A UEFA já reagiu ao fim do plano de Gianni Infantino e da FIFA para vender participações no Mundial. Duras críticas à mente por detrás da proposta.
A UEFA mostrou-se aliviada e congratulou a decisão da FIFA de deixar de lado a proposta para vender participações nos Mundiais a investidores privados, sugerida por Gianni Infantino. O passo atrás foi dado esta manhã e comunicado pela entidade internacional.
Num longo comunicado, a confederação europeia não deixou, ainda assim, de deixar críticas a Gianni Infantino, garantindo que «Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não pode ser o fim da história. A proposta foi apresentada. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA apenas começou».
As críticas ao presidente da FIFA subiram de tom, com palavras destinadas à falta de transparência deste processo. «Não podemos continuar assim, com esquemas secretos avançados a passos acelerados, engendrados por indivíduos anónimos e de benefício duvidoso para o desporto. Temos de identificar os responsáveis e exigi-lhes que prestem contas», contestou o comunicado da UEFA.
Recorde-se que Gianni Infantino sugeriu vender entre 20 e 30% das participações nos Mundiais a investidores privados, alterando por completo as regras do jogo, o presidente da FIFA marcou um ponto, que rapidamente mereceu contestação.
A UEFA foi a primeira confederação a reagir e a mostrar-se contra esta ideia, ameaçando mesmo comum boicote europeu à competição, caso esta seguisse avante tendo sido seguida por outras confederações.
Eis o comunicado da UEFA na íntegra:
«A UEFA congratula-se com a decisão da FIFA de retirar o seu plano de vender uma participação nas suas competições — incluindo o Campeonato do Mundo — a entidades privadas.
A proposta foi rejeitada por unanimidade pelas federações nacionais da UEFA e por muitas outras federações e confederações de todas as dimensões em todo o mundo, cuja missão é proteger o futebol.
A UEFA agradece a todos os adeptos, ligas, clubes, jogadores, indivíduos, associações e confederações que se opuseram ao esquema, bem como aos muitos primeiros-ministros, chefes de Estado e comentadores que demonstraram ao presidente da FIFA que o futebol não está à venda.
Não podemos continuar assim, com esquemas secretos avançados a passos acelerados, engendrados por indivíduos anónimos e de benefício duvidoso para o desporto. Temos de identificar os responsáveis e exigi-lhes que prestem contas.
É correto que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com as suas federações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isto aconteceu e elaborar um plano para garantir que tal não volte a ocorrer. Essa análise deve ser exaustiva e profunda. Nenhuma opção deve ser excluída. A atual liderança da FIFA não só perdeu a confiança da UEFA, como também a de muitos outros membros da família do futebol.
Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das Federações-Membro da FIFA para ser eleito seu presidente em 2016, afirmou: «É claro que temos de ser transparentes. Tenho sido assim nos últimos 15 anos da minha vida na UEFA. Vocês terão de desempenhar um papel diário na vida da FIFA», antes de dizer às partes interessadas reunidas: «O dinheiro da FIFA é o vosso dinheiro. Não é o dinheiro do presidente da FIFA. É o vosso dinheiro. Vocês são as federações nacionais e o dinheiro da FIFA tem de servir para o desenvolvimento do futebol e não para mais nada.»
Em ambas estas promessas, ele falhou. O acordo sórdido, feito nos bastidores e opaco que ele arquitetou e tentou impor foi tudo menos transparente.
E com reservas que ascendem a mais de 5 mil milhões de dólares, ele também falhou em utilizar o dinheiro das federações em benefício do futebol.
A UEFA começará a trabalhar imediatamente com parceiros e partes interessadas em todo o mundo e em todos os setores do futebol para propor uma nova forma de distribuir recursos através do programa FIFA Forward já existente.
Temos de começar a utilizar parte desse dinheiro que está parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso inicial de que o futebol de base e o futebol em geral necessitam em cada um dos 211 países da FIFA. Mas não precisamos de vender os bens da família para pagar isso.
Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não pode ser o fim da história. A proposta foi apresentada. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA apenas começou».

