A confirmação da chegada de Claudio Echeverri ao Benfica por empréstimo do Manchester City, com uma opção de compra fixada nos 21 milhões de euros, coloca na Luz um dos talentos mais falados do futebol sul-americano recente. Aos 20 anos, ‘El Diablito’ procura em Lisboa a estabilidade e o enquadramento tático que lhe fugiram nas passagens fugazes por Bayer Leverkusen e Girona. Num negócio onde o risco financeiro imediato é baixo para o teto de rendimento em causa, Marco Silva recebe um elemento com perfil singular para desbloquear partidas em terrenos domésticos.
Com 1,70 m e 62 kg, Echeverri é destro e foge à etiqueta de médio ofensivo clássico ou de organizador pausado: é, por natureza, um segundo avançado ou um ‘nove e meio’, com uma morfologia e um estilo de jogo que remetem de imediato para a matriz de Javier Saviola. A sua principal virtude técnica reside na receção orientada e no drible em espaços curtos. De costas para o jogo, tem a agilidade e o baixo centro de gravidade necessários para rodar num ou dois toques, ficar de frente para a baliza e atacar a linha recuada adversária. Entre linhas, descobre soluções verticais improváveis, conduz a bola colada ao pé e acrescenta veneno na meia distância e nas bolas paradas indiretas.
No modelo de Marco Silva, a inclusão do jovem argentino abre a porta a uma variação tática fundamental. Enquanto o habitual 4-3-3 encarnado assenta na pausa e no critério posicional de Georgiy Sudakov no miolo, Echeverri é a peça que permite mudar para um 4-2-3-1 fluído. A atuar imediatamente atrás de referências como Vangelis Pavlidis, o argentino funciona como elemento de desequilíbrio e ligação rápida. Pode também partir da meia direita no lugar de Rafa Silva para pisar terrenos interiores, ou formar um verdadeiro carrossel ofensivo de trocas constantes com criativos como Andreas Schjelderup e Gianluca Prestianni, um cenário particularmente valioso perante os blocos baixos que caracterizam a maioria das jornadas da Primeira Liga.
No entanto, as limitações do seu jogo são igualmente evidentes e vão exigir trabalho rigoroso de gabinete e de campo. No capítulo físico, falta-lhe densidade muscular para sustentar duelos prolongados e proteger a posse quando os adversários recorrem à imposição do corpo.
No momento sem bola, o seu contributo é ainda muito intermitente, salta na pressão em arrancadas curtas por impulso individual, mas desliga com facilidade dos equilíbrios táticos e revela pouca paciência para fechar linhas de passe, deixando zonas descobertas nas suas costas.
A somar a isto, há a questão da adaptação e da maturidade competitiva. A sua experiência na Europa tem sido marcada por poucos minutos e ausência de jogos seguidos no onze, pelo que o seu papel imediato aponta para o de agitador vindo do banco, castigando adversários já desgastados. Se a equipa souber blindar as suas debilidades defensivas com uma retaguarda sólida e Marco Silva lhe der o tempo necessário para maturar a tomada de decisão, Claudio Echeverri tem argumentos para transformar o ataque encarnado e afirmar-se como uma das figuras do campeonato.

