O Benfica conseguiu, finalmente, alcançar o segundo lugar do campeonato. O triunfo por 4-1 frente ao Moreirense, mais o empate do Sporting na Vila das Aves, permitiu aos encarnados chegarem à posição que dá acesso à terceira pré-eliminatória da Liga dos Campeões na próxima época. Para isso se concretizar em definitivo o Benfica terá de vencer os três jogos que restam, partindo do princípio que os leões também os ganha.
Nessa goleada imposta ao Moreirense, no Estádio da Luz, Franjo Ivanovic entrou aos 75 minutos para o lugar de Vangelis Pavlidis, que pouco ou nada estava a acrescentar à equipa. O avançado croata marcou dois golos em dois minutos, e levantou de novo uma questão que por várias vezes foi debatida esta temporada. Ivanovic merece mais oportunidades a titular?
Antes de responder diretamente à questão, puxemos o filme atrás. No início da época, e ainda com Bruno Lage ao leme da nau encarnada, o Benfica chegou a jogar em 4-4-2, com Pavlidis e Ivanovic a fazerem dupla no ataque. Essa parceria não deu os frutos desejados e o 4-2-3-1 passou a ser novamente o esquema tático preferencial.


A jogar apenas com um avançado, alguém na frente tinha de sair. Ivanovic foi o sacrificado. E entendia-se. Pavlidis já tinha os créditos da época transata, e o tempo veio dar razão ao ponta de lança grego, que começou a marcar golos com fartura. É atualmente o melhor marcador das águias e o segundo melhor do campeonato, só atrás de Luis Suárez. E quando alguém está a “faturar” semana após semana, fica difícil discutir o seu lugar no onze.
Mas todos os jogadores passam por fases menos boas, e Pavlidis está a passar por uma. Só para termos uma ideia, nos últimos três meses marcou apenas dois golos. Tantos quanto Ivanovic fez em 15 minutos da última partida. É pouquíssimo e denota falta de confiança, além de apresentar algum desgaste físico. Então porquê insistir em alguém que apresenta estas condições, quando há alternativas no ataque.


Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede
Esta época Ivanovic foi visto como um patinho feio do Benfica. Marcou poucos golos, mas faltaram-lhe mais oportunidades para mostrar que não queria ser suplente. Foi decisivo em Arouca, ao apontar o tento da vitória no último suspiro. Podia e devia ter somado mais minutos ao longo da temporada. Foi com alguma estranheza que José Mourinho o colocou a titular no embate com o Sporting, em Alvalade.
Uma prova de confiança do treinador português, mas também de estratégia, que explicou no final do jogo a importância que o avançado de 22 anos teve no dérbi.
Não é só pelo bis frente ao Moreirense e a quebra de rendimento de Pavlidis que acho que o número nove encarnado deve ser titular já na próxima jornada. É por toda a desconfiança que este jogador provocou junto dos adeptos, mas que afinal ainda pode ser muito útil. É porque sempre que alinhou de início, ou saltou do banco, mostrou atitude e vontade em querer ajudar a equipa. E nunca se deixou ir abaixo quando nem um minuto jogava, ou quando via Anísio Cabral ser lançado em vez dele.


Estes dois golos deram-lhe aquilo que Pavlidis não tem neste momento. Confiança. E quando um jogador entra em campo confiante e motivado a história é outra. Faltam três jornadas para o fim do campeonato. Já nem vou discutir se Ivanovic deve ser, ou não, titular nos últimos compromissos das águias. A maior injustiça será não estar no onze em Famalicão.

