WWE SummerSlam: Do passado para o futuro

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Pela segunda vez na história da WWE, o SummerSlam foi um evento de duas noites, com seis combates distribuídos por cada uma. A primeira noite aconteceu no sábado, em Minneapolis, com um cartaz à partida mais promissor do que o da segunda noite. Vamos percorrer cada combate e ver se a WWE correspondeu ou não.

MORGAN CORRESPONDE NA PRIMEIRA DEFESA

O primeiro combate foi também a primeira defesa de título de Liv Morgan desde que conquistou o cinto na WrestleMania, com IYO SKY a ser a candidata. O combate teve bom ritmo e teve bom wrestling, com as duas a corresponderem bem (sabemos que IYO é das melhores wrestlers do mundo e Liv soube acompanhar). Alguns minutos depois de interferência de Raquel Rodriguez e Roxanne Perez, Morgan acertou um Oblivion, mas IYO fez um handstand para aterrar de pé. Liv reagiu rápido e acertou um Codebreaker e outro Oblivion para manter o título.

Uma primeira crítica é que, desde que o joelho de IYO era uma parte importante da história, ela devia ter agarrado o joelho depois de amortecer o primeiro Oblivion antes do Codebreaker e do segundo. Tirando isso, o combate foi fantástico, muito melhor do que o da Arábia Saudita. Mais dois ou três minutos seria bom, mas 14 minutos não é mau. Liv precisava de uma vitória destas, limpa, uma vez que a interferência não levou à derrota de SKY, e isto deve começar um reinado a sério, uma vez que esta foi a primeira defesa e não há grande desculpa para isso. O booking feminino tem sido bastante medíocre ultimamente, mas isto foi uma prova do potencial que a divisão pode ter se tiver atenção da equipa criativa.

Nota do combate: 4.25 (em 5)

KNIGHT, SOLO E ROYCE BATEM A BLOODLINE

De seguida, tivemos um six-man tag match, com a equipa de LA Knight, Solo Sikoa e Royce Keys a desafiar a Bloodline, composta pelos Usos e por Jacob Fatu. Num combate divertido, e já depois de Royce ter eliminado Fatu com um powerslam por cima da barricade, Jimmy ia atacar Knight, mas Solo fez-lhe um Samoan Spike do outro lado das cordas, levando Knight a acertar um BFT (muito bem vendido) em Jey Uso para a vitória.

Isto foi bastante bom do ponto de vista do entretenimento. Pensei que a Bloodline ia ganhar a um trio de faces algo aleatório, mas ter Jey a perder cria mais razões para Roman Reigns ficar zangado e isso faz sentido e preferir Fatu em vez dos Usos. Terá sido o melhor combate de Jey em muito tempo, com destaque para os spears e para o sell do BFT. Keys também se destacou e o powerslam por cima da barricade foi excelente. Solo foi o MVP com a sua comédia e os fãs vão adorá-lo se ele continuar assim. Knight deve estar a caminho de ser number one contender para o título de Reigns. Podia ter tido um pouco mais de tempo, mas foi bom.

Nota do combate: 3.75

GUNTHER VENCE, MAS ALDIS BRILHA

Tivemos depois um combate que gerava alguma expetativa e que tinha sido bastante bem construído, com Gunther a defrontar o seu patrão e por agora antigo general manager do SmackDown, Nick Aldis, que fazia o seu primeiro combate na WWE e o primeiro em três anos. Aldis mostrou algumas manobras, como o seu cloverleaf, e aguentou-se bem ao longo do combate, mas Gunther aplicou um powerbomb e fez Aldis desistir com o sleeper hold.

Foi mais ou menos o que se esperava, com Aldis a ser competitivo e Gunther a ganhar com facilidade relativa, tendo em conta que é um dos melhores do mundo e Aldis teve o seu primeiro combate em três anos. A única crítica tem a ver com o combate que Gunther teve com Pat McAfee no ano passado, que foi mais longo e Gunther deu um gesto de reconhecimento a Pat que não deu aqui a Nick (embora Aldis vá continuar a ser GM, portanto essa parte não é muito problemática). Aldis estava visivelmente cansado a determinada altura e isso é compreensível, mas isto foi sólido.

Nota do combate: 3.5

FATAL INFLUENCE SÃO O FUTURO

Antes dos main events, tivemos um six-woman tag team match, com as Bellas Twins a fazerem equipa com Paige para defrontarem as Fatal Influence. No final, Paige estava a lutar com Jacy Jayne e uma distração de Fallon Henley permitiu a Jayne acertar o seu Rolling Encore na britânica para a vitória das heels.

O público mal reconheceu o Rolling Encore como o finisher de Jayne e isso é culpa do booking das Fatal Influence no main roster. Para lá disso, Jacy destacou-se, mas o combate deixou muito a desejar. As heels precisam de estar a lutar com talento mais novo, não com um trio de lendas. Mas o resultado foi o correto, ao menos isso.

Brie Bella lesionou o seu ombro durante o combate, o que pode limitar o que vimos depois do combate. Seja como for, o heel turn funcionou bem e as Bellas funcionam melhor como heels do que como faces. Espero que isto não tire muito tempo do SmackDown, porque o tempo já é limitado, sobretudo para as mulheres, e há gente que precisa mais desse tempo.

Nota do combate: 2.5

PUNK MANTÉM E ORTON ESTÁ DE VOLTA

Surpreendentemente e ao contrário do que se esperava, o combate seguinte não foi o main event, mas tivemos CM Punk a defender o título da WWE contra Cody Rhodes. O início foi lento, com algum storytelling e ataques no braço de Rhodes e no joelho de Punk, antes de a ação acelerar na segunda metade. Punk ainda tentou um moonsault que falhou completamente, mas, depois de um Cross Rhodes que levou o campeão para fora do ringue, Randy Orton regressou e aplicou um RKO em Rhodes, com Punk, que não viu, a aproveitar e a aplicar um quarto GTS para a vitória.

O combate começou lento, mas apenas como uma indicação de que ia ser longo e Punk já não tem a condição física para combates de alta intensidade de meia hora. Depois dos primeiros 13 minutos de wrestling mais lento e storytelling, o restante tempo foi bastante bom, tirando o moonsault de Punk (que não devia ter sido tentado, mas ele riu-se dele próprio). O GTS em que um adversário vai para as cordas e cai nos ombros de Punk também já é um spot repetitivo. Mas gostei do combate e gostei do que fizeram fora do ringue. O build não foi grande coisa, mas isto pode ter sido apenas o primeiro capítulo de uma história mais longa.

Em relação a Orton, voltar quatro meses depois do punt na WrestleMania não é ideal, mas este spot deve retomar a feud com Rhodes com facilidade e a melhor parte é que Cody fica afastado da luta pelo título por agora, que é o que nós queremos. Orton é capaz de ser mais apoiado pelo público do que Cody e a WWE vai ter uma decisão para tomar, que é tornar Cody heel ou deixar Cody ser assobiado como babyface e não lutar contra isso. Nesta fase da sua carreira, os fãs não querem assobiar Randy e a personagem de Cody precisa de alguma coisa significativa porque tem sido o mesmo há muito tempo.

Nota do combate: 4.25

PASSAGEM DE TESTEMUNHO AO RULER

O verdadeiro main event foi o combate Hell in a Cell entre Oba Femi e Brock Lesnar. O início foi rápido, com ambos a não perderem muito tempo para ataques de alto impacto. O ponto alto deu-se quando Lesnar desmontou o tapete do ringue, mostrando um chão com tábuas de madeira. Brock pegou em Oba, ameaçando um F5, mas virou para um Tombstone Piledriver, com Femi a fazer o kickout na contagem de dois. Femi ‘ressuscitou’ depois disso, acabando o combate com um Fall from Grace.

Foi surpreendente que isto tenha sido main event, mas o combate foi construído muito melhor do que o de Punk e Rhodes. Pensei que Lesnar ia levar o Fall from Grace na madeira, mas talvez tenha pedido para não acontecer. Também desejava que fosse um pouco mais longo e violento, mas Lesnar tem 49 anos e não sei se podia dar muito mais. Talvez fosse justificado algum sangue. Tirando tudo isso, isto foi um excelente main event para um Hell in a Cell entre estes dois. A cela foi mais utilizada para conter ambos, não tendo sido muito usada para além disso e isso diferenciou de muitos Hell in a Cell.

A homenagem ao Undertaker foi excelente e Oba foi pintado como um monstro. Não gostei que o final fosse tão repentino depois do kickout ao Tombstone (pensei que Lesnar ia fazer kickout ao último Fall from Grace), mas essa é a única nota negativa que tenho. Depois do combate, Lesnar fez uma breve promo a dizer que ele era o passado e que Femi era o futuro. Foi provavelmente o adeus de Brock aos ringues da WWE e sai a colocar over um lutador em quem a WWE aposta muito (e com razão).

Nota do combate: 4.5

Houve partes deste show que excederam as expetativas, os combates tiveram tempo e não estamos tão preocupados com o que pode ser a segunda noite como estávamos depois da WrestleMania. Não percebo porque é que o show começou tão cedo, levando a que basicamente acabasse ainda com a luz do dia. Dado isso, alguns combates podiam ter mais tempo, nomeadamente os primeiros dois. Tirando isso, foi um bom show que ficou um pouco abaixo das minhas expetativas (tal como alguns combates, que ficaram ligeiramente abaixo do que eu previa). Mas não houve nada que me tenha irritado e houve vários bons momentos ao longo da noite. Há muito negativismo (e algum dele merecido) à volta da WWE neste momento, mas isto foi um passo na direção certa.

Nota final: 91 (em 100)

Bernardo Figueiredo
Bernardo Figueiredohttp://www.bolanarede.pt
O Bernardo é licenciado em Comunicação Social (jornalismo) na Universidade Católica de Lisboa e está a terminar uma pós-graduação em Comunicação no Futebol Profissional, no Porto. Acompanha futebol atentamente desde 2010, Fórmula 1 desde 2018 e também gosta de seguir ténis de vez em quando. Pretende seguir jornalismo desportivo e considera o Bola na Rede um bom projeto para aliar a escrita ao acompanhamento dos desportos que mais gosta.

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