Rui Borges e a goleada sobre o Rio Ave: «Nem estava tudo errado nos outros jogos, nem hoje está tudo certo»

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Acompanha a conferência de imprensa de Rui Borges após o encontro entre Rio Ave e Sporting, referente à 4.ª jornada da Primeira Liga.

O Sporting venceu o Rio Ave na 4.ª jornada da Primeira Liga. Acompanha a conferência de imprensa de Rui Borges na sala de imprensa do Estádio dos Arcos.

Sobre a análise à goleada por 4-0 e a importância de manter a baliza a zeros disse: 

«É um jogo simples. Acho que entrámos bem, entrámos fortes. Queríamos entrar muito fortes, não deixar o Rio Ave… Na época passada, nós tivemos aqui muitos… nos primeiros 20 minutos deixámos entrar o jogo em muitas transições, muito jogo homem-a-homem no último terço do campo, nesse sentido. Nós queríamos mandar no jogo, tentar empurrá-los, não os deixar entrar no ritmo. Acho que o conseguimos, controlámos o jogo com bola. Chegámos aos golos com naturalidade, com muita qualidade, acima de tudo, da equipa coletivamente. Uma segunda parte onde depois conseguimos controlar o jogo com bola. Poderíamos ter feito mais um ou outro golo porque tivemos essas situações. Controlámos o jogo, não deixámos o adversário andar perto da nossa baliza. Mérito da equipa, não baixou a energia, não baixou a qualidade. A baliza a zeros, que era importante também, serve para dar essa confiança extra ao grupo. Por isso, não podia estar mais feliz nesse sentido».

Sobre os aspetos a melhorar na exibição e os erros individuais de passe disse:

 «Há tanta coisa. A parte individual, principalmente. O Jani falhou alguns passes, o Flávio falhou alguns passes com bolas importantes, até para entrar num segundo momento de aceleração e atacar o último terço. Por isso, há muitas coisas a melhorar. Nesse sentido, alguns lances na linha defensiva onde perdemos uma ou outra vez a referência e tínhamos de estar muito perto das referências, porque o jogo era muito homem-a-homem, até porque o Rio Ave provoca isso. Nem estava tudo errado nos outros jogos, nem hoje está tudo certo. Por isso, para mi, são três pontos importantes. Um bom jogo, consistente, muito equilibrado de toda a equipa — quem jogou de início e quem entrou, que entrou muito bem também. Por isso, estou feliz. É apenas uma resposta que eles têm dado ao longo da semana e conseguiram dar da mesma forma no dia de jogo, que é o dia mais importante».

Sobre se este foi o jogo mais completo e equilibrado da temporada e as experiências táticas com dois avançados disse: 

«Podemos dizer que sim. Jogámos ali algum tempo com dois avançados. Estávamos a ganhar 4-0, a controlar o jogo, não tínhamos essa necessidade, só que o jogo até estava bom nesse sentido porque o Luís nos estava a dar esse jogo de apoio em zonas centrais, quase como um ’10’, digamos. E, então, fez algum sentido para mim utilizar, em algum momento, os dois. Foi a única experiência, digamos, que, apesar de tudo, já fizémos algumas vezes também noutros momentos de jogo. Sim, sem dúvida que em todos os momentos de jogo: transições, momento de ataque, momento de defesa, foi o mais equilibrado em todos os sentidos. Claramente, a baliza a zeros dita logo isso. Mas era importante não deixar o Rio Ave acreditar nas transições ofensivas e criar perigo nesse sentido. E a malta teve um compromisso enorme naquilo que foi a reação à perda, no correr para trás, no equilíbrio — muito ligados aos equilíbrios. Até os momentos que eles têm numa ou noutra transição são perdas de bola nossas, individuais, por displicência, sem necessidade nenhuma de perder a bola. Por isso, acho que no cômputo geral de todos os momentos de jogo, sim, foi o mais equilibrado».

Sobre a titularidade e a continuidade de Luís Suárez no Sporting após o fecho do mercado disse:

 «Para mim, o Luís é jogador do Sporting, sempre foi, tem contrato como todos os outros. Tem sido opção. Foi-se encontrando da sua forma, melhorou no último jogo, hoje está muito melhor do que no outro jogo também. Por isso, está a voltar ao seu normal, que é um grande jogador, um grande avançado, e felizmente temo-lo connosco».

Sobre as dores de crescimento da equipa e a exibição individual do jovem Flávio Gonçalves disse: 

«Está a crescer. Ao contrário de vocês, eu não gostei. Falhou passes, muitos passes. Não pode falhá-los. Alguns passes… e eu fico chateado com isso porque ele tem qualidade para não os falhar. Eu estava lá a dizer: “Vais pagar 100€ por cada passe que falhares”. [Risos] Porque ele é um miúdo que é um predestinado, é um miúdo que tem uma qualidade acima da média, muito acima da média. Está no crescimento dele, tem dado uma boa resposta, fez um bom jogo. Estou a brincar, claro, gostei do jogo dele. Mas pode melhorar e tem de olhar para o jogo dessa forma, não ficar já empolgado por ter feito um golo e uma assistência. Podia ter tido, se calhar, mais um golo e, se calhar, mais uma assistência. Por isso, tem de olhar sempre nessa perspetiva, ter essa ambição e sempre com os pés bem assentes na terra, que é isso que ele tem de ter e fazer. Pois, de resto, é um miúdo que nós sabíamos claramente que era aposta nossa, será aposta nossa. É um miúdo com muita margem de progressão, acima de tudo, e é um miúdo diferenciado. Em relação às dores de crescimento: as dores de crescimento vamos tê-las na mesma. Não é hoje que ganhei por 4-0 que vou dizer que já não temos dores de crescimento. Vamos tê-las na mesma. Por isso é que eu digo que nem tudo está certo, nem tudo foi bonito. Foi um bom jogo. A malta, os rapazes, estão a trabalhar muito bem. Acima de tudo, estou feliz porque o grupo é muito focado nesse crescimento e, semanalmente, diariamente, no treino, dão uma resposta enorme naquilo que é a aplicação, naquilo que é o crescimento, naquilo que querem de entendimento do jogo, entendimento daquilo que é jogar no Sporting. Isso vai acontecer com naturalidade. Agora, vai haver jogos em que vamos ter essa… vão voltar outra vez essas dores. Não me vou agarrar, nem me quero agarrar, às tais dores de crescimento. Faz parte. Por isso, estou feliz por poder ter — e voltei a dizer isto ontem, penso eu — um grupo jovem com muita ambição, que quer crescer e quer aprender. Por isso, para mim, como treinador, sinto-me completamente tranquilo e super motivado para os conseguir ajudar».

Sobre a escolha estratégica da dupla de defesas centrais com Debast e Inácio para a saída de bola disse: 

«Pretendia, acima de tudo… O Rio Ave pressionava com um homem numa fase inicial, íamos ter muito homem-a-homem nos nossos médios. E então pretendia dois jogadores que são acima da média nas tomadas de decisão, que iam ter algum espaço para transportar, para criar esses desequilíbrios. E, ao fim e ao cabo, são dois jogadores que são quase dois médios a tomar decisões, que veem coisas à frente, tanto o Zeno [Debast] como o Inácio. Por isso, dentro daquilo que numa fase inicial o Rio Ave nos poderia dar, era importante ter o Inácio à esquerda e o Zeno [Debast] à direita com essas tomadas de decisão, com essa capacidade técnica e de passe para desbloquear num primeiro momento, entrarmos em segundas linhas para depois, sim, conseguirmos instalar e até entrar em alguns momentos mais de transição, que também poderia acontecer. E foi isso que aconteceu muito, até na primeira parte, por isso acho que foi muito por aí».

Em resposta ao Bola na Rede, Rui Borges disse: 

«Acima de tudo, fomos muito competentes nos primeiros duelos e nas segundas bolas. Era mesmo muito importante a forma como o Dounbia e o Sérgio, acima de tudo, quando eram atraídos às duas referências da frente, a forma como rapidamente transportariam a bola para trás para as segundas bolas. E nós conseguimos isso numa fase inicial, o que era muito importante para não deixar o Rio Ave criar jogo. Porque o Rio Ave às vezes pode perder a primeira bola, mas depois a bola cai ali, o outro homem está perto… Às vezes torna-se difícil porque as alas dão-se ali um bocadinho à morte, e o Rio Ave tem espaços difíceis para os nossos laterais pegarem as referências, e nessas segundas bolas conseguem acelerar outra vez. Toda a nossa linha defensiva foi muito competente nesse aspeto, nas coberturas, nos primeiros duelos e nas segundas bolas também. Depois, claro, quando ganhávamos a bola, tínhamos homens livres, bola descoberta e tínhamos sempre homens livres em segundas linhas para entrar e para depois acelerar, que foi o que aconteceu muito na primeira parte, conseguindo facilmente desbloquear e finalizar, acima de tudo».

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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