Ruben Amorim prestou as primeiras declarações como treinador do AC Milan, durante a conferência de imprensa desta quarta-feira.
Esta quarta-feira, o AC Milan apresentou o novo treinador aos adeptos rossoneri em conferência de imprensa. Ruben Amorim começou por agradecer a oportunidade e pediu desculpa por ainda não falar em italiano:
«Lamento não falar italiano, mas quero aprender logo. É uma honra estar aqui, sinto que a cidade nos apoia, adoro Milanello porque tem tudo o que é preciso e o pessoal é fantástico. Sinto-me em casa».
De seguida, o técnico português afirmou que tentará estabelecer as suas ideias e o seu método de trabalho no clube:
«Para além do que dizemos, o que fazemos é importante. O Milan é um desafio e é muito mais do que uma vitória ou um título. É algo pessoal; vou tentar trazer a minha mentalidade. Acredito no Milan e quero aprender tudo sobre o futebol italiano. Tenho a certeza de que as coisas vão correr bem».
Questionado sobre a chegada Gonçalo Ramos como reforço, Ruben Amorim referiu:
«Olho para a equipa como um todo; cada um terá a sua função. Fazemos muita observação de jogadores; acredito muito no Gonçalo — viram o golo que ele marcou contra a Croácia, enfrentando três defesas? E, em Itália, os avançados são frequentemente marcados assim. Para mim, é importante ter jogadores que se integrem bem na equipa; bastam-lhe cinco minutos para perceber como joga. Acredito na equipa e estou contente com a sua chegada, que foi também muito rápida. O Leão também jogou muito bem no Mundial».
Ruben Amorim falou sobre o peso de toda a história do AC Milan:
«Observei muito o Arrigo Sacchi e as ideias que ele trouxe para o campo; lembro-me do Capello, do Ancelotti. É difícil escolher apenas uma recordação do Milão do passado; sinto a responsabilidade de estar aqui. Queremos vencer, é um belo desafio. (…) É certo que queremos conquistar a segunda estrela, embora eu saiba que vai ser difícil. Não sei qual será o nosso maior desafio, mas o objetivo é dominar. Depois veremos».
O técnico revelou também a razão que o levou a aceitar a proposta:
«Aceitei não por se tratar do Milan, mas porque sei qual é a revolução que está a decorrer neste momento. Na minha cabeça, algo se despertou logo após a primeira reunião, porque gosto da equipa e gosto dos objetivos. Tive várias reuniões e, quando sentes que estás rodeado pelas pessoas certas, esses são os ingredientes de um desafio que quis aceitar».
Questionado se chegou a conversar com os treinadores portugueses que passaram no AC Milan (Paulo Fonseca e Sérgio Conceição), Ruben Amorim referiu:
«Conheço os dois, mas quero fazer as coisas à minha maneira. Quero sentir com as minhas próprias mãos a situação que tenho diante dos olhos».
Ruben Amorim revelou também os planos para o plantel da próxima temporada:
«Estou satisfeito com a equipa. O nosso trabalho consiste em avaliar a equipa e identificar os jogadores que possam ser interessantes, e todos juntos vamos trabalhar para construir a melhor equipa possível. Ainda temos de conhecer a fundo todos os nossos jogadores. (…) Se começasse a época com esta equipa, ficaria contente. Ainda não conheci os jogadores e quero avaliá-los nos treinos. Há jogadores que vão ficar connosco; precisamos de jogadores bons no 1 contra 1 — penso, por exemplo, no Saelemaekers ou no Chukwueze — e também vou avaliar aqueles que regressaram dos empréstimos. Vamos ver primeiro quem temos e depois quem contratar, tendo também em conta a vertente económica».
O técnico afastou comparações a José Mourinho:
«Aprendi muito com ele, mas sou completamente diferente. Quando se é treinador, não se deve imitar ninguém; tenho imenso respeito por ele, ao ponto de me considerar seu amigo, mas não esperem de mim um estilo de comunicação à Mourinho».
Sobre o futuro de Luka Modric, referiu:
«É um jogador que queremos manter; já falei com ele duas vezes e, se for preciso, posso voltar a falar com ele. Os dirigentes também falaram com ele, e esperamos que ele possa ficar».
Ruben Amorim deixou uma mensagem aos adeptos rossoneri:
«Para os adeptos, não é fácil passar por este período difícil; compreendo o que significa estar fora da Liga dos Campeões. A primeira pergunta que fiz nas reuniões foi se tínhamos os meios necessários para superar este momento e recebi respostas positivas. A única coisa que posso prometer é que farei sempre o que for melhor para o clube, mesmo que não seja aquilo que agrada a todos. Temos uma ideia de como queremos jogar e isso é um ponto de partida; queremos vencer desde o início e construir tudo a partir daí».
Abordou também a forma como se relaciona com os jogadores e a ligação entre as culturas de Portugal e Itália:
«A cultura portuguesa e a italiana baseiam-se muito na criação de relações e eu sou assim. Estarei sempre próximo dos jogadores e serei honesto com eles; tentarei ser justo e correto, porque é assim que se conquista a confiança. Gosto do contacto humano, temos uma equipa excecional e queremos cuidar dos nossos jogadores, mas penso que a confiança deles também se conquista com a forma de jogar».
Questionado sobre o papel de Christian Pulisic na equipa, Ruben Amorim afirmou:
«É um jogador de grande talento, perfeito para o futebol italiano e capaz de fazer a diferença. Tenho as ideias muito claras sobre como o utilizar, partindo da esquerda e deslocando-se para o centro. Agora espero que recupere rapidamente da lesão».
Por fim, Ruben Amorim refletiu sobre a experiência no comando do Manchester United:
«Cometi erros com os quais aprendi muito; acho que sou um treinador melhor».

