Nuno Catarino analisa resultados financeiros do Benfica e destaca: «Uma prova de força e de vitalidade do ponto de vista económico de uma Sociedade»

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Nuno Catarino, vice-presidente do Conselho de Administração da SAD do Benfica, analisou os resultados do exercício financeiro.

Em entrevista à BTV, Nuno Catarino, vice-presidente do Conselho de Administração da SAD do Benfica, analisou os resultados do último exercício financeiro, relativo à época 2025/26.

Em baixo, podes ler todas as declarações do dirigente encarnado e conhecer os principais valores do Relatório e Contas apresentado à CMVM, cujos números e variações podes aprofundar.

Eis os principais resultados financeiros:

  • Resultado líquido: 19,1 milhões de euros
  • Resultado operacional: 32,4 milhões de euros
  • Resultado com direitos de atletas: 47,4 milhões de euros
  • Rendimentos operacionais sem direitos de atletas: 214,4 milhões de euros
  • Receitas de Matchday: 45,2 milhões de euros
  • Receitas de televisão: 55,7 milhões de euros
  • Gastos operacionais sem direitos de atletas: 229,4 milhões de euros
  • Resultado financeiro: -10,6 milhões de euros
  • Dívida líquida: 184,9 milhões de euros
  • Ativo: 649,4 milhões de euros
  • Passivo: 513,9 milhões de euros
  • Capital próprio: 135,5 milhões de euros

«Análise? Eu começaria por destacar aquele que é o principal número, que é termos um resultado líquido positivo de 19,1 milhões de euros. Realço que é o terceiro ano em quatro em que temos resultados líquidos positivos. É o segundo consecutivo em que temos resultados líquidos positivos, o que é sempre uma prova de força e de vitalidade do ponto de vista económico de uma Sociedade».

«Receita dos jogos em casa? Temos aqui vários efeitos. Um: temos tido mais jogos. Isto traz várias pressões nas nossas equipas, mas também temos tido mais jogos nos últimos anos, e não necessariamente no ano passado, que até tivemos menos. Tivemos mais pré-eliminatórias, mas não tivemos oitavos de final. Os oitavos de final, em princípio, valem mais do que as pré-eliminatórias. Mas, em média, tem havido mais jogos. Também tem havido um alargamento do Estádio. Não nos podemos esquecer que já alargámos o Estádio em três mil lugares na época passada, o que se traduziu em maiores assistências, apesar de este aumento de lugares ter sido em lugares de valor económico bastante mais baixo do que a média».

«Diferença entre resultado operacional e resultado líquido? O resultado operacional que é apresentado é o resultado operacional com direitos de atletas. Ou seja, é o resultado antes de duas componentes importantes: uma que são os resultados financeiros e a segunda que são os impostos, neste caso apenas o IRC. Os outros impostos já apareceram muito antes nestas contas. É também uma componente importante: os nossos custos financeiros têm baixado todos os anos e temos melhorado a nossa posição financeira, não só pela estabilização, neste ano até com uma redução da dívida líquida, mas também por taxas moderadamente mais baixas».

«Subida dos capitais próprios? Subiram, subiram. Já no ano passado tinham subido. É o segundo valor mais alto da história do clube e o primeiro foi na sequência de uma venda recorde de 120 milhões, já há muito tempo, em que, de facto, nessa altura, fez com que os capitais próprios estivessem temporariamente acima deste patamar. Mas este é um valor bastante alto. Aliás, é um valor bastante alto para o contexto europeu. Este é o primeiro controlo que a UEFA faz em termos de financial fair play, é o nível de capitais próprios. No caso do Benfica até são mais de 135 milhões, porque, como a Benfica Estádio é uma entidade autónoma, temos de somar a Benfica Estádio, que também tem capitais próprios positivos, e estamos a falar de capitais próprios positivos relevantes, acima dos 180 milhões de euros, que é um número muito confortável. Não há muitos clubes na Europa que tenham este nível de conforto, incluindo na Premier League».

«Gastos operacionais? Vamos começar pelas exceções. Estamos a falar da Premier League, onde um clube que sobe de divisão consegue investir 300, 400 milhões de euros. E a média dos clubes há de andar por estes valores. Mais os mercados do Oriente, mais três clubes em Espanha, um clube em França e um clube na Alemanha. Todos os outros clubes da Europa, tirando algumas situações esporádicas, estão mais vendedores do que compradores. E tem sido essa a dinâmica do futebol europeu».

«Crescimento nos capitais próprios? Todos sabemos, partimos para uma época que vai ser particularmente exigente. Fizemos investimentos no futebol e, se calhar, até vendemos menos do que vendemos em épocas passadas. Ou seja, houve aqui uma aposta na manutenção ou crescimento da competitividade desportiva, num ano em que não temos Liga dos Campeões. E estamos sempre a falar de 30, 35 milhões de diferença. Ou seja, vai ser um ano desafiante em todos os sentidos, mas também podemos partir de uma situação positiva de capitais próprios».

«Receitas das transmissões televisivas e centralização? Esses valores refletem ainda o contrato anterior, porque o novo contrato só começa nesta época. Também o valor de 55 milhões inclui uma componente de publicidade estática, que são cerca de 3 milhões, 3 milhões e meio, que não entram no contrato da NOS. Ou seja, não é especificamente um contrato de direitos televisivos, mas, obviamente, a grande maioria do valor decorre do contrato televisivo e, nos próximos dois anos, até estamos relativamente protegidos, porque temos um crescimento previsto por via do contrato que fizemos. Agora, o futuro deixa-nos muito preocupados, como temos dito várias vezes, como tem dito o presidente, como tenho dito eu, quer em sede da Liga, quer nos fóruns adequados».

«Subida do ativo e do passivo? A explicação é muito simples. Começando pelo ativo, fizemos um mercado, no ano passado, em que realizámos investimentos importantes – e também fizemos alguns desinvestimentos importantes. Naturalmente, em qualquer clube de futebol, dá uma inflação dos dois lados da equação. Aliás, o passivo neste ano passa os 500 milhões de euros pela primeira vez. A dívida líquida, que é talvez a métrica mais interessante, baixa, porque, de facto, arranjámos capacidade de realizar muitos dos investimentos que já tínhamos feito no passado e de receber esse dinheiro. Por isso, não precisámos de mais dinheiro, e também reflete o resultado positivo. Mas o ativo também sobe. O ativo não só ultrapassa os 600 milhões, como ultrapassou desta vez os 650 milhões. Ou seja, não andámos entre os 600 e os 650, fomos logo para cima dos 650. Eu acho que isto tem muito que ver com o crescimento do clube. Em boa verdade, até posso dizer que, se tivéssemos o Estádio – porque a maior parte dos clubes inclui o seu próprio estádio e nós temos uma empresa à parte –, então o ativo já seria de cerca de 800 milhões de euros e o passivo já seria de 620, 630 milhões de euros, se combinássemos as duas entidades».

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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