Um Jamor dividido entre a obrigação e o sonho | Sporting x Torreense

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Taça de Portugal, final. Domingo, 24 de maio de 2026, 17h15.

A ANTEVISÃO: ENTRE O FAVORITISMO LEONINO E A AMBIÇÃO NATURAL DE TORRES VEDRAS

O futebol português prepara-se para fechar mais uma temporada com um dos jogos mais simbólicos do calendário nacional. Este domingo, o Estádio Nacional do Jamor recebe a final da Taça de Portugal entre Sporting e Torreense, num duelo que coloca frente a frente duas realidades completamente distintas, mas unidas pela mesma ambição: erguer o troféu mais romântico do futebol nacional e entrar para a história da competição.

Ora, de um lado, surge um Sporting algo pressionado pela necessidade de remediar a temporada. Os leões terminaram a Primeira Liga no segundo lugar, falharam a conquista da Supertaça, ficaram pelo caminho na Taça da Liga e viram o percurso europeu terminar nos quartos de final da Liga dos Campeões, diante do Arsenal. A equipa de Rui Borges chega, por isso, ao Jamor com a consciência de que esta é a última oportunidade para evitar uma época sem títulos, cenário que, em Alvalade, não acontece desde 2022/23.

Em relação ao caminho até à final, os verdes e brancos eliminaram, na 3.ª eliminatória, o Paços de Ferreira, por 2-3, após prolongamento, ao passo que, na ronda seguinte, bateram o Marinhense, por 3-0, em Alvalade. Já nos oitavos de final, os leões foram aos Açores derrotar o Santa Clara, também após prolongamento, por 2-3, naquele que foi, provavelmente, o jogo mais polémico da prova, enquanto nos “quartos”, embora a jogar em casa, também precisaram de recorrer ao tempo extra para derrotar o AVS SAD, por 3-2. Finalmente, nas meias-finais, a turma de Rui Borges eliminou o FC Porto, após um triunfo pela margem mínima no José Alvalade (1-0) e um heroico nulo registado no Estádio do Dragão.

Mas se o Sporting transporta a pressão da obrigação, o Torreense leva consigo a força da crença. A formação orientada por Luís Tralhão continua a sonhar com a subida à elite do futebol nacional, estando ainda envolvida no play-off frente ao Casa Pia, onde na primeira mão, realizada em Torres Vedras, empatou a zeros. A verdade é que, ainda assim, encontrou espaço, entre toda essa exigência competitiva, para construir uma campanha memorável na Taça de Portugal.

Isto devido ao facto de a equipa, por militar no segundo escalão, ter entrado logo na 2.ª eliminatória, altura em que bateu, fora de casa, a ADC Correlhã, por 1-3, sendo que, de seguida, a jogar em casa, precisou de ir ao desempate por grandes penalidades para eliminar a Oliveirense (5-4 nos penáltis, depois de uma igualdade a uma bola nos 120 minutos). Na 4.ª eliminatória da prova, o conjunto azul-grená bateu tangencialmente, fora de casa, o Lusitânia de Lourosa, por 0-1, passando aos “oitavos”, momento em que venceu a única equipa da Primeira Liga no seu trajeto – o Casa Pia, em Rio Maior, por 1-2. Já nos quartos de final, a turma do Oeste triunfou sobre a União de Leiria, por 3-1, tendo, nas meias-finais, superado o Fafe, num agregado favorável também de 3-1 (empate a uma bola em Fafe, na primeira mão, e vitória, por 2-0, na segunda).  

Importa ainda referir que o encontro do Jamor vale muito mais do que um troféu. Isto porque, caso o Torreense consiga surpreender e vencer a final, garante automaticamente presença na Liga Europa da próxima temporada, independentemente da divisão em que competir. Esse cenário teria impacto direto em vários clubes portugueses, impedindo, por exemplo, o acesso direto do Benfica à fase de liga da referida competição europeia e afastando o Famalicão das provas da UEFA. Por outro lado, uma vitória leonina abriria espaço para que os famalicenses alcançassem a Conference League, ao mesmo tempo que facilitaria o caminho europeu das águias.

Quanto à equipa de arbitragem, essa será liderada por António Nobre, da AF Leiria. O árbitro de 37 anos vai dirigir pela primeira vez a final do Jamor, tendo Nélson Pereira e Francisco Pereira como assistentes (Inácio Pereira será o reserva dos árbitros de linha), e sendo Hélder Malheiro o quarto árbitro. No VAR, estará Pedro Ferreira, assistido por Ricardo Moreira e Nuno Eiras.

Deste modo, entre a necessidade de redenção do Sporting e o sonho improvável do Torreense, o Jamor prepara-se para receber uma final carregada de simbolismo. Para uns, trata-se de evitar uma época em branco. Para outros, é a possibilidade de transformar um percurso já histórico numa das maiores histórias de superação do futebol português recente. Contudo, no fim, apenas um nome ficará gravado na Taça.

10 DADOS RÁPIDOS

  1. O Sporting vem de três vitórias consecutivas.
  2. Os leões perderam apenas um dos últimos oito encontros disputados – aconteceu diante do Benfica, para o campeonato, em Alvalade, por 1-2.
  3. Nos últimos 20 jogos realizados na Taça de Portugal, os homens de Alvalade só perderam por uma vez, precisamente na final da prova, em 2023/24, frente ao FC Porto, por 2-1, após prolongamento.
  4. O Sporting disputou a final da Taça de Portugal por 32 vezes, somando 18 vitórias e 14 derrotas.
  5. A turma lisboeta disputa a final da competição pelo terceiro ano consecutivo: em 2024, perdeu frente ao FC Porto, enquanto na época passada derrotou o Benfica, por 1-3, também após prolongamento.
  6. O Torreense não perde há sete jogos.
  7. Além disso, nos últimos 12 encontros, os comandados de Luís Tralhão perderam 7 apenas um (em Chaves, por 2-0).
  8. Na Prova Rainha, a turma de Torres Vedras marca há 13 jogos consecutivos.
  9. O Torreense disputa a final da Taça de Portugal, 70 anos depois: em 1955/56, perdeu frente ao FC Porto, por 2-0.
  10. As duas equipas defrontam-se pela 16.ª vez na história, com vantagem para os leões, que somam nove vitórias, contra três triunfos do emblema de Torres Vedras, e outros tantos empates.

JOGADORES A TER EM CONTA

Francisco Trincão Sporting
Fonte: Duarte Rêgo / Bola na Rede

Francisco Trincão – O internacional português, de 26 anos, é uma peça fundamental no processo ofensivo da equipa leonina, destacando-se pela forma como interpreta os espaços entre linhas e pela facilidade com que cria desequilíbrios no um contra um. A sua qualidade técnica permite-lhe variar o ritmo do ataque, ora acelerando a jogada com drible curto e explosão, ora pausando para encontrar o passe certo no momento exato. De facto, é um jogador que acrescenta imprevisibilidade ao último terço e que, apesar de, este ano, ter estado um pouco aquém nos jogos de maior exigência, sabe o que é marcar no Estádio Nacional do Jamor (recorde-se o golo que sentenciou a final da temporada transata, diante do Benfica). No cômputo geral, leva, até ao momento, 13 golos e 15 assistências, em 53 jogos realizados na presente época, números que espelham toda a sua categoria e influência na turma orientada por Rui Borges.

Kévin Zohi Tamble Monteiro
Fonte: Edmilson Monteiro/Bola na Rede

Kévin Zohi – O avançado maliano aparece como a principal referência ofensiva do conjunto orientado por Luís Tralhão e, naturalmente, como alguém habituado a decidir em contextos de pressão. Uma final é sempre o momento em que os jogadores mais decisivos costumam marcar presença e Zohi enquadra-se nesse perfil depois de uma época consistente, onde somou nove golos e uma assistência, em 37 jogos, sendo, atualmente, o melhor marcador da equipa e também um dos mais eficazes da prova, com quatro golos em seis partidas. Para além da sua capacidade de finalização, destaca-se pela forma como ataca a profundidade, pela velocidade nas transições e pela força nos duelos físicos, algo que lhe permite explorar qualquer espaço deixado pela defesa adversária e transformá-lo rapidamente num verdadeiro perigo para a baliza contrária.

XI´s PROVÁVEIS

Sporting: Rui Silva; Eduardo Quaresma; Ousmane Diomande; Gonçalo Inácio; Maxi Araújo; Morten Hjulmand; Hidemasa Morita; Geny Catamo; Francisco Trincão; Pedro Gonçalves; Luis Suárez

Treinador: Rui Borges

«A justiça é relativa, dependendo de como olhamos para ela e para o jogo. O grupo é merecedor da final, de lutar pelo troféu e de vencê-lo. A equipa dará a vida, momento histórico para o clube e para os seus atletas. Temos de estar preparados para o jogo. O Torreense demonstrou esta semana toda a sua qualidade contra uma equipa da Primeira Liga. Não foram 15 dias ou dois jogos menos conseguidos que ditam a época. Foi uma época fantástica, lutámos com tudo até ao final. Não fomos campeões, mas queremos conseguir o segundo melhor troféu do país, num ambiente especial. Especial para nós e ainda mais para quem está do lado de lá. Merecemos, tal como o Torreense diz que merece».

Torreense: Lucas Paes; David Bruno; Stopira; Mohamed Ali-Diadié; Javi Vásquez; Guilherme Liberato; Léo Azevedo; Alejandro Alfaro; Luis Quintero; Dany Jean; Kévin Zohi

Treinador: Luís Tralhão

«Em primeiro lugar, nós priorizamos o campeonato. Mas agora estamos aqui envolvidos na Taça e não viemos aqui passear. Já usei essa expressão há um mês quando atingimos a final. Portanto, nós vimos competir. O mister Rui Borges disse que ia jogar com os melhores e nós vamos jogar com os melhores, de certeza absoluta. Temos um grupo que está preparado para jogar qualquer jogo e um plantel com muita qualidade. Portanto seja com A, B ou C nós estamos preparados. Uma coisa que eu garanto é: a equipa que começar amanhã vai estar preparada para competir e para tentar ganhar o troféu».

PREVISÃO DE RESULTADO: Sporting 2-1 Torreense

Raul Saraiva
Raul Saraiva
O Raúl tem 19 anos e está a tirar a Licenciatura em Ciências da Comunicação. Pretende seguir Jornalismo, de preferência desportivo. Acredita que se aprende diariamente e que, por isso, o desporto pode ser melhor.

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