A última jornada da Primeira Liga de Futsal teve drama onde tinha de ter — mas lá em cima, nada de novo. Os “suspeitos do costume” não vacilaram.
SL Benfica e Sporting CP cumpriram sem grandes sobressaltos, confirmando aquilo que já se vinha a desenhar: superioridade clara ao longo da fase regular e uma entrada na fase de playoff de campeão com estatuto reforçado. Não houve surpresas nos resultados dos primeiros classificados — e isso também diz muito sobre a consistência destas equipas. Mesmo numa jornada com tanta pressão e jogos em simultâneo, não tremeram.


Contudo, se no topo reinou a normalidade, no resto da tabela houve muito para contar.
O destaque maior vai, claro, para a ultrapassagem do Eléctrico FC ao AD Fundão. E aqui está o ponto-chave: não foi apenas uma troca de posições — foi a jogada que valeu o acesso ao playoff de campeão. O Eléctrico entrou pressionado, mas mostrou uma maturidade competitiva impressionante — jogo controlado, eficácia nos momentos-chave e uma equipa que nunca pareceu verdadeiramente bloqueada pela importância do momento. Já o Fundão acabou por acusar essa pressão: houve nervosismo, alguma precipitação ofensiva e a sensação de que o jogo foi sendo jogado mais com ansiedade do que com clareza.


Outro ponto interessante foi ver como algumas equipas de meio da tabela jogaram completamente “soltas”, proporcionando jogos abertos e com muitos golos. Sem o peso classificativo, vimos futsal mais criativo, menos calculista — daqueles jogos em que o espetáculo acaba por ganhar protagonismo.
E depois, claro, a descida do Quinta dos Lombos, que acabou por acontecer num contexto em que até houve luta e entrega até ao fim. Não foi uma queda por falta de atitude nesta jornada — foi mais o reflexo de uma época onde os detalhes foram quase sempre contra. Ainda assim, neste último jogo, houve momentos interessantes: uma equipa a arriscar, a subir linhas, a tentar discutir o resultado até ao limite…, mas já sem margem real para mudar o destino.
No fundo, esta jornada foi um contraste perfeito: previsibilidade no topo, caos no resto. E talvez isso seja o melhor resumo desta Liga — onde os grandes confirmam, mas são os outros que garantem o espetáculo até ao último segundo.
Agora, é tempo de dar o lugar ao playoff.

