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Como pode João Palhinha ajudar o Benfica?

Duarte Rêgo · 2 min

João Palhinha Benfica
Foto: Carlos Silva / Bola na Rede

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O fecho da transferência de João Palhinha para o Benfica é um daqueles movimentos de mercado que alteram a correlação de forças no futebol nacional. Com um investimento a rondar os 14 milhões de euros fixos e um contrato de topo até 2030, a estrutura encarnada garantiu o perfil exato que faltava para equilibrar a ideia de jogo de Marco Silva. Não se trata de uma aposta de futuro, mas sim da chegada de um jogador consagrado, internacional português com rodagem de topo na Premier League e Bundesliga, pronto para assumir a titularidade e blindar o corredor central.

O impacto de Palhinha na Luz começa naquilo que o plantel atual pura e simplesmente não tem: autoridade física, raio de ação sem bola e agressividade nos duelos. O meio-campo do Benfica tem pecado por alguma brandura nas transições defensivas. Se elementos como Enzo Barrenechea asseguram uma circulação fluida e transporte apoiado, faltava um elemento de choque puro que travasse os contra-ataques adversários logo à nascença. Palhinha é o protótipo do número seis destruidor, um autêntico tampão que lidera nos desarmes, nas interceções e na recuperação em terrenos adiantados, impedindo que a equipa se parta quando perde a posse.

Esta presença recuada vai libertar por completo os criativos encarnados. Quando se tem um médio com esta capacidade de cobertura nas costas, jogadores como Georgiy Sudakov, Rafa Silva ou os próprios defesas laterais podem arriscar no último terço sem o receio constante de ficarem descompensados. Além disso, a sua estampa atlética (cerca de 1,90 m) confere um ganho imediato nas bolas paradas: não apenas a fechar o espaço aéreo na própria área, mas também como ameaça ofensiva ao segundo poste, onde tem faro de golo e capacidade de finalização de cabeça.

Desfazer o mito da incapacidade com bola é outro ponto essencial. Palhinha não é um organizador de jogo clássico nem um construtor de toques curtos requintados, mas está longe de ser limitado com os pés. Os anos em Inglaterra apuraram-lhe a tomada de decisão sob pressão e deram-lhe critério no passe longo e na variação de flanco. O seu futebol com bola é simples e pragmático: desarma, entrega no homem livre e deixa a responsabilidade da criação para quem tem outro talento com o esférico nos pés.

Por fim, a questão da rivalidade e do passado em Alvalade acaba por ser uma nota de rodapé no plano desportivo. O regresso a Portugal (impulsionado por razões familiares e pelo reencontro com Marco Silva, o técnico que melhor o potenciou no Fulham), aconteceu porque o Benfica foi o único clube a avançar de forma concreta quando a porta de Inglaterra se fechou. Com 31 anos, Palhinha traz a maturidade, a raça e a liderança de balneário que costumam fazer a diferença nas contas de um campeonato. O Benfica ganha a sua referência mais imponente para o setor intermediário desde os tempos de Nemanja Matic ou Ljubomir Fejsa.

Duarte Rêgo

Redação Bola na Rede · ver artigos

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