O Sporting defronta o Torreense na final da Taça de Portugal. Rui Borges e Morten Hjulmand fizeram a antevisão do jogo decisivo.
Rui Borges e Morten Hjulmand fizeram a antevisão da final da Taça de Portugal. O Sporting e o Torreense defrontam-se no Estádio Nacional para disputar o último título da temporada.
Foi o capitão leonino quem começou a falar.
«O nosso principal objetivo era vencer a Liga Portuguesa. Não o atingimos e agora o foco é conquistar mais um troféu e terminar a época a ganhar».
«Último jogo pelo Sporting? Não é a altura certa para conversar sobre o meu futuro. O foco é no Sporting e em amanhã, porque esta época ainda não vencemos qualquer troféu. Depois da época, falarei do meu futuro».
«Lesão no final da época? Foi muito difícil não conseguir ajudar a equipa. Estava a trabalhar na recuperação. Temos de ser honestos, não foram os melhores jogos do nosso lado. Foi complicado ver em casa os jogos com o AVS e o Tondela, mas recuperámos com Vitória SC e Gil Vicente».
«Real Madrid? É uma grande honra para mim, mas estou focado aqui, com muito respeito e amor por este jogo. O foco é amanhã, depois da época falarei do futuro».
«Jogar na final da Taça? Fiz o treino esta manhã, treinei bem e caberá ao mister decidir se jogo ou não».
«3.ª final no Jamor? Infelizmente, não treinei terça-feira. Para mim o Jamor é especial, apesar de não ser português. Os adeptos vão para lá de manhã, beber cerveja e comer carne, e ficam lá. É uma grande tradição e espero que continue por muito tempo. O objetivo é vencer».
«Favoritismo? Quando falamos de finais, é difícil dizer favoritos. O mesmo na final da Champions League no final da época. Analisámos o Torreense e a época, muito respeito pela época. Fizeram um bom jogo contra o Casa Pia, lutam pela subida. Será um jogo difícil e tudo pode acontecer, mesmo que seja uma equipa da 2.ª Divisão».
«Contratações e saídas no mercado afetam? Acho que é parte de ser profissional de futebol. Em janeiro também houve várias notícias, no verão também. É normal e não afetará o jogo de amanhã. Eu falarei depois do jogo. O Morita e Quenda sairão e querem ter um bom fim no Sporting».
«Despedida de Morita? Aproveitei muito todos os jogos e minutos com o Morita. Ele fala por ele próprio, as suas exibições, a forma como os adeptos se despediram dele em Alvalade foi especial, sentiu-se também que ele também foi tocado por isso. Está cá há cinco anos, os filhos nasceram cá. Não é fácil dizer adeus. Vemo-nos todos o dias há três anos e vou ter muitas saudades dele, de certeza».
«Torreense? Na Taça, na campanha desta temporada, tivemos dificuldades com Paços, Santa Clara, AVS. Será complicado lidar com o Torreense, principalmente pela velocidade e poder na frente, também pelas bolas paradas».
Depois de Morten Hjulmand, foi Rui Borges a falar e a fazer a antevisão do lado do Sporting.
«A justiça é relativa, dependendo de como olhamos para ela e para o jogo. O grupo é merecedor da final, de lutar pelo troféu e de vencê-lo. A equipa dará a vida, momento histórico para o clube e para os seus atletas. Temos de estar preparados para o jogo. O Torreense demonstrou esta semana toda a sua qualidade contra uma equipa da Primeira Liga. Não foram 15 dias ou dois jogos menos conseguidos que ditam a época. Foi uma época fantástica, lutámos com tudo até ao final. Não fomos campeões, mas queremos conseguir o segundo melhor troféu do país, num ambiente especial. Especial para nós e ainda mais para quem está do lado de lá. Merecemos tal como o Torreense diz que merece».
«Ioannidis? Não estará para jogo. Poderia dizer que está 100% recuperado, mas ainda não integrou o treino totalmente. Pela paragem, não ativámos. Começará a época a 100%, importante para ele e para nós».
«Mercado precoce do Sporting? Só posso falar do Zalazar, o clube e eu já nos pronunciámos. O mercado faz parte, estamos cientes do que se passa. Tudo aqui é feito com rigor e comunicação. Estamos identificados com o que queremos e necessitamos para a próxima época».
«Saídas de Trincão e Maxi Araújo? Gostava de ter todos, que o Morita e o Quenda não fossem. Fico feliz por vê-los ligados a grandes clubes. É sinal de valorização individual dentro de um coletivo bom. É bom ver os atletas e ativos valorizados. Gosto mesmo muito de todos eles, não quero perder nenhum, mas sou muito frio. O que faz o Sporting, os jogadores passam, treinadores passam e o Sporting continuará a ser Sporting. Focado em amanhã, depois descansar e pensar no mercado, sabendo que há coisas que não dá para controlar. Os jogadores têm cláusulas».
«Hjulmand? Tem contrato, estava a chatear-me para se apresentar. É jogador do Sporting, conto com ele e vamos ver o que o mercado ditará. Ficarei feliz se continuar, se não é o que é, é futebol. Não ficarei feliz porque gosto muito dele, é um grande líder e deu sempre a cara pelo grupo. Precisamos muito destes líderes no balneário».
«Calendário apertado do Torreense? Metia os melhores [na Taça]. Estão na luta pela subida, mas são jogos onde não é preciso motivação e não há cansaço. Assinariam estas condições no início da época. Independentemente de quem jogue, terá uma motivação para lá do normal. Temos de ser muito sérios, sete jogos sem perder, três golos sofridos e cinco clean sheets. Dita a qualidade em duelos e competitividade. Sai bem no contra ataque e ataque rápido, temos de estar organizados e competitivos».
«Sporting 2.º clube mais representado na seleção? Valoriza o trabalho do Sporting, não só com Rui Borges, mas na valorização da formação e do jogador português. Deixa-nos felizes enquanto treinadores. Faremos tudo para olhar para o que é nosso e valorizá-lo da melhor maneira. Feliz, mas triste porque merecia mais gente. O Pote merecia, o Edu [Quaresma] tem de estar de olho, o Mangas começou muito bem».
«Baliza? Podia dizer que já ou não. Eles não sabem e seria ingrato da minha parte dizer quem jogava. O Virgínia tem contrato. Metem meia equipa fora e meia equipa dentro do Sporting. É só uma decisão».
«Desde 2007 e 2008 que o Sporting não vence duas Taças de Portugal consecutivas e gestão de emoções? Não tenho estado focado, eles são profissionais. Tirando Quenda e Morita, todos têm contrato com o Sporting e sabem quando se terão de apresentar. O Quenda e o Morita, mentalmente estarão sensíveis, mas sinto-os felizes e motivados para acabar a época feliz e com mais uma conquista. A felicidade e motivação deles está no auge. Não preciso de estar preocupado com eles. Eles querem é saber se o mister os vai meter a jogar, querem jogar muito. O registo deixa-me feliz, acima de tudo por esta época. Não conseguimos ser campeões. O discurso que tive aqui tive com os jogadores, não chegava sermos iguais à época passada. Não chegou, realmente. O adversário foi melhor, mas não apaga uma grande época de todos eles. Qualidade individual e coletiva muito boa, muito consistente em alguns momentos. Isso deixa-me vontade de terminar a época com um troféu. Temos de ser capazes e queremos acrescentar mais currículo, conquistas e troféus ao clube. Quero continuar a marcar a história do Sporting de alguma forma».
«Torreense? A controlar as bolas paradas. Dois centrais muito fortes no jogo aéreo. Bons batedores. Contra-ataque e ataque rápido, são fortíssimos com espaço. Evitar ao máximo transições, bem posicionados e equilibrados, pela linha defensiva e linha média. Equipa muito competitiva em termos defensivos, sete jogos sem perder. Um bom guarda-redes também. Vamos ter essa dificuldade e temos de estar no nosso melhor. Como disse o Morten, perceber o nosso trajeto. Tivemos dificuldades com o Paços e desceu de divisão. O Torreense jogou com o Casa Pia, com mais remates à baliza. Dita bem das dificuldades que vamos ter. Temos de ser muito sérios e rigorosos e dar o nosso melhor».
«Dificuldade em assumir o favoritismo? A pressão existe diariamente e nada melhor que viver com essa pressão. Sempre a assumimos e por isso estamos aqui. Para estar numa final, cada equipa teve os seus méritos e tem de existir respeito. Passei por todos os escalões e sei bem o que é o sonho de estar no Jamor. Tive como treinador e jogador e sei bem o que é sonhar com isso e das dificuldades. Duas equipas, não penso na equipa no escalão inferior. É uma equipa que disputa o acesso à Primeira Liga. Respeito máximo, não deixar entrar em facilitismos. Jogo especial, com uma festa bonita à volta, mas temos de ser sérios. Queremos ganhar».
«Margem de erro nula? Difícil era estar em casa a ver na televisão. Feliz por disputar mais uma final, com a maior das seriedades. Muito sério na abordagem ao jogo. O favoritismo percebo da vossa parte, da minha seriedade máxima. É olhar pra a Taça de Portugal e para o caminho no campeonato, perdemos pontos com as equipas que descemos. Os jogos que mais me stressam são os da Taça de Portugal, sei bem das dificuldades».
«Calendário da final no meio do playoff de subida? Para mim, chega nas mesmas condições. Quando as equipas querem estar entre os melhores, têm de perceber os calendários. É o que é. Se lhes dissessem que iam disputar isto neste calendário, assinariam. Sem dúvidas nenhumas. Não é por aí que o Torreense será mais ou menos competitivo, quer na Taça, quer na segunda mão dos playoffs. Quando andamos na Champions, também temos de lidar com isso».
«Entrada direta na Champions League sabida ao intervalo? A comunicação é difícil abafar o que seja. A equipa e os jogadores não estarão preocupados nesse momento com o acesso direto. Foco em continuar com o troféu. No fim do jogo, a informação passará de forma mais limpa, mas isso não afetará».
«Por fim, um abraço especial e parabéns a todas as conquistas das modalidades do Sporting. Muito boas ao longo da época. Não individualizo muito porque são muitas conquistas. Enquanto treinador de futebol, deixa-me feliz olhar para as modalidades, a crescer de forma diferente. Mais ativo a ver modalidades que não via antes. Um abraço especial e os parabéns a todos. Um abraço especial e parabéns a duas equipas que fazem parte do meu trajeto: à Académica e ao Académico de Viseu. Parabéns enormes, gentes humildes e capacidade de crescimento ao longo dos anos».
O Sporting x Torreense joga-se este domingo, dia 24 de maio, a partir das 17h15.

