Numa final da Europa League marcada pela tensão competitiva e pela ambição de conquistar um troféu europeu histórico, Aston Villa e Friburgo protagonizaram um duelo intenso, decidido sobretudo pela eficácia inglesa nos momentos-chave. Apesar de percursos distintos até Istambul ambas as equipas chegaram à decisão fiéis às suas ideias, num encontro onde o equilíbrio existiu durante largos períodos, mas onde o talento individual acabou por fazer a diferença.
Primeira parte com mais bola para o Aston Villa, como era expectável. No entanto, foi de forma mais direta que a equipa inglesa criou as melhores oportunidades nos primeiros 45 minutos. Tinha muita posse, mas por vezes sem ideias claras, recorrendo várias vezes a Martínez para procurar movimentos de rutura de Watkins e Rogers, tentando que fossem os próprios a ganhar a bola ou a permitir que sobrasse para alguém vindo de trás, sobretudo Buendía, Tielemans e McGinn.
Do outro lado, o Friburgo soube defender, apesar das dificuldades iniciais em encaixar na dinâmica ofensiva do Aston Villa. O clássico perfil de equipa alemã: organizada sem bola e sempre à procura de explorar o contra-ataque ou ataques rápidos para ferir o adversário.
No entanto, o futebol e os seus intervenientes são imprevisíveis. Quando tudo indicava que o encontro seguiria empatado para o intervalo, surgiram dois momentos individuais que mudaram por completo o jogo. Primeiro, numa jogada estudada do Aston Villa, que aproveitou o facto de a defesa do Friburgo estar mais preocupada em proteger a pequena área do que a entrada da mesma. Rogers assistiu Tielemans e surgiu o primeiro golo da final.
Pouco depois, apareceu o talento de Buendía, como tantas vezes acontece. O argentino marcou um golo de levantar o estádio, fazendo lembrar o momento antológico de Radamel Falcao na final da Europa League ao serviço do Atlético de Madrid.
Ao intervalo, o Aston Villa saía claramente por cima no resultado, mas sobretudo na eficácia, aproveitando os momentos decisivos de um jogo até então equilibrado.
Após a pausa, a equipa comandada por Unai Emery fixou-se em bloco baixo e, com pouco esforço, segurou o 2-0 até aos 58 minutos, quando Rogers dilatou a vantagem para 3-0 depois de uma excelente jogada de contra-ataque, novamente com Buendía em destaque através de uma assistência brilhante.
A partir daí, o Aston Villa controlou emocionalmente e taticamente a final. O Friburgo teve mais iniciativa, mas nunca encontrou soluções para desmontar a organização inglesa, muito confortável a defender perto da sua área e extremamente perigosa sempre que saía em transição.
No fim, a experiência europeia de Unai Emery voltou a fazer a diferença. O treinador espanhol confirmou, uma vez mais, porque é considerado o maior treinador da história da Europa League, conquistando o seu quinto troféu através de uma equipa sólida, madura e letal nos momentos decisivos. Para o Aston Villa, esta conquista representa não só um regresso aos grandes títulos internacionais, mas também a afirmação definitiva de um projeto que voltou a colocar o clube entre a elite europeia.

