leitura dos espaços laterais e não hesita em sair da zona para pressionar, recuperando rapidamente a posição, sendo que a sua mobilidade e capacidade de reação ajudam, muitas vezes, a equipa a manter equilíbrio mesmo em transições rápidas e noutros momentos de maior aperto.

Desta forma, há que ter a noção de que estamos a falar de um jogador que já estava e está habituado a ritmos elevados e a contextos exigentes, o que se reflete na serenidade com que joga, mesmo sob pressão. Raramente compromete e mantém níveis de concentração elevados durante todo o jogo.

Por conseguinte, a sua complementaridade com o compatriota de quem já iremos falar foi um dos fatores que consolidaram a impressionante solidez defensiva que o FC Porto demonstrou ao longo de toda a época (apenas quatro (!) golos sofridos na primeira volta do campeonato, e 15 até ao momento, em 31 jogos).

2.

Jan Bednarek Thiago Silva FC Porto Jogadores
Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

Jan Bednarek  -Como prometido, o também central e compatriota de Kiwior, com 30 anos, chegou ao FC Porto proveniente do Southampton por 7,5 milhões de euros, um valor que, à luz do que demonstrou, é extraordinariamente baixo para o que representa dentro e fora de campo e apenas justificado pela sua idade mais avançada.

Isto porque Bednarek rapidamente se afirmou como uma presença constante de estabilidade numa equipa que precisava de referências defensivas seguras. A sua leitura de jogo é um dos traços mais evidentes, sobretudo na forma como antecipa movimentos adversários e fecha espaços antes que o perigo se instale.

Não é um central propriamente exuberante com bola, mas é extremamente competente na decisão, optando quase sempre pela solução mais segura e eficaz. A nível físico, impõe-se no jogo aéreo e nos duelos, sendo particularmente forte na defesa de cruzamentos e bolas paradas.

Do ponto de vista tático, revelou-se essencial na organização da linha defensiva. Além disso, a experiência acumulada em anos de Premier League confere-lhe uma maturidade competitiva que se sente nos momentos de maior pressão, na forma como sabe gerir a temperatura do jogo, como sabe posicionar o corpo e como sabe quando avançar e quando recuar. Foi, por isso, muitas vezes, o elemento que deu cobertura aos colegas, funcionando como uma espécie de pêndulo no eixo defensivo.

Em suma, é um líder silencioso, um verdadeiro “capitão sem braçadeira”, sendo aquele típico jogador que fala, que lidera pelo exemplo, que puxa pelos mais jovens (visto de fora, juntamente com Kiwior, parece funcionar quase como um “Pai” para Pietuszewski) e que dá coesão ao grupo nos momentos em que a pressão é maior.

Um líder silencioso e um pilar que, não sendo o mais mediático, acabou por ser uma peça fundamental na consistência que sustentou o percurso até ao momento. Um jogador “à Porto”, como muitos adeptos o apelidam.

1.

Victor Froholdt, FC Porto
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Victor Froholdt – O médio internacional dinamarquês, de 20 anos, chegou vindo do futebol nórdico, mais concretamente do Copenhaga, por 20 milhões de euros e é, na minha ótica, o MVP deste campeonato, assim como uma das melhores contratações do FC Porto na última década.

Estaria a mentir se dissesse que via todos os jogos do Copenhaga e que o conhecia perfeitamente (até o próprio Farioli admitiu que não o conhecia, tendo sido “um dos primeiros nomes que o departamento de scouting colocou em cima da mesa”).

Deste modo, apesar de, na altura, já ter ouvido falar minimamente dele, não tinha, como é óbvio, o conhecimento suficiente acerca do mesmo para opinar. No entanto, depois de ter ido analisar mais ao detalhe as diversas características que contempla e depois de tudo o que demonstrou na pré-época portista, não hesitei em colocá-lo, num artigo também escrito para o Bola na Rede, no primeiro lugar do top cinco possíveis jogadores revelação da Primeira Liga 2025/26. E parece que acertei.

Como referi nesse artigo, é um ““box-to-box” capaz de cobrir todo o corredor central”. A intensidade com que joga, aliada à qualidade técnica (embora ainda tenho algumas coisas a aprimorar neste aspeto), permite-lhe ser decisivo tanto na recuperação como na construção, até porque tem uma leitura de jogo muito acima da média para a idade.

É, portanto, um médio poderoso, com grande capacidade de condução de bola, trabalho defensivo extremamente fiável e genuína compostura sob pressão, três qualidades que raramente coexistem num jovem desta idade. No plano ofensivo, tem a inteligência para aparecer no sítio certo, sabendo chegar à área, quando soltar a bola, quando avançar, e tem golo (no cômputo geral, esta já a época mais concretizadora da sua (ainda) curta carreira, com oito tentos apontados, além das sete assistências registadas).

A verdade é que a prova mais eloquente da sua importância para o mais que provável título está, porém, num dado difícil de ignorar: os três únicos jogos que o FC Porto perdeu em solo nacional nesta temporada — frente ao Casa Pia, para o campeonato, ao Vitória SC, para a Taça da Liga, e ao Sporting, na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal — têm um denominador comum. Em nenhum deles, Froholdt foi titular. Não é uma coincidência. É uma demonstração, em negativo, do que ele representa para o coletivo, seja a nível de equilíbrio, de intensidade, de criatividade e de liderança no miolo do jogo.

Para finalizar, a influência que teve na dinâmica coletiva foi clara ao longo da época, sendo um dos pilares do sucesso portista. Pelo impacto, regularidade e importância nos momentos decisivos, afirmou-se como a melhor contratação e uma das figuras centrais da temporada azul e branca.

Raul Saraiva
Raul Saraiva
O Raúl tem 19 anos e está a tirar a Licenciatura em Ciências da Comunicação. Pretende seguir Jornalismo, de preferência desportivo. Acredita que se aprende diariamente e que, por isso, o desporto pode ser melhor.

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