A temporada 2026 de Fórmula 1 parece ter começado ainda há pouco tempo, mas a verdade é que já vamos a meio desta longa viagem que terminará em Abu Dhabi.
Entrámos nesta nova era da Fórmula 1 com muita expetativa e curiosidade para perceber como as equipas e os próprios pilotos se adaptariam aos novos regulamentos. A pausa de verão chegou, e esta é a altura ideal para fazer um balanço de como tem corrido a temporada.
Desde março até ao Grande Prémio da Hungria realizaram-se 11 corridas, em vez das 14 expectáveis, porque os GP do Bahrain e da Arábia Saudita foram cancelados devido à guerra no Médio Oriente. Aliás, o GP do Bahrain decorrerá no início de outubro, mas na Malásia. A Fórmula 1 regressa ao circuito de Sepang nove anos depois.
Os cinco semáforos só se voltam a acender no GP dos Países Baixos, no dia 23 de agosto.
Mercedes: O domínio das Flechas de Prata lideradas por um prodígio italiano
À entrada para esta temporada, a Mercedes era vista como a equipa mais bem preparada para atacar o título de construtores, que lhe escapa desde 2021. É a atual líder do campeonato, com 379 pontos, e dispõe de uma margem de 72 pontos sobre a segunda classificada, Ferrari.
O favoritismo confirmou-se. A equipa chefiada por Toto Wolff venceu oito corridas, conquistou duas dobradinhas e colocou sempre pelo menos um carro no pódio. A formação germânica parece ter regressado aos seus tempos de glória, embora tenha vencido duas das últimas cinco corridas.
Quando tudo indicava que este seria o ano da afirmação de George Russell como candidato ao título mundial, surgiu um jovem chamado Kimi Antonelli que está a roubar o protagonismo a toda a gente. O piloto italiano lidera o campeonato de pilotos, com seis vitórias e uma vantagem de 50 pontos sobre o segundo classificado, Lewis Hamilton.
A Mercedes iniciou a época de uma forma avassaladora com seis vitórias consecutivas, mas chega a esta pausa de verão com alguns sinais de quebra. Nas últimas corridas, o W17 tem relevado alguns problemas de fiabilidade e, sem a possibilidade de desenvolver o monolugar nas próximas duas semanas, será interessante perceber como se vão apresentar em Zandvoort.
Ferrari: O Cavallino Rampante ganha forma
O início não foi o melhor, mas, a partir das atualizações introduzidas em Barcelona, a Ferrari mostrou-se cada vez mais competitiva e provou que será sempre uma candidata à vitória. Apesar do domínio avassalador da rival Mercedes, a equipa de Maranello não está muito atrás e aguarda apenas um deslize para assumir a liderança do campeonato de construtores.
Com duas vitórias e apenas três corridas sem qualquer piloto no pódio, a Ferrari já soma, nesta temporada, mais triunfos do que em toda a época de 2025. Hamilton já teve o prazer de vencer ao volante do SF-26 e está na luta pelo título mundial, algo que não acontecia nos últimos anos.
Agora, o problema da Ferrari passa por definir prioridades. Está na disputa pelo título de construtores e conta com um piloto que ambiciona o seu oitavo troféu na Fórmula 1, mas e Charles Leclerc? Qual será o papel do monegasco na segunda metade da temporada?
Leclerc também está a realizar uma época consistente. Venceu em Silverstone, soma três pódios e, por várias vezes, ficou à porta do top-3. Além disso, está apenas a 31 pontos do companheiro de equipa. Frédéric Vasseur terá de tomar uma decisão importante sobre o rumo que a equipa pretende seguir, se é ajudar Hamilton a conquistar o título mundial ou dar uma alegria aos tifosi, algo que não acontece desde 2008.
McLaren: Os Papaya começam a amadurecer
Para uma equipa que venceu dois títulos consecutivos de construtores e um dos seus pilotos tem o número um no seu carro, esperava-se um pouco mais neste arranque de temporada. Contudo, a prestação sólida no GP da Hungria, culminando com a vitória de Lando Norris, pode marcar o início da ascensão da McLaren em 2026.
Além do triunfo no Hungaroring, a campeã mundial apenas venceu a Sprint de Miami, novamente com Lando Norris no lugar mais alto do pódio e com direito a dobradinha. Ainda assim, é pouco para uma equipa com as ambições da McLaren. O desempenho está longe de corresponder ao estatuto que conquistou nos últimos anos.
Norris terá uma tarefa complicada para revalidar o título. Ocupa a quinta posição e encontra-se a 91 pontos de Antonelli. A McLaren terá de dar um salto enorme para voltar a ser a equipa dominadora das últimas temporadas, até porque tem agora duas equipas à sua frente.
Os problemas de fiabilidade comprometeram a equipa, e Oscar Piastri é a prova disso. O australiano não participou nas duas primeiras corridas da época e o seu rendimento tem sido semelhante ao da parte final da época passada. Piastri já demonstrou ser um piloto de classe mundial, mas, nesta temporada, ainda não conseguiu confirmar esse estatuto.
Red Bull: Um touro sem asas
Antes do arranque da temporada, a parceria entre a Red Bull e a Ford parecia promissora, mas, até ao momento, tem sido um autêntico desastre. A equipa ainda não conquistou qualquer vitória, nunca se assumiu como verdadeira candidata ao triunfo numa corrida e soma apenas quatro pódios, todos alcançados pelo inevitável Max Verstappen.
Não parece haver luz ao fundo do túnel para a formação austríaca, apesar dos resultados satisfatórios obtidos nas últimas duas corridas. No entanto, uma equipa como a Red Bull não luta apenas por pódios, luta por vitórias. Algo que não tem acontecido e que levanta dúvidas sobre o futuro de Verstappen.
O neerlandês já afirmou que não gosta destes regulamentos e a própria Red Bull ainda não conseguiu compreendê-los na totalidade. Se não houver uma mudança de rumo, Verstappen poderá procurar novos desafios. McLaren e Mercedes surgem como possíveis destinos do tetracampeão mundial, ou até mesmo a reforma, uma hipótese já admitida pelo próprio.
O único ponto verdadeiramente positivo desta primeira metade da temporada é a prestação de Isack Hadjar. A Red Bull tem sido um cemitério de pilotos, mas o francês está a surpreender. Em muitas ocasiões, consegue acompanhar o ritmo de Max Verstappen, embora revele ser um piloto mais forte em qualificação do que corrida.
Racing Bulls: Os melhores dos restantes
Sem dúvida, uma das grandes surpresas da temporada. A Racing Bulls nunca fez do campeonato de construtores a sua principal prioridade, focando-se antes na formação de pilotos capazes de conquistar um lugar na Red Bull.
A equipa de Faenza tem conseguido resultados bastante consistentes. Liam Lawson atravessa uma excelente fase e, em 11 corridas, terminou oito vezes dentro do top-10. O neozelandês começa finalmente a recuperar a confiança, depois de um 2025 muito atribulado.
Outro dos destaques da Racing Bulls é Arvid Lindblad, o único rookie desta temporada. O piloto britânico está a mostrar que é uma aposta segura, apenas falhou o top-10 em quatro ocasiões e tem demonstrado um excelente ritmo em qualificação.
Alpine: O renascer das cinzas
No ano passado, ninguém acreditaria que a Alpine pudesse subir ao pódio nesta temporada, mas foi exatamente isso aconteceu. Depois de uma época desastrosa, a equipa liderada por Flavio Briatore começa finalmente a dar cartas.
O que certamente contribui para este aumento de desempenho foi a mudança para os motores Mercedes. A equipa francesa passou de lutar no fundo do pelotão para discutir regularmente por pontos. A Alpine dispõe agora de um carro muito mais competitivo e fiável e, além das quatro equipas do topo da tabela, foi a única equipa a alcançar um pódio.
Pierre Gasly terminou em terceiro no GP do Mónaco, mas não teve o privilégio de subir à tribuna real devido a uma penalização, que viria a ser revertida posteriormente. Franco Colapinto também tem sido uma agradável surpresa, ao agarrar o lugar com exibições muito sólidas.
Haas: Oliver Bearman assume o comando
Esperava-se que a Haas estivesse ao mesmo nível da Alpine, mas a realidade tem sido bem diferente. A equipa norte-americana ocupa a sétima posição, a 40 pontos da formação francesa, e não pontua desde o GP do Mónaco. Já lá vão cinco corridas.
O início da temporada até foi promissor, com entradas frequentes no top-10, mas, desde então, a equipa estagnou e caiu para o meio do pelotão. Oliver Bearman e Esteban Ocon afirmaram que o principal problema dos seus monolugares é a falta de consistência, fator que tem comprometido os resultados.
Apesar disso, Bearman está a viver uma época de afirmação. Depois de um primeiro ano satisfatório, o jovem britânico continua a demonstrar que merece um lugar na Fórmula 1, somando já 18 pontos, contra apenas três de Ocon. O piloto francês teve um arranque de temporada muito abaixo das expetativas e, se a tendência se mantiver, o seu lugar na Haas poderá estar em risco.
Audi: Um projeto em crescimento
Na sua época de estreia na Fórmula 1, a Audi revelou alguma inconsistência ao longo destas 11 corridas, mas o futuro parece promissor. Pontou logo na corrida inaugural, em Melbourne, viu o seu chefe de equipa demitir-se de forma inesperada, e nos últimos três Grandes Prémios, terminou sempre com um piloto dentro do top-10.
A equipa alemã ocupa o oitavo lugar, um resultado dentro das expetativas. Após a boa prestação na Hungria, Allan McNish, o novo chefe da equipa, afirmou que esta evolução faz parte de um processo contínuo e que constitui uma motivação extra para o resto da temporada.
Gabriel Bortoleto e Nico Hulkenberg formam uma dupla sólida e com um excelente entendimento. O piloto brasileiro leva vantagem sobre o companheiro de equipa, tendo como melhores resultados os oitavos lugares conquistados no Reino Unido e na Bélgica. Já Hulkenberg estreou-se a pontuar na Hungria, depois de terminar várias corridas à porta dos pontos.
Williams: Candidata à desilusão da temporada
O que dizer da Williams? A equipa de Oxfordshire viveu um sonho na temporada passada, ao terminar na quinta posição, impulsionada por dois pódios de Carlos Sainz. Este ano, porém, vive um verdadeiro pesadelo. Com apenas 11 pontos conquistados, somente à frente da Aston Martin e da Cadillac, a Williams está a ser uma das desilusões da temporada.
O excesso de peso do FW48 impediu a equipa de participar nos testes de pré-época em Barcelona, mas já passaram vários meses e continua sem existir uma melhoria evidente. Tal como a Haas, a Williams não pontua desde o GP do Mónaco.
Sainz e Albon não dispõem de um carro capaz de lutar regularmente pelos pontos e, ao que tudo indica, esse cenário deverá manter-se até ao final da temporada. O próximo grande pacote de atualizações está previsto para o GP do Azerbaijão, mas não há garantias de que seja suficiente para eliminar as principais limitações do monolugar.
Aston Martin: Muito investimento, poucos resultados
Com a chegada de Adrian Newey e a introdução do novo motor Honda, especulava-se que a Aston Martin entrasse na luta pelos pódios ou até pelas vitórias. Contudo, logo nos testes de pré-temporada percebeu-se que a realidade seria bem diferente, com a equipa a disputar os últimos lugares da grelha com a Cadillac.
A equipa de Lawrence Stroll nem sequer conseguiu terminar os primeiros Grandes Prémios da temporada, mas já amealhou um ponto. No GP do Mónaco, Fernando Alonso terminou na décima posição, beneficiando de uma penalização de dez segundos aplicada a Sérgio Pérez.
Tanto Alonso como Lance Stroll acreditam, com alguma cautela, que a segunda metade da temporada será mais positiva. Para o GP da Hungria, a Aston Martin introduziu um pacote de 16 atualizações, que permitiu reduzir cerca de dois segundos por volta e alcançar, pela primeira vez este ano, a presença no Q2 pelas mãos de Fernando Alonso. Estas melhorias aerodinâmicas, aliadas à redução de peso, poderão marcar a mudança de rumo para a equipa britânica.
Cadillac: O ano zero
Esta temporada será mais de aprendizagem do que de glória. Entrar na Fórmula 1 de raiz nunca é fácil e são poucas as equipas que conseguem afirmar-se de imediato. A Cadillac conta com uma dupla de pilotos muito experiente, um fator que poderá ser determinante para o sucesso do projeto a longo prazo.
Ainda sem qualquer ponto conquistado, Sérgio Pérez e Valtteri Bottas vão acumulando quilómetros no fundo do pelotão. No entanto, os constantes problemas de fiabilidade têm impedido a equipa recolher informação suficiente para identificar as áreas em que deve concentrar o desenvolvimento investir.
Ao longo da temporada a Cadillac desenvolveu alguns upgrades, mas os ganhos têm sido praticamente inexistentes. Continua a ser, de forma clara, o carro mais lento da grelha, ocupando frequentemente a última linha, tanto na qualificação como na corrida. O melhor resultado da equipa foi o 13.º lugar alcançado por Bottas no GP da China.

