Numa longa entrevista à Marca, Carlos Vicens refletiu sobre a época de estreia no Braga, o regresso de José Mourinho ao Real Madrid e a saída de Rodrigo Zalazar.
Na sua época de estreia no comando do Braga, Carlos Vicens guiou os gverreiros às meias-finais da Europa League e ao quarto lugar da Primeira Liga. O técnico espanhol concedeu uma longa entrevista à Marca, na qual começou por refletir sobre a temporada:
«É difícil avaliar-se a si próprio, mas estou satisfeito. Foi uma época de crescimento para os jogadores, para o clube e para nós, enquanto equipa técnica. Começámos a competir no final de julho para garantir a qualificação para a Liga Europa e tivemos de ir ajustando o ritmo, mas conseguimos criar uma identidade e recebemos muitos elogios pelo nosso jogo, para além dos resultados. (…) O presidente apresentou-me um projeto ambicioso e decidimos avançar. A pressão era maior, uma vez que já era o treinador principal, mas fiquei muito entusiasmado. Acho que correspondemos às expectativas com conquistas importantes, como as meias-finais da Liga Europa ou a chegada à final da Taça da Liga. A minha sensação é que os adeptos estão satisfeitos com o trabalho».
De seguida, abordou a diferença de poderio financeiro entre os ‘três grandes’ de Portugal e o resto da Primeira Liga:
«Os grandes clubes de Portugal têm um orçamento três vezes superior ao nosso e tem sido uma luta difícil, mas criámos um modelo e a equipa sabe o que tem de fazer em campo. Na verdade, às vezes brinco com os jogadores e digo-lhes que posso ficar em casa, porque eles já sabem perfeitamente o que têm de fazer em campo. Isso é algo que me faz feliz como treinador. A nível económico, não podemos competir e temos de recorrer a outras armas, como trabalhar melhor, acertar nas contratações, cuidar e incentivar muito a formação de jovens talentos… Essa é a nossa missão e acho que estamos no caminho certo».
Carlos Vicens comentou a evolução de Rodrigo Zalazar, que rumou ao Sporting por 30 milhões de euros:
«Teve uma época espetacular. Assimilou bem a nossa ideia e o seu desempenho tem sido magnífico. Isso aconteceu com ele e com outros jogadores. Sentiram-se à vontade com a ideia e isso elevou o nível coletivo e beneficiou individualmente cada jogador. Acho que se divertiram e isso é fundamental para ter um bom desempenho».
O técnico falou também sobre o bom desempenho em embates contra o Benfica de José Mourinho:
«Não nos saímos nada mal. Foram três jogos, com dois empates no campeonato e um na Taça, em que vencemos por 1-3 em Lisboa. Competimos bem e sem medo contra o Benfica, o Sporting e o Porto. Entrámos sempre em campo para ganhar, mas reconheço que o Benfica foi o que nos causou mais dificuldades dos três».
Sobre a relação com o treinador português, referiu:
«No contacto pessoal, foi muito próximo de mim, quase cativante, no pouco tempo que tivemos para conversar. A sua dimensão como treinador é incontestável e o seu currículo fala por si. Não se pode pôr em causa a sua trajetória e a sua experiência. Está preparado para qualquer desafio e nenhum desafio o vai assustar».
Carlos Vicens destacou aquilo que espera ver no Real Madrid de José Mourinho:
«Intensidade e nível competitivo, sem dúvida. Mourinho é um treinador muito respeitado por todos, incluindo os jogadores. No Real Madrid não será diferente. Além disso, conhece o clube, a competição e sabe transmitir a mensagem como poucos, o que facilita a tarefa dos clubes ao confiarem-lhe a responsabilidade de veicular a imagem que pretendem passar. (…) Ele sabe muito bem o que o espera. Vai deixar a sua marca e vai fazer com que a equipa seja competitiva. Vai tentar, como sempre fez, criar uma defesa sólida para que seja difícil marcar-lhes golos e vai ajustar as peças no ataque de acordo com a qualidade dos jogadores de que dispõe».
Deixou ainda fortes elogios ao antigo treinador do Benfica e afirmou que trata-se da escolha correta para os merengues:
«É um homem inteligente e sabe adaptar-se a cada situação. Na sua primeira passagem pelo Real Madrid, a equipa voava com transições vertiginosas e menor participação dos avançados no bloco médio-baixo. Agora, no Benfica, tem tentado dominar os jogos a partir da posse de bola, com muita mobilidade dos jogadores, incorporação dos laterais,…. É capaz de se adaptar aos recursos de que dispõe e construir a partir daí. (…) É um treinador de topo. Vai formar uma equipa competitiva porque essa é a sua marca registada. Analisará muito bem as armas de que dispõe e colocá-las-á ao serviço do conjunto para ganhar jogos. Também costuma ter bom olho para reforçar os pontos fracos. À sua frente espera-o um adversário muito difícil e em ascensão, como o Barcelona, mas Mourinho compete sempre».
Carlos Vicens destacou a capacidade de José Mourinho para liderar estrelas no balneário:
«Tem personalidade, carácter e não se deixa influenciar por ninguém. Está neste meio há muito tempo e sabe como lidar com um balneário repleto de estrelas. É um líder e sabe como conquistar a confiança dos seus jogadores. Tem experiência de sobra para lidar com qualquer balneário que lhe calhe e, nesse aspeto, não deve haver dúvidas».

