Os dados estão lançados para o Campeonato do Mundo 2026. Roberto Martinez deu a conhecer os 27 convocados que irão representar a seleção de Portugal no tão aguardado campeonato. As escolhas não são fáceis e, como sempre, dariam discussão pelas surpresas e sobretudo por algumas omissões.
Nenhuma convocatória é consensual. Todos faríamos a nossa própria escolha de quem achamos meritório envergar a camisola da seleção das quinas. Como tal, ficam aqui cinco ausências da convocatória que surpreenderam.
5.


João Palhinha – A ausência do médio do Tottenham causou estranheza. Apesar de não estar a fazer uma época excelente, muito devido à época caótica dos Spurs, o português conta com 44 jogos, somando seis golos e duas assistências. É uma das figuras da equipa inglesa, mesmo que de forma irregular, e esperava-se que viesse a fazer parte dos 27 escolhidos por Martinez.
O trinco português tem sido uma presença constante na convocatória da Seleção Nacional, contando com 37 internacionalizações, tendo já marcado dois golos. Samu Costa acabou por ser o escolhido, apesar de serem jogadores com um perfil diferente e com experiência internacional muito díspar. Palhinha é um médio forte, fisicamente impressionante, mas com lacunas ao nível da construção e da condução de bola. O português conta com atributos úteis para jogos de maior aperto em que a seleção necessita de maior coesão defensiva e de qualidade nos desarmes e nos duelos físicos.
4.


Paulinho – A posição de ponta de lança da Seleção Nacional é a que mais sofre de escassez e de falta de opções, não é um problema de agora, mas a queda de rendimento de Cristiano Ronaldo voltou a reacender as preocupações relativas ao tema. Paulinho não é um nome consensual, nunca foi mesmo quando era do Sporting, antes de rumar ao Toluca.
No México, encontrou uma veia goleadora que, por vezes, andava oculta. Em duas épocas, jogou 88 partidas, com 62 golos e 14 assistências. São números absurdos, mesmo que sejam na liga mexicana, e merecem uma atenção redobrada. O facto de jogar numa liga periférica não pode ser impeditivo de uma convocação, com a liga saudita a estar contemplada nos convocados da Seleção. A justificação de Martinez prendeu-se no perfil do avançado português, muito similar ao de Ronaldo, um ponta de lança de área com faro de golo. O facto é que os números não enganam, Paulinho tem golo e poderia ser útil para Roberto Martinez.
3.


Afonso Moreira – Trago um nome fora da caixa, mas que acho meritório pela evolução que tem demonstrado e pelas exibições ao serviço do Lyon, com 37 jogos, oito golos e dez assistências. O desempenho atual de um jogador deve ser recompensado e a Seleção Nacional tem um papel no desenvolvimento de jovens jogadores, onde apenas o talento e o que mostra dentro das quatro linhas conta.
O extremo consegue jogar nas duas faixas, preferencialmente pela esquerda, é rápido e composto no 1×1, podendo surgir tanto por dentro como por fora. Não é um jogador com apenas uma arma, é polivalente, perigoso na criação de oportunidades e com uma boa finalização. Não iria tirar o lugar aos titulares da Seleção, mas poderia acrescentar vindo do banco. Seria uma ótima alternativa a jogadores em queda de rendimento clara, vistos como insubstituíveis, como Rafael Leão e Pedro Neto, apesar da diferença no perfil e nas características.
2.


Mateus Fernandes – Nomeado para melhor jogador jovem da Premier League, numa equipa que luta pela manutenção, a ausência do médio português foi vista como chocante. É um jogador para o futuro, que deve ser preparado para assumir as rédeas da Seleção num futuro não tão longínquo. O jogador do West Ham tem apenas uma internacionalização, apenas seis minutos jogados, algo francamente escasso para a qualidade que o médio tem apresentado há duas épocas.
O algarvio é um todo-o-terreno muito seguro com a bola no pé, que não treme sobre pressão e com boa progressão ofensiva, procurando sempre empurrar a equipa para a frente. Não é um trinco, apesar de ser muito competente no setor defensivo, estando mais próximo de um 8. É excelente em espaços curtos, em atrair a pressão para mais tarde lançar os ataques, o que o torna perigoso no processo ofensivo.
É espantoso observar a ausência de um jogador com esta qualidade dos convocados para o Campeonato do Mundo.
1.


Ricardo Horta – Chegamos ao nome mais sonante deixado de fora, pela época estrondosa que fez, tanto no campeonato como na Liga Europa. A ausência de Ricardo Horta é inexplicável, não há outra forma de o dizer, e é revelador de como o campeonato nacional é visto pelo selecionador nacional. A época de Ricardo Horta é de uma qualidade inegável, os números não são tudo, mas contam uma história. Em 53 jogos, o avançado português fez 21 golos e 11 assistências, sendo um dos pilares do SC Braga não só esta época, mas por largos anos.
Horta é um jogador consistente e regular, a consistência encontra-se nas exibições de grande nível, na preponderância na equipa e na capacidade de liderança. Nos golos importantes, na visão de jogo, Horta é o motor dos bracarenses. A seguinte questão fica no ar: o que mais precisaria de fazer Ricardo Horta para ser chamado? Há talento na liga portuguesa, tem é de ser utilizado, lapidado, porque sem oportunidades tal não acontece. Horta tem 30 anos e as oportunidades começam a ser poucas, o Campeonato do Mundo estava à porta, Martinez decidiu que não tinha espaço.

