Roberto Martínez realizou a antevisão do Portugal x Nigéria. Último jogo de preparação luso antes do Mundial 2026.
Roberto Martínez fez a antevisão do encontro entre Portugal e Nigéria, o último dos jogos de preparação portugueses antes do Mundial 2026. O selecionador nacional começou por ser questionado sobre se pode este ser um ensaio geral para o jogo com o Congo:
«Não. Porque o primeiro jogo para cinco ou seis jogadores, continuamos. É o último jogo da preparação, o foco é preparar, recuperar e dar minutos a quem precisa. O primeiro objetivo é levar os jogadores para o avião preparados para o Mundial. É o objetivo número 1. Queremos ganhar. No futebol tens de esperar o inesperado. Aconteceu com o Chile, fizemos uma primeira parte de controlo total, com o vermelho jogar 10 contra 10 atingimos um bom resultado, mas também há aspetos a melhorar. Temos uma oportunidade agora para trabalhar aspetos que são semelhantes ao que teremos diante do Congo. Uma equipa africana diferente. Um adversário exigente, que será um teste para preparar o nosso grupo».
«São muitos jogos que preparámos sem onze inicial. A força de Portugal é o compromisso de todos. A responsabilidade é preparar os jogadores para ajudar a equipa. Para usarem o seu talento para ganhar. A ideia é fazer onze substituições. E tentar que todos tenham minutos», prosseguiu Roberto Martínez.
Roberto Martínez foi questionado sobre qual o estilo de jogo desta Seleção:
«É muito fácil. É um grupo de jogadores com muito talento. Temos uma estrutura e disciplina dentro desse talento para ganhar todos os jogos. Os números estão aí. Golos, vitórias… Compromisso total, para defender rápido, em cima, e isso é o estilo, o que temos depois de 15 anos de trabalho na formação do futebol português. Outro aspeto é o tático. É algo diferente de falar da nossa estrutura tática. O estilo é o que temos. A estrutura tática é a estratégia de jogo para ter uma vantagem sobre o adversário. A ideia é ter flexibilidade tática para ajustar o talento individual dentro da estrutura da equipa. E isso é o que estamos a trabalhar. É muito difícil para pessoas de fora que não têm conhecimento de futebol poder falar do aspeto tático, mas o estilo é muito fácil e definido».
Roberto Martínez deixou vários elogios a Cristiano Ronaldo:
«O nosso capitão é um exemplo para o dia a dia. São 24 horas a dar tudo para ajudar a Seleção. Eles não pensam no futuro. Não sabemos. Há lesões. Há decisões que não estão nas tuas mãos. Foco é treinar, ser o melhor, executar os conceitos. Mostrar orgulho de vestir a camisola. É esse o exemplo dele. O único objetivo dele é usar o amanhã para melhorar».
Roberto Martínez abordou o aspeto físico da Seleção Nacional:
«Não é o fim de época. Agora é o começo de época… O balneário tem frescura, alegria… Os que jogaram na Champions já estão totalmente recuperados. Agora é reativar e recomeçar o aspeto físico para o Mundial. Lá haverá dois Mundiais. Estamos preparados para os três primeiros jogos. No Mundial é preciso melhorar muito nesses três jogos. É aqui onde podemos pensar no segundo Mundial. Temos amanhã um bom jogo, dia de Portugal, precisamos dos adeptos, a energia que tivemos no Jamor ajudou muito no aspeto psicológico. Que amanhã seja um passo em frente nessa preparação».
Roberto Martínez falou sobre João Cancelo e confirmou titularidade de Diogo Costa:
«Todos os jogadores que jogaram mais de 45 minutos recuperaram muito bem. A nossa ideia era o João Cancelo ter mais de 45 minutos. O seu estilo e capacidade física permite isso. Como Bruno Fernandes, Ruben Dias. Há jogadores que precisam de aspetos fisicamente diferentes. Amanhã temos só a limitação do Rafael Leão. Todos os outros estão preparados. Na baliza o Diogo Costa vai jogar os 90 minutos. É o nosso guarda-redes número 1, é uma posição que precisa de muita clareza. Nas posições de campo são para utilizar amanhã e que seja um jogo com muitos jogadores, mas com a mesma intensidade e ideia. Para ganhar o jogo juntos».
Roberto Martínez respondeu ao Bola na Rede, a nível dos adversários desta preparação:
«É uma mistura importante. Estamos a falar de uma equipa asiática, mas tem um treinador europeu com muita experiência em Mundiais. É uma equipa que tem clareza tática muito forte. O resto é uma mistura. Também há um aspeto de desconhecido. Não sabemos como uma equipa que nunca jogou um Mundial pode ajustar num jogo. Durante 3 ou 4 cinco jogos é fácil poder esperar um nível. Durante o jogo, já tive essa experiência contra o Panamá, há um aspeto inesperado, pois não consegues preparar o nível a que podem chegar. É uma final dentro das suas carreiras. O Chile, o aspeto emocional, de duelos, é muito semelhante à Colômbia. A Nigéria é muito diferente do Congo, mas tem aspetos semelhantes ao Congo. A capacidade dos atacantes, os espaços da linha defensiva, muitos jogadores na zona central. O aspeto tático é diferente, mas culturalmente há aspetos semelhantes. Os quatro adversários deram tudo aquilo que precisamos para a fase de grupos».
«Nunca um selecionador estrangeiro foi campeão do mundo? É um desafio que adoro. A minha carreira está cheia de desafios assim. É o primeiro Mundial com este formato. Acho que é o momento especial para poder fazer uma conquista, algo que nunca foi feito», disse ainda Roberto Martínez.
Roberto Martínez falou sobre o objetivo de Portugal para este Mundial, depois de Pedro Proença, presidente da FPF, dizer que a meta mínima ser os quartos de final:
«O presidente é uma pessoa que tem a sua opinião. Respeito a sua opinião. Para mim, o Mundial são 3 jogos. É muito chato dizer isso, mas é a realidade. O foco é o jogo de amanhã. Depois os três jogos a seguir. A ideia é ganhar tudo, ganhar oito jogos. Seja nos 90, aos 120 ou nos penáltis. O que podemos controlar é a atitude, mostrar talento, arriscar, com a personalidade que mostrámos na Liga das Nações».
«Episódios extra-jogo no Mundial? Não me preocupa. Estamos a falar de um Mundial. Aconteceu o mesmo em todos os Mundiais. É a maior competição do mundo. Fazem parte do que significa estar num Mundial. Nós só preparámos o treino, recebemos o Presidente da República, sempre portas fechadas. Preparar o jogo de amanhã e mais nada», disse ainda Roberto Martínez.
Roberto Martínez deixou mais elogios à Nigéria:
«Gosto muito ideias do selecionador da Nigéria. A forma como muda. Utiliza muito bem as valências da sua equipa. Atacantes muito rápidos e fortes. Estilo diferente do Chile. É importante trabalhar isso. Quando há jogos pela seleção, o trabalho é sempre consequência para ganhar. Precisamos de fazer o que fizemos bem. O trabalho na Seleção é importante todos os dias. O jogo do Chile acelerou muito, acho melhor ganhar 2-1 do que 2-0, para aspetos de avaliar, poder melhorar. Amanhã o mesmo. Vamos tentar ganhar, mostrar clareza no que queremos no relvado. Abrir competitividade no relvado. E no final celebrar com os adeptos o último jogo da preparação para o Mundial».
Roberto Martínez foi questionado sobre se ponderou dar minutos a Ricardo Velho:
«É um equilíbrio o que todos precisam. Era importante o José Sá e o Rui Silva tivessem minutos, mas também recuperar o Diogo Costa, pois esteve acima dos 4000 minutos. A sua preparação para o primeiro jogo precisava de mais treinos. O Ricardo está a trabalhar muito bem. A posição do guarda-redes é muito importante ter 90 minutos antes de um Mundial. Para o Diogo Costa foi o processo perfeito. É o começo da nova época. O Diogo desligou e agora começa a nova época. E faz sentido jogar os 90 minutos amanhã».
Portugal está no Grupo K do Mundial 2026 e defrontará RD Congo, Uzbequistão e Colômbia na fase de grupos. Recorda os 27 convocados de Roberto Martínez para a competição.

