Israel Dionísio está na Tribuna VIP. O técnico de 50 anos trabalhou onze temporadas na formação do FC Porto, trabalhou diretamente com jogadores como Diogo Costa, Vitinha, Diogo Dalot, Fábio Vieira e Francisco Conceição, entre outros.
A introdução das “pausas para hidratação” representa uma mudança significativa na forma como o treinador pode influenciar o jogo. Tradicionalmente, a intervenção direta das equipas técnicas durante a partida era limitada pelas interrupções naturais e mesmo nessas, nunca conseguiam comunicar com toda a equipa em simultâneo. Durante o Mundial essa realidade alterou-se.
O treinador passou a dispor de um momento formal para interromper a dinâmica do jogo e reunir com toda a equipa. Esta pausa permitiu corrigir aspetos táticos, ajustar o posicionamento, redefinir comportamentos coletivos e individuais e responder imediatamente ao que estava a acontecer em campo.


A pausa para hidratação transformou-se num momento de influência direta na equipa não só tecnicamente e taticamente, mas também fisicamente e mentalmente. Em suma, as duas interrupções de três minutos, a meio de cada uma das partes, tiveram, em vários jogos, influência no resultado.
Esta inovação pode transformar-se, caso venha para ficar, numa mudança estrutural e cultural profunda no futebol. Embora fundamentais para a saúde dos atletas, em situações extremas de temperatura, o aumento da duração das pausas, para permitir uma subida extraordinária nas receitas televisivas, pode abrir as portas para um novo futebol.
Para muitos, a crítica mais comum a esta inovação vem daqueles que consideram que estamos a assistir a uma aproximação perigosa aos desportos com influência nos Estados Unidos, com a preocupação a estar virada para o entretenimento e não para a competição.
A continuidade das pausas a nível global ainda está sob avaliação. A imposição sistemática em todos os jogos, sem olhar a temperaturas, divide opiniões sobre a emotividade e a magia do jogo. Será que o poder do dinheiro vai ter capacidade para mudar, mais uma vez, o Futebol?

