Marco Silva realiza, a partir das 13h30, a conferência de imprensa de antevisão ao jogo entre Benfica e Académico de Viseu.
Marco Silva fala aos jornalistas, a partir das 13h30, em conferência de imprensa de antevisão ao Benfica x Académico de Viseu, da jornada inaugural da Primeira Liga. O treinador encarnado elogiou o técnico Bruno Pinheiro:
«Organização e qualidade são duas das caraterísticas das equipas do Bruno Pinheiro. Com um treinador novo, tem uma ideia de ter bola, de gostar de ver a sua equipa com uma ideia clara e num 4x3x3 claro, tentando usar os médios de forma diferente. É isso que esperamos deles com bola e, sem bola, atentos à nossa forma de jogar. Depois irão tentar contrariar-nos. É difícil dizer qual a forma em que nos tentarão travar, se num bloco mais alto ou não. Interessa-nos estar preparados para qualquer situação, termos a capacidade de analisar quando o jogo começar ou durante o jogo, e a partir daí implementar o nosso jogo.
O técnico de 49 anos lamentou o facto de o jogo se realizar à porta fechada:
«Adeptos? É óbvio que uma das grandes forças, para não dizer a maior, de um clube como o Benfica, é a massa adepta. Quando nos retiram isso a força será diferente. O Bruno foi honesto e há que o ser também. Retiraram-nos algo muito importante para nós enquanto clube. Não é agradável. A minha opinião até vai no sentido contrário. Se achamos que é com estas decisões, e não é a criticar… Não sou a pessoa indicada para falar disto. Mas retirar 65 mil pessoas de um estádio… Se achamos que é assim que se resolvem problemas, estamos enganados. Temos ótimos exemplos pela Europa de como contrariar coisas que não são boas. E não é não permitindo que os adeptos venham ao estádio. Simplesmente retira adeptos do futebol e, para quem percebe, só faz sentido jogar futebol se houver adeptos. Faremos de tudo para ganhar o jogo, o Académico também tentará ter um bom resultado. Acho que pretendiam, após mais de 30 anos afastado da 1.ª Liga, ter adeptos. Tiraram isso ao Benfica, ao Académico, ao espetáculo, e retiraram a razão pela qual estamos aqui. Um jogo de futebol sem adeptos não é um jogo normal e deviam arranjar-se soluções. Mas não desta forma».
Marco Silva foi questionado sobre qual a equipa que parte como favorita à conquista do título nacional:
«Disse na apresentação e ainda bem que referiu também o Sp. Braga. Disse que teríamos três adversários muito competentes, claramente os três crónicos candidatos, e depois o Sp. Braga. Percebo a pergunta, o clichê, que pode fazer algum sentido, mas não vou entrar por aí. Naturalmente temos de fazer o nosso papel, que é estarmos concentrados em nós e em como queremos jogar».
O treinador das águias falou ainda sobre o mercado de transferências e as opções para a baliza, nomeadamente a escolha entre Anatoliy Trubin e Samuel Soares:
«Em relação à titularidade não irei dizer, não só na baliza como nas restantes posições. O mercado não tem influência alguma nas minhas decisões. Disse isso relativamente ao António há algumas semanas. Não tomo decisões a pensar no mercado. Os jogadores que estarão na convocatória são jogadores do Benfica, têm vindo a trabalhar integrados e avizinha-se um grande desafio para um clube como o Benfica, que não é campeão há três anos. Claro que o mercado está aberto e há sempre rumores, mas compete-me ter todos os jogadores bem concentrados nos nossos objetivos. Já fizemos três jogos oficiais, começámos mais cedo em circunstâncias não ideais para nós, mas neste momento já temos essa bagagem. O mercado não vai jogar amanhã, não estará lá. Infelizmente não estará lá a grande força do Benfica, os adeptos, porque nos retiraram, e parece-me que isto é tudo levado de ânimo leve».
Marco Silva falou sobre a possibilidade do Benfica jogar com dois avançados, tendo em conta as quatro opções que tem para a frente de ataque:
«Temos quatro, o Anísio também tem estado connosco. Na fase final da última temporada integrou o plantel principal, desde o início da pré-época também tem estado connosco. É muito jovem, precisa de jogar e terá o seu espaço, até de jogar na equipa B. Será esse o seu espaço de evolução em muitos momentos. Iremos ver o que o mercado vai ditar até ao fim de agosto, princípio de setembro. Há a possibilidade de jogar com dois avançados. Não será um ponto de partida, mas poderá acontecer. Até pelas caraterísticas do Pavlidis, que pode sempre jogar numa linha um pouco mais atrasada… É algo que temos em mente, mas teremos de ter mais tempo para trabalhar. Estamos a tentar cimentar a nossa forma de jogar, com jogadores já a chegarem atrasados, uma equipa técnica nova… Pode ser, naturalmente, com o Pavlidis numa posição diferente e depois com um avançado mais na posição 9».
Marco Silva voltou a falar sobre Antoliy Trubin e mercado de transferências:
«O mercado está aberto e enquanto estiver aberto poderão acontecer entradas e saídas. Não vou individualizar num jogador ou noutro, falo dos jogadores do Benfica. Mas temos vindo a dizer que o mercado, enquanto estiver aberto, há possibilidades em cima da mesa. O nosso objetivo é tentar melhorar a equipa. E se o pudermos fazer, iremos fazer. A época será longa, com muitos jogos, muito competitiva e com adversários muito fortes. Queremos demonstrar a nossa qualidade, focar-nos em nós e tentar melhorar a equipa. Em relação ao Trubin, não vejo nenhum desconforto. Vem para treinar todos os dias com seriedade. Tem uma personalidade muito própria, mas não vi nenhum diferença entre o pós-jogo da última quinta-feira e agora. Todos gostam de jogar, eu também gostaria de começar todos os jogos com a camisola do Benfica se jogasse. Mas não vejo desconforto. Quando tenho falado com ele, nunca veio à conversa qualquer desconforto. Sabe que estamos sujeito ao elogio, à crítica, ao apoio… Estamos aqui pelos adeptos. É a nossa profissão, adoramos o que fazemos, mas sem os adeptos não vale a pena. Jogamos para os orgulhar. E quando algo acontece de menos bom, temos de estar preparados para reações um pouco exageradas por vezes. E temos de ter o equilíbrio necessário para aguentar. Estarei aqui para apoiar sempre os jogadores».
O treinador definiu a hierarquia de capitães do Benfica para a nova temporada:
«Boa pergunta. Ia anunciar, assim respondo à sua pergunta. Está definido o grupo de capitães. Aursnes, Tomás Araújo, Samuel Soares, Lenglet, Leandro Barreiro, por essa ordem. Em relação à primeira questão: Manu tem treinador como central, não há que escondê-lo. Não é uma posição nova para ele, é uma posição que é capaz de fazer. Uma coisa é poder fazê-lo, outra é ter rotinas de treino. Dentro da possível utilização dele, temos vindo a jogar com isso. E sim, tem treinado como central e no último jogo foi o Manu. Acho que isso responde à questão».
Marco Silva foi questionado sobre a escolha de Samuel Soares para a baliza no jogo diante do Hearts:
«Eu percebo a questão, mas não vou estar a dar explicações do porquê de colocar A, B, C ou D. Se tomei essa decisão na quinta-feira, foi essa. Vamos ver o que faço amanhã. Não vou anunciar aos jornalistas o porquê de tomar estas decisões».
O treinador encarnado descreveu o estilo de jogo que pretende implementar no Benfica:
«Tem de ser uma das nossas características. No primeiro jogo oficial não conseguimos, mas demos passos em frente nos últimos dois jogos. Melhorámos e foi importante. Melhorámos no momento de transição defensiva e, para jogarmos no meio-campo ofensivo, temos de fazer isso. Claro que podem acontecer contra-ataques e sermos apanhados de uma forma em que não estamos tão bem posicionados… Mas isso dá-nos coesão, capacidade de ganhar bola em zonas mais subidas… É um objetivo. E depois, sermos sólidos. É importante ter um futebol com que o Benfica se identifica. É a nossa ideia. Mas depois não há campeões, títulos ou épocas consistentes se não mantivermos a baliza a zero. O equilíbrio tem de estar sempre no nosso jogar para não sermos desequilibrados. Uma coisa é ter uma mentalidade dominante, outra é ser uma equipa frágil em alguns momentos. Mas queremos equilíbrio em todos os momentos. Capacidade de reação, de sermos agressivos, e depois, em zonas mais defensivas, termos a capacidade tática para não sofrermos e não deixarmos o adversário criar oportunidades».
