O fecho do mercado de transferências confirma que a estrutura do Benfica trabalhou com um objetivo claro de moldar um plantel à medida das ideias de Marco Silva. De forma global, foi uma janela de transferências muito competente, onde o Benfica conseguiu reforçar a maior parte das posições das quais precisava, substituindo peças de forma cirúrgica. No entanto, o planeamento não foi perfeito e deixou uma lacuna evidente que tem de ser apontada.
Essa falha mora diretamente na baliza. Faltou ao Benfica ir ao mercado buscar um guarda-redes indiscutível, já que nem Anatoliy Trubin nem Samuel Soares têm mostrado a qualidade e a segurança que a baliza da Luz exige. O contexto de jogo da equipa é muito específico, o Benfica passa a maior parte do tempo instalado no ataque e o guarda-redes faz poucas intervenções.


O problema é que, atualmente, quase todos os remates que chegam à baliza dão golo. Faltou contratar aquele guarda-redes decisivo, que transmita confiança e que, quando a bola lá chega, consiga efetivamente fazer a defesa e segurar a equipa num momento de aperto.
Se na baliza há dúvidas, na defesa sobram certezas. O clube está muito bem servido de centrais. Para compensar as saídas de Nicolás Otamendi e António Silva, o Benfica garantiu jogadores com perfis diferentes que se complementam muito bem.


Clément Lenglet e Alessandro Circati trouxeram peso e qualidade imediata, enquanto Gabriel Índio chegou para ser trabalhado para o futuro. Juntando Tomás Araújo a este lote, o eixo defensivo está blindado. No lado esquerdo, a equipa também está perfeitamente acautelada com as alternativas que agora tem, nomeadamente com a chegada de Souffian El Karouani para competir com Samuel Dahl.
Já no lado direito, a estratégia foi um pouco diferente. A venda de Amar Dedic ao Newcastle deixou Alexander Bah como o dono da posição, mesmo sendo conhecida a sua forte propensão para lesões. À primeira vista, poderia parecer um risco enorme não ter ido buscar ninguém feito para a posição, mas a verdade é que acaba por ser um risco calculado.
Na calha está Daniel Banjaqui, um jovem com um potencial tremendo para se tornar num grande jogador. É preciso dar minutos e espaço aos miúdos da formação para crescerem, e este é o cenário ideal para Banjaqui se começar a afirmar na equipa principal ao longo da época.


No meio-campo, não há grande margem para debate: João Palhinha é o melhor reforço da temporada. A sua contratação traz o músculo, o sentido posicional e a capacidade de recuperar bolas que há muito faltava à frente da defesa. Ter o internacional luso no eixo é a garantia que a equipa precisa para compensar a saída de Richard Ríos e, acima de tudo, libertar elementos como Leandro Barreiro, Fredrik Aursnes ou Georgiy Sudakov para terrenos mais ofensivos.


No ataque, as soluções oferecem várias dinâmicas e nomes para Marco Silva rodar. Claudio Echeverri promete ser muito útil a sair do banco. O argentino é uma autêntica carraça, capaz de agitar os jogos e chatear defesas fechadas. Nas alas, o facto de Dodi Lukebakio ter ficado no plantel acaba por ser positivo, pois a equipa precisa de extremos de qualidade para ir rodando ao longo da temporada, juntando-se a Gianluca Prestianni e Andreas Schjelderup. O belga tem um grande drible e um bom remate, mas tem de perceber que, se mostrar entrega (algo que às vezes lhe falta de forma notória), pode continuar a ser uma opção válida. Precisa simplesmente de dar mais de si em campo para justificar a aposta.


Por fim, na frente de ataque, o Benfica está muitíssimo bem servido. Vangelis Pavlidis assumiu-se como o dono e senhor da posição nove, e a alternativa Jhon Durán revela-se muito útil por oferecer um perfil distinto, o colombiano é possante, rápido e fortíssimo no jogo aéreo. Contas feitas, o Benfica moldou um grupo com muita qualidade para o seu treinador gerir, pecando apenas por não ter resolvido o problema crónico entre os postes.

