Uma possível saída do jovem internacional português Rodrigo Mora tem vindo a agitar o Dragão nos últimos dias. Com a chegada de Francesco Farioli ao banco dos azuis e brancos e, mais recentemente, de Gabri Veiga para a sua posição, o jovem médio tem vindo gradualmente a perder espaço no onze titular.
Rodrigo Mora é um produto das camadas jovens do Olival e começou a dar nas vistas desde cedo, sendo apontado como um dos próximos diamantes a lapidar para o futuro. Em consequência dessa notoriedade, no início da época 2024/2025, o então técnico dos dragões, Vítor Bruno, começou a chamá-lo aos treinos e integrou-o na equipa principal com apenas 17 anos.
A utilização inicial foi esporádica, mas é com a entrada em cena do novo treinador, o argentino Martín Anselmi, que Mora começa a ganhar preponderância na equipa e se assume como titular indiscutível do FC Porto. Nessa temporada, realizou 35 jogos pela equipa principal, marcou 11 golos e fez quatro assistências.


O jovem médio assumia-se como uma das figuras da equipa numa época muito negativa para o clube, marcada pela passagem de dois treinadores e também por uma fase de transição na direção, já que André Villas-Boas tinha sido eleito há pouco tempo e viviam-se tempos de contenção financeira para os lados do Dragão.
Parecia tudo um conto de fadas para Rodrigo Mora, mas a contratação do italiano Francesco Farioli veio baralhar o estatuto que o jovem já tinha conquistado na equipa.
Foi contratado Gabri Veiga, que passou a ocupar o seu espaço, e o médio começou a perder importância na manobra ofensiva do FC Porto e até a ficar mais vezes no banco, algo que não o terá deixado muito satisfeito. Mesmo assim, realizou uma época com mais jogos, embora com menos minutos em campo.
Esta temporada renovou-se a esperança do jovem centrocampista azul e branco, mas Francesco Farioli, apesar de lhe reconhecer importância e qualidade, tem mostrado que continua a não contar com ele para a titularidade nos dragões. Prova disso são os apenas 15 minutos em que atuou na primeira jornada do campeonato, frente ao Alverca.
Perante este cenário e a pouca utilização do jogador, alguns clubes europeus começaram a mexer-se e a perguntar pelo jovem e pelas condições em que o poderiam contratar. E foram os italianos da AS Roma os primeiros a chegar-se à frente, com uma proposta de 25 milhões de euros, considerada baixa pela SAD portista, que pretende que o negócio se faça por, pelo menos, 50 milhões de euros, embora admita o pagamento faseado dessa verba.


À hora em que este artigo está a ser escrito, continuam as negociações entre portistas e romanos, mediadas por Jorge Mendes, com os turcos do Galatasaray à espreita de um desfecho desfavorável para entrarem na corrida pelo mágico portista. Para já, segundo a convocatória para o jogo da segunda jornada, em Vila do Conde, diante do Rio Ave, Rodrigo Mora está convocado, podendo este ser, ou não, o seu último jogo de dragão ao peito.
Rodrigo Mora é um jovem de grande potencial e, na minha opinião, deveria manter-se mais uma época no FC Porto. Já vimos casos de saídas precoces de jovens talentos que acabaram por não ter o sucesso expectável. Mora ainda não tem o seu processo de formação enquanto jogador completo — tem apenas 19 anos — e penso que seria benéfico continuar em sua casa, onde se sente bem.
Mas, por outro lado, a verdade é que o treinador do FC Porto não parece contar muito com ele e, nestas idades, a competição é fundamental. Por isso, o jogador pode ver com bons olhos uma saída para Roma, onde poderia encontrar, na Serie A e num clube histórico, o espaço competitivo ideal para evoluir e voltar a ser convocado para a seleção principal nesta nova fase da sua carreira, ele que já conta com uma Liga das Nações no currículo.
Outro dos fatores que podem pesar numa eventual saída é a reduzida receita que a SAD ainda conseguiu com vendas de jogadores e a necessidade de ter liquidez para atacar a fase final do mercado, nomeadamente no que diz respeito a eventuais entradas. Nesse sentido, Mora pode ser um ativo muito valioso para vender.
Independentemente da decisão que ambas as partes tomarem, não tenho dúvidas de que Rodrigo Mora será uma das maiores figuras do futebol português da próxima década e meia, desde que tome as melhores decisões para a sua ainda jovem carreira.

