Samu Aghehowa concedeu uma entrevista. Avançado falou do regresso aos relvados depois da lesão e da recuperação.
Samu Aghehowa regressou aos relvados no Clássico diante do Benfica. Depois de sete meses fora dos relvados, o avançado do FC Porto voltou a jogar e, em entrevista ao jornal Marca, recordou o dia do regresso.
«Foi um caminho muito longo, mas graças a Deus já chegou ao fim. No final, correu tudo bem. Voltar num jogo tão importante para o clube, para a cidade e para toda a equipa foi muito especial. Nunca me vou esquecer da forma como fui recebido pelos adeptos. Conseguimos ganhar o jogo e no final correu tudo bem», começou Samu Aghehowa, que olhou para a vitória no Clássico contra o Benfica por 3-1.
«Foi tudo como sonhei. Foi inexplicável. A forma como os adeptos me receberam foi incrível e eu nunca vou esquecer. Não estava previsto voltar nesse jogo. Foi um momento muito feliz para mim e para a minha família. Tivemos de gerir a lesão passo a passo. Achava que só ia voltar depois da paragem para as seleções, mas comecei a sentir-me bem nas semanas anteriores e os médicos deram-me alta. Correu ainda melhor do que esperava», salientou o avançado.
Sobre a recuperação, o internacional espanhol falou das dificuldades do processo e das dúvidas e lágrimas que marcaram todo o processo.
«É um caminho muito longo. Há dias em que não sentes vontade de sair da cama, outros em que dás um passo e sentes que estás cada vez mais perto, mas no dia seguinte voltas a sentir-te pior. É um misto de emoções. Passei muitas horas sozinho, a treinar, enquanto via os meus companheiros a jogar. Agora tenho consciência de que é preciso aproveitar cada momento, porque nunca sabemos o que pode acontecer. Valorizo muito os treinos com os meus companheiros. Havia dias em que vinha treinar triste ou chateado sem motivo e agora valorizo cada treino. É uma aprendizagem que levo: valorizar cada momento enquanto estamos saudáveis e podemos fazer aquilo de que gostamos», descreveu o avançado.
«Chorei no dia em que me disseram que não ia poder jogar mais. Nesse momento passaram-me muitas coisas pela cabeça. Percebi que não ia poder participar no Mundial nem ajudar a minha equipa numa época incrível a lutar em todas as frentes. No final, acabámos por ser campeões nacionais e chorei por ver os meus colegas a jogar e saber que eu não podia. Perguntei-me muitas vezes ‘porquê eu?’ e ‘porquê agora?’, especialmente com o Mundial ao virar da esquina. Foi muito duro. A última vez que chorei foi quando voltei a jogar, porque senti-me livre. Já passou e agora posso voltar a fazer aquilo de que tanto gosto», salientou ainda Samu Aghehowa.

