5 jogadores de Portugal que merecem mais protagonismo no Mundial 2026

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Completados dois jogos, há pontos positivos e negativos a referir acerca da prestação de Portugal até então. Naturalmente, há sempre aspetos a melhorar tanto do ponto de vista coletivo, como do ponto de vista individual. Nesse segmento, Portugal pode lucrar com a subida de rendimento de alguns jogadores se estes tiverem mais minutos do que até então, ou se encaixarem numa caixa tática mais propícia a retirar melhor partido das suas características.

Ficam aqui cinco nomes que merecem mais protagonismo na seleção portuguesa, seja através de mais minutos de jogo ou através de maior relevância tática:

5.

Gonçalo Inácio
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Gonçalo Inácio – É o único defesa central ainda sem minutos por Portugal nesta edição do Mundial. Tanto Tomás Araújo, Ruben Dias e Renato Veiga deixaram exibições consistentes e pouco erráticas frente à RD Congo e Uzbequistão, tendo ainda em conta que Roberto Martínez alinha sempre com um central de pé esquerdo e um central de pé direito, o grande ‘opositor’ à titularidade de Gonçalo Inácio é Renato Veiga.

Desenvolvendo por aí, é de sublinhar que Gonçalo Inácio tem um perfil distinto de Renato Veiga, sendo menos combativo e prepotente no jogo aéreo, mas com mais argumentos na construção e na ligação de jogo para o ataque, principalmente através do passe, onde tem facilidade em encontrar colegas de equipa entre as linhas adversárias.

4.

Francisco Trincão na Qualificação para o Campeonato do Mundo de 2026: Portugal vs Rep. Irlanda
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Francisco Trincão – Teve direito a 26 minutos muito tímidos frente ao Uzbequistão. Com pouca bola e protagonismo, procurou acelerar pelo corredor central através de combinações curtas a um/ dois toques com Cristiano Ronaldo e Bruno Fernandes, mas raramente com sucesso.

Trincão pode surgir como uma alternativa válida no papel de João Félix na ativação do corredor central, mas do lado contrário. Surgindo entre linhas, pode acelerar o jogo, seja através das ditas combinações ou do drible curto, como acontece quando joga no Sporting.

3.

Gonçalo Ramos Portugal Ruben Amorim
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Gonçalo Ramos – Devemos estar todos igualmente cansados de todo o debate em torno da titularidade indiscutível de Cristiano Ronaldo e se Gonçalo Ramos merece ser o titular da seleção ou não. Considerando que Cristiano Ronaldo é titular e ponto, todo o debate torna-se obsoleto, e por isso mesmo não o vou alimentar. Não obstante, parece-me igualmente irrefutável que, por melhor que seja um atleta, não faz sentido jogar todos os minutos de todos os jogos ao mais alto nível, especialmente quando este atleta tem mais de 40 anos de idade.

Por isso mesmo, creio que Gonçalo Ramos pode ter mais minutos neste mundial do que os pobres oito minutos que pôde jogar frente à RD Congo. Há argumentos a favor da utilização do avançado do PSG: o torneio é longo e com jogos de três em três dias, pelo que a rotatividade torna-se essencial, por isso mesmo Gonçalo Ramos pode e deve entrar para fazer descansar Ronaldo ou outro colega de equipa, seja porque precisamos de um golo e ter mais um ponta de lança faz sentido, ou porque já resolvemos a partida e faz sentido gerir o plantel.

2.

Bruno Fernandes Portugal
Fonte: Carlos Silva/Bola na Rede

Bruno Fernandes – Talvez pareça um pouco ambíguo dizer que Bruno Fernandes merece mais protagonismo na seleção portuguesa quando é um dos totalistas da equipa. Terá mais nexo se tivermos em conta os terrenos que pisa dentro de campo e não os minutos que jogou. Por outras palavras, acho que Bruno Fernandes deve ter mais protagonismo dentro das quatro linhas, ainda que jogue sempre.

No jogo inaugural, Bruno Fernandes esteve muito preso aos centrais congoleses, jogando quase como um avançado, passando inevitavelmente ao lado do jogo. Por outro lado, deixou uma boa exibição frente ao Uzbequistão, onde conseguiu posicionar-se atrás do avançado e receber entre linhas, combinando com colegas em missão semelhante (como João Félix) ou a fazer uso da sua definição no último terço. Por aqui, percebe-se que há um Portugal quando Bruno Fernandes joga liberto e é dos principais intervenientes em campo e quando está apagado e numa posição que lhe é naturalmente desconfortável.

1.

João Félix a jogar por Portugal
Fonte: Edmilson Monteiro/Bola na Rede

João Félix – Tem sido uma gestão estranha a de João Félix. Num jogo até propício para as suas características, não foi opção, mas foi titular no jogo seguinte, saindo a meio da segunda parte quando estava a ser dos melhores em campo. Verdade seja dita, a melhoria exibicional de Portugal tem várias explicações, começando no nível do mais recente adversário e terminando no perfil dos titulares escolhidos e as missões que lhes foram oferecidas. Dentro desta última vertente, João Félix foi importantíssimo na criação de oportunidades frente ao Uzbequistão por diversos motivos.

Operando entre as linhas adversárias, foi capaz de ativar Nuno Mendes pelo flanco esquerdo, oferecendo opções de chegada à área pelo corredor. No corredor central, combinou bem com Bruno Fernandes e com Cristiano Ronaldo. É injusta a comparação com Bernardo Silva, até porque são dois jogadores diferentes e que jogam em posições diferentes; por isso, é claro que João Félix é mais objetivo neste papel de extremo invertido e oferece mais ao jogo que o colega de equipa, mais talhado para posições mais recuadas, nesta fase da carreira – na verdade, é bem possível ter os dois ao mesmo tempo em campo, talvez até devesse acontecer.

O sucesso de Portugal tem que passar por colocar os jogadores associativos que tem à disposição em posições que os opositores considerem incómodas. Bem sabemos que o nível do Uzbequistão é muito inferior ao nível médio das restantes seleções do mundial, mas o plano tem que ser por ali: popular o corredor central, encontrar jogadores como João Félix e Bruno Fernandes entre linhas, criar mini sociedades e ter opções em ambos os corredores e ameaça constante às costas da defesa.

Rui Gonçalves
Rui Gonçalves
Licenciado em Sociologia, o Rui Gonçalves aborda o futebol dentro e fora das quatro linhas. Através de um olhar crítico, escreve sobre tática, gestão desportiva e os seus impactos individuais e sociais.

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