EM DIRETO: Diogo Dalot antevê o Portugal x Usbequistão em conferência de imprensa

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Diogo Dalot marca presença na conferência de imprensa deste sábado, a três dias do Portugal x Usbequistão, na segunda jornada do Grupo K do Mundial 2026.

Diogo Dalot fala em conferência de imprensa de antevisão ao próximo jogo de Portugal no Mundial 2026. Após o empate a uma bola diante da RD Congo, a Seleção Nacional enfrentará com o Uzbequistão na próxima terça-feira, dia 23 de junho, com apito inicial marcado para as 18h00.

«Eu diria bom. Obviamente, tivemos dias difíceis depois de um resultado que não era aquilo que nós queríamos. Mas, à medida que os dias vão passando, acho que o foco vai mudando também um pouquinho de volta ao normal e àquilo que nós queremos, que é vencer o próximo jogo. Portanto, diria que estamos mais do que o normal focados e com esse grande objetivo de vencer o próximo jogo aqui».

Quando questionado sobre a capacidade de Cristiano Ronaldo, o lateral respondeu:

«Eu acho que já é sabida por toda a gente a capacidade que o Cristiano tem em lidar com a crítica. Já são mais de 20 anos a jogar pela seleção. Penso que aquilo que ele traz ao grupo e aquilo que ele nos tem transmitido é, obviamente, essa confiança de que esta crítica faz parte, e principalmente ao grande nível a que nós temos a possibilidade de jogar. Estando numa das maiores competições, se não a maior competição do futebol mundial, a crítica estará sempre lá. Agora, a confiança que ele passa, nós para ele e ele para nós, sempre foi a mesma e sempre será. Enquanto ele representar a seleção, eu acho que ele terá essa capacidade e estará sempre pronto para ajudar».

Sobre se o baixar das expectativas pode ajudar Portugal.

«Eu acredito que sim. Tentamos sempre, principalmente nós jogadores e o staff, encontrar uma forma positiva de sair também em momentos de dificuldade. Eu acho que isso pode ser um ponto também para nós de não fugir à responsabilidade, mas, ao mesmo tempo, de ter os pés bem assentes na terra. Eu acho que é importante para nós perceber que, para ganhar uma competição destas, é impossível não passar por dificuldades. Não me lembro de uma seleção ganhar o Mundial sem passar por dificuldades e sem passar por momentos onde tem que automaticamente também se reinventar um pouco durante a competição. Nós, tendo um resultado menos positivo, é exatamente isso que procuramos: tentar olhar para esse resultado e para a exibição como uma oportunidade para melhorar agora no jogo de terça-feira. E obviamente, não tendo o resultado que queríamos, fazendo uma autocrítica, somos os primeiros a perceber de que temos coisas que podíamos melhorar. Agora é importante para nós também continuar a sentir esse apoio, sentir que os portugueses estão connosco, sentir que temos qualidade para ir longe nesta competição. Mas, obviamente, como disse e volto a repetir, é impossível ganhar um Mundial sem passar por dificuldades».

Dalot quando questionado se a seleção tinha de vencer e convencer neste segundo jogo:

«Obviamente, vencer é sempre o mais importante. Convincente ou não, a vitória é sempre uma vitória. É isso que nós vamos procurar, até porque são três jogos, são poucos jogos para nós conseguirmos passar à próxima fase e, portanto, todos os pontos que nós consigamos somar para passar à próxima fase são sempre importantes. Agora, sabemos que vamos ter uma equipa, e obviamente daquilo que fomos vendo mais de perto agora do que os jogadores fizeram no Mundial, que é uma seleção bastante aguerrida, muito agressiva e o próprio jogador em termos individuais tem qualidade. Portanto, não podemos esperar um jogo fácil. Obviamente que nos vão criar dificuldades, como o próprio adversário anterior foi capaz de criar, pelo que cabe-nos a nós tentar encontrar soluções e, durante o próprio jogo, conseguir vencer. Eu acho que esse é o nosso grande foco».

Diogo Dalot falou sobre se é possível retificar algo sendo que existe pouco tempo de treino entre jogos.

«Sim, sendo que o tempo é curto, obviamente não temos muito tempo para treinar entre jogos. Mas eu acho que também, da análise que nós fizemos, houve alguns aspetos que foram bastante óbvios para nós. E, portanto, esses ajustes… eu acho que se tivéssemos que jogar o jogo no dia a seguir, conseguiríamos automaticamente retificar esses dois ou três detalhes que no momento do jogo às vezes é difícil tu te perceberes. Obviamente quem vê de fora é mais fácil porque vê o jogo de cima. Nós, estando dentro do campo, é mais difícil de ajustar. Como é lógico, nós temos mais uma oportunidade. O bom do futebol também é isso: é que há sempre aquela oportunidade a seguir, no jogo a seguir, para poder melhorar. Mas eu acredito muito que, mesmo sem grande tempo para treinar, nós consigamos retificar algumas coisas que ficaram por fazer».

Sobre se as críticas direcionadas especificamente à dupla de defesas-centrais são consideradas injustas pelo plantel:

«Reparem, eu não sou comentador. Por muito mais que algumas informações cheguem a nós, eu acho que já tiveram uma conferência bem elucidativa ontem para perceber que o grupo está completamente blindado. Eu acho que não tem que ser mais um assunto. Estamos sempre a carregar no mesmo assunto, até porque as críticas não vão acabar. Independentemente de ganharmos o próximo jogo ou não, de jogarmos bem ou não, as críticas vão surgir. A mensagem que nós gostamos de passar e queremos passar sempre é: obviamente, temos milhões de pessoas que querem que Portugal ganhe, e temos algumas pessoas, e muitas pessoas, que provavelmente não querem que Portugal ganhe. Agora, se quiserem remar connosco, nós vamos remar. O barco não vai parar, estamos todos no mesmo barco e é isso que nós queremos passar como grupo para fora. Ora, eu bem entendo e sei, e já estou há anos suficientes também no futebol para perceber, que a crítica vai fazer parte e vai ser sempre parte do processo. Não podemos fugir nem queremos fugir. Agora, o que nós queremos é perceber: OK, são críticas construtivas, há coisas que nós conseguimos melhorar? Vamos acatar, sem dúvida alguma, porque nós próprios queremos ser e somos os primeiros; nós que estamos no campo temos de ser os primeiros a fazer a diferença. Volto a repetir: a mensagem é clara. Nós, como grupo, estamos bem, estamos fortes, coesos, sabemos aquilo que temos que fazer no próximo jogo para ganhar. Obviamente queremos Portugal connosco e queremos toda a gente connosco, mas também sabemos perfeitamente que há muita gente que não quer. Agora focamo-nos principalmente nas pessoas que querem continuar connosco, querem trabalhar connosco, querem apoiar-nos, e é essa a nossa energia para este Mundial».

Diogo Dalot sobre a elevada concorrência na sua posição na seleção e como ele gere isso.

«A gestão é feita de uma forma muito natural. Eu acho que a minha carreira foi feita disso mesmo. Felizmente, em todos os contextos que eu tive, tive grande competição. Isso fez de mim melhor jogador. Obviamente sou o primeiro a querer jogar. Faço tudo para poder jogar e para poder, tanto no clube como na seleção, ser opção; sempre foi o meu grande objetivo, mas olho para isso de uma forma muito natural. Eu acho que aquilo que eu consigo controlar, tento ao máximo fazê-lo e fazê-lo bem. Depois, as escolhas serão sempre dos treinadores que eu fui tendo. Também fui provando ao longo da minha carreira de que, sempre que tive a oportunidade, consigo ajudar tanto no clube como na seleção. Ainda para mais numa competição destas, o desejo é muito grande de poder ajudar e poder estar lá dentro. Acho que é comum entre todos perceber que fazemos os máximos para poder ser um dos eleitos, mas também tenho consciência de que numa competição destas, e em que nós queremos muito chegar até ao fim, é muito difícil não haver oportunidades para toda a gente. Portanto, estarei cá ao máximo, prontíssimo para poder ajudar o selecionador, para poder ir para dentro de campo, e é esse o meu foco e será sempre assim».

Sobre quem seriam as pessoas a quem ele se referiu anteriormente como «não querendo que a seleção ganhe»:

«Há imensas pessoas que não querem ganhar ou que não querem que Portugal ganhe. Se eu tiver que nomear muitas pessoas, nunca mais saio daqui. Mas, como é lógico, isso faz parte. Nem é meu papel, nem é minha função estar aqui a nomear pessoas que querem tanto o bem como querem o mal. A minha função é ir ali treinar bem, passar também essa mensagem, por isso é que estou aqui também, para vocês perceberem que o grupo está forte, está unido. Eu acho que é importante também para vocês sentirem isso de que, apesar das críticas, apesar de não termos tido o resultado que queríamos, o grupo ainda assim procura soluções e quer muito que as coisas mudem. E é esse o nosso foco. Eu não posso estar aqui a tentar nomear ou dizer quem é que disse isto ou aquilo, porque não sou comentador».

Sobre se a lógica de colocar no onze duplas que já se conhecem faz sentido:

«Eu acho que, se olharmos para aí, temos muitos jogadores neste plantel que jogaram juntos e foram jogando juntos ao longo das suas carreiras. Acho que isso será sempre para mim um ponto positivo, porque cria dinâmicas entre os jogadores. Acabamos por já nos conhecer às vezes sem ter que pensar muito durante o jogo e eu acho que essa é uma das grandes vantagens de termos um grupo que partilhou muito o balneário e partilhou muitos momentos em campo juntos. Agora, se esta dupla é melhor que a outra dupla, isso não faz grande sentido na minha opinião, porque o contexto de seleção será sempre um contexto diferente dos clubes. Nós, obviamente, tentamos comparar muito, e é normal e é natural, porque aquilo que muitos dos jogadores que estão neste plantel têm feito nos clubes foi algo extraordinário, principalmente esta época. Agora temos que perceber que as dinâmicas são totalmente diferentes, o modelo de jogo é totalmente diferente. Para mim, a grande capacidade de um jogador da qualidade dos jogadores que nós temos é poder chegar aqui e efetivamente encontrar soluções num contexto diferente e em dinâmicas diferentes. Isso sim, para mim, é um grande jogador. E é isso que nós tentamos fazer ao máximo. Eu acho que os nomes todos que possas nomear e que mencionaste nessa pergunta, a grande vantagem deles e o facto de serem grandes jogadores é precisamente isso: é que, para além de terem qualidade nos clubes, conseguem chegar à seleção, adaptar-se e ter qualidade também aqui».

Sobre se as surpresas deste mundial servem de alerta:

«Eu sei perfeitamente que numa competição destas seria ingénuo da nossa parte chegar aqui e achar que é a parte teórica que vai ganhar jogos. Obviamente, é uma competição com muita exigência. Já para as seleções chegarem aqui é porque têm que ter mérito. E, claro, tivemos essa experiência viva que, mesmo jogando com uma seleção que teoricamente não seria tão forte, acaba por criar dificuldades e acaba por criar dinâmicas durante o jogo. Tu tens de estar constantemente à procura de soluções e às vezes podes não as encontrar. E eu acho que isso também torna bonita uma competição destas. Estás a assistir ao jogo e não sabes bem o que vai acontecer; não sabes se a equipa teoricamente mais fraca pode criar dificuldades e até pode ganhar o jogo. Eu acho que isso é o bonito do futebol e, quanto mais acontecer, acho que toda a gente e o real adepto do futebol vai gostar ainda mais. E eu como fã do futebol é isso que eu quero. Agora, como é lógico, quando é contra mim, prefiro que as equipas não façam grandes jogos e que Portugal saia vitorioso».

Ao ser relembrado que Rúben Dias afirmou que a equipa compreendeu o que correu mal e perguntou se assumir o favoritismo de Portugal publicamente faz mal ou prejudica a equipa, o português respondeu:

«Já tivemos o caso, obviamente, do primeiro jogo e eu acho que é nisso que nós temos que nos focar. Criou-se uma grande expectativa, e bem. Eu nunca escondi, nem quero que a seleção fuja a essa responsabilidade de perceber a qualidade que temos e o que podemos fazer na competição. Uma coisa é a expectativa que se cria, outra coisa é aquilo que nós fazemos na realidade. Quando a dificuldade chega e quando estes momentos chegam, e quando o momento aperta e a pulsação começa a subir, aí é que nós temos que perceber se vamos ter essa capacidade ou não. Se eu acho que temos? Sem dúvida alguma. Se nós estamos a fazer por isso? Claro. O resultado muitas vezes no futebol não transparece realmente aquilo que nós queremos e o que nós fazemos em cada jogo. Ficou claro que não fizemos o suficiente para ganhar o jogo, não nos vamos esconder disso. Temos mais uma oportunidade para alterar essa imagem que deixamos, sem dúvida alguma. E é isso que nós queremos com vontade, é isso que nós queremos trabalhar e queremos preparar esse jogo da melhor maneira possível. Temos 90 minutos para ganhar o jogo. Parecendo que não, eu acho que aquela ansiedade que nos foi criada depois de sofrer o golo, de querer ganhar o jogo e de querer controlar ao máximo com grande posse de bola, e sem muitas vezes procurar a baliza como procurámos nos primeiros 15 minutos, por exemplo… Acho que isso acabou por nos tolher um bocadinho em termos do jogo jogado em si. Daí também um bocadinho as declarações do míster de não tentar focar muito no objetivo final e naquilo que nós tanto queremos, mas pensar principalmente naqueles 90 minutos em que temos que jogar um jogo de futebol e temos que desfrutar também, e não ter tanta essa ansiedade. Mas eu acho que no fundo é um bocadinho reflexo daquilo que também os portugueses querem, do que vocês querem e do que nós queremos, que é chegar ao final da competição vitoriosos. Mas para chegar lá temos que ir passo a passo».

Ao comentar as declarações de Vitinha de que ter grandes jogadores não significa logo ter uma grande equipa.

«Sim, sem dúvida alguma. Eu acho que já demos provas suficientes disso. Como é lógico, não sei onde é que quer chegar com a pergunta, se o facto de termos grandes jogadores afeta o podermos ser uma grande equipa ou não, mas respondendo à tua pergunta diretamente: eu acho que sim, temos uma grande equipa e já o demonstrámos».

Sobre os ataques que o colega de equipa João Neves sofreu nas redes sociais e quis saber como é feita a ‘blindagem’ do grupo em relação a essas questões:

«Tivemos a oportunidade de ter, antes de chegar ao Mundial, uma conversa precisamente sobre isto, quase como uma previsão de que isso ia acontecer. Obviamente, quando tens um plantel, e ainda para mais quando estás dentro deste plantel, temos que estar preparados já para um alarido um bocadinho diferente do normal. E não, como é lógico, não fugiu à regra mais uma vez. Eu acho que o facto de termos tido essa conversa pré-Mundial para nos prepararmos também para estes momentos fez com que, quando essa altura chegasse, daí a mensagem, daí o facto de nós dizermos que o grupo estava blindado, nós sabíamos que isto ia acontecer. Sabíamos que íamos passar por dificuldades, sabíamos que íamos passar pela crítica, às vezes algo injusta, às vezes algo que não corresponde à verdade, mas que toma um alarido gigante e uma proporção gigante, e acabou por acontecer. O lado positivo, mais uma vez que eu vejo nisso, é que aconteceu cedo. E, portanto, quanto mais cedo acontecerem essas dificuldades e essas críticas, mais também acabamos por rematar o assunto e prosseguir. Nada melhor do que nos focarmos agora numa grande oportunidade que temos: mais um jogo de uma competição espetacular. Eu também acredito que no momento, quando chega, por muito mais que se critique o plantel, ou o treinador, ou os jogadores, quando o árbitro apita, representamos todos um país e eu acho que o português, à altura, acaba sempre por deixar um bocadinho isso de lado e foca-se em querer ganhar. Eu acho que o objetivo é comum».

Sobre se propôs a Riberto Martinez jogar a central devido às lesões:

«Devem imaginar que, se ele precisar de mim a jogar a guarda-redes, ele sabe perfeitamente que eu sou um jogador com essa capacidade de poder jogar em várias posições. Ele sabe que eu sou um jogador que ao longo da minha carreira fiz várias posições. E faz sentido também para mim dar a entender aos treinadores que eu tive que consigo ter essa capacidade. É lógico que eu não fui lá bater à porta e disse: ‘Apesar de não haver central, estarei lá’. Mas ele sabe, no fundo ele sabe. Não só eu, mas temos vários jogadores que podem fazer essa posição. Agora, as escolhas serão sempre dele, ele é que as irá fazer e ele sabe que tem vários jogadores que podem fazer várias posições».

Quando questionou sobre como a equipa lida com a rivalidade e o ruído nas redes sociais, e como conseguem manter o foco para tentar conquistar os três pontos no próximo jogo, Diogo Dalot respondeu:

«Da nossa maneira, obviamente. Ao redor de nós, não temos controlo. O que temos controlo é na maneira como preparamos. Creio que é importante para nós termos a confiança no momento em que entramos em campo, essa confiança de que podemos ganhar diretamente. É a maneira de dar resposta na terça-feira. Retirar a importância da equipa, tendo jogadores como o Cristiano Ronaldo e outros com experiência completa em Mundiais… Obviamente que sofremos um pouco, mas queremos retirar desta experiência algo de positivo para nós em momentos de dificuldade, tentar manter a tranquilidade no grupo. Creio que estamos a tentar manter a tranquilidade pelo facto de não termos ganho o primeiro jogo do Mundial; no final, sabemos que foi um resultado que não correspondeu à qualidade que temos, mas em princípio para ganhar um Mundial é impossível não passar por dificuldades. Fizemos uma preparação para estes momentos».

Ao ser relembrado que a equipa adversária (Uzbequistão) tem a mesma tática muito fechada (bloco baixo e com cinco defesas), o lateral rematou:

«Obviamente, jogar contra uma equipa com um bloco, com uma linha e uma estrutura dessas, é difícil encontrar espaços. Creio que principalmente gente no meio. Pelo que vemos, tem sido claro aquilo de mais positivo que podemos retirar do jogo, porque foi claro o que nos faltou. Agora, obviamente, jogando contra uma equipa com a cara do seu treinador, que obviamente é um treinador experiente, defensivamente essa equipa tem uma capacidade tática de saber o que tem de fazer com e sem bola. Então, para nós, é encontrar um plano. Temos jogadores que, no momento, podem encontrar soluções que se calhar não preparámos no princípio, e isso mostra que o plantel pode ser bastante positivo para nós. Sabemos que vai ser difícil, mas temos todas as condições para ganhar».

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