A possível confirmação de Marco Silva como o novo treinador do Benfica fecha um período de muita indecisão na Luz e traz a grande pergunta: será ele o homem certo para o atual momento do clube?
Olhando para o mercado e para os nomes disponíveis, a resposta é sim. O Benfica não foi contratar uma promessa ou uma incógnita, mas sim um treinador feito e com provas dadas no futebol europeu. Marco Silva começou por baixo no Estoril Praia, passou por grandes desafios e afirmou-se na Premier League.
Chega agora à Luz no momento perfeito da carreira, juntando a sua maturidade e experiência em Inglaterra à ambição de voltar a Portugal para lutar e ganhar títulos.
O melhor argumento a favor de Marco Silva é a sua capacidade para organizar equipas e gerir balneários difíceis. No Sporting, lidou com uma fase de grande instabilidade diretiva e, mesmo com um plantel limitado, conseguiu vencer uma Taça de Portugal.


Na Grécia foi campeão pelo Olympiacos e, no Fulham, virou uma lenda ao estabilizar na liga mais competitiva do mundo um clube que andava sempre entre divisões. É um treinador que sabe potenciar os recursos que tem à disposição e que demonstra um excelente critério na escolha de reforços, uma qualidade essencial para um Benfica que tem falhado bastante no planeamento desportivo das últimas épocas.
O grande benefício desta contratação reside na provável entrega das chaves do projeto desportivo a quem realmente percebe do jogo. O Benfica tem demonstrado debilidades crónicas na montagem dos seus plantéis recentes, e dar autonomia total a Marco Silva para definir a filosofia da equipa e o perfil dos jogadores é o passo mais inteligente para profissionalizar o futebol do clube.


Um treinador com esta rodagem internacional exige uma estrutura que o acompanhe, funcionando como um escudo protetor para o balneário e garantindo que as decisões de mercado são tomadas em função das necessidades reais do relvado e não de impulsos de última hora.
Em termos táticos, a escolha encaixa muito bem no plantel atual, sem exigir uma revolução total que o curto tempo de pré-época nunca permitiria. Ao contrário de um futebol que se adapta demasiado aos adversários ou de um estilo excessivamente defensivo e expectante, Marco Silva aposta num 4-2-3-1 ou num 4-3-3 muito dinâmico.


As suas equipas jogam com uma pressão alta para recuperar a bola em zonas adiantadas e atacam de forma rápida e vertical. A sua grande imagem de marca é a dinâmica do terceiro homem, onde o avançado baixa para receber de costas e tabelar de imediato com os médios e extremos, um modelo que promete potenciar a capacidade física de Vangelis Pavlidis e soltar a criatividade de Andreas Schjelderup.
Em suma, Marco Silva tem todas as condições para ser uma excelente opção e trazer de volta a liderança e a identidade que há muito faltavam ao futebol do Benfica. O grande teste para o seu sucesso na Luz não será a sua qualidade, que é inquestionável, mas sim o espaço e a estabilidade que a direção lhe vai dar para trabalhar.
Se a estrutura do clube não falhar no planeamento e deixar o treinador liderar o projeto de forma convicta, o Benfica tem aqui a peça que faltava para voltar a apresentar um futebol dominador e regressar à rota das grandes conquistas.

