Bruno Vicintin, presidente da SAD do Santa Clara, falou da época do clube. Declarações durante o Portuga Football Summit.
Bruno Vicintin, presidente da SAD do Santa Clara, abordou o momento atual do clube, 4.º classificado na Primeira Liga com 15 pontos, os mesmos que o Sporting e o trabalho de Petit. As declarações foram prestadas à margem do Portugal Football Summit.
«Este ano era um ano em que a gente pensava como um ano de transição. A gente vendeu vários jogadores que tiveram muito sucesso, tanto na conquista da Segunda Lga quanto na conquista do quinto lugar, quando nós classificámos para a Conference League. Para ser bem sincero, a gente não esperava ir tão bem. A gente esperava ir bem, o nosso objetivo principal seria estar nos dez primeiros. Mas estamos muito felizes, sabemos que o desafio é muito grande, porque a gente respeita muito os três, mais o Braga. A gente acredita que eles estão nutro patamar, mas o máximo de tempo que a gente conseguir ficar colado neles, a gente vai estar muito feliz».
«O mérito é do mister. É sempre a figura central. Eu nunca consegui vencer em lugar nenhum sem um grande trabalho do mister. O Petit está a fazer um grande trabalho, pelo que ele me passa está muito feliz nos Açores e nós estamos muito felizes com ele. Ele encaixou perfeitamente no projeto. Estamos numa época de lançamento de muitos jovens talentos e ele teve muita coragem de lançar esses jogadores. Tem dado muito resultado, no jogo com o Braga a gente conseguiu buscar um empate, mas era um jogo que se a gente tivesse vencido não seria injustiça nenhuma. E lá está, este tem sido mesmo o trabalho do Santa Clara».
O dirigente do Santa Clara olhou ainda para as ambições do clube, rejeitando as ambições europeias, e olhou para a temporada de Gonçalo Paciência.
«Nos próximos cinco anos, o nosso objetivo é fortalecer a nossa formação, fortalecer a nossa estrutura e a permanência na Primeira Divisão, que é o nosso primeiro objetivo. Ir para a Europa ou não, para ser bem sincero, não sei se seria bom neste momento, porque é muito importante para Portugal manter as seis vagas em competições europeias e os clubes que representam o nosso país em competições europeias sofrem muito na Liga. O Santa Clara está num período de estabilização do projeto, mas caso a gente consiga a vaga vamos representar essa honraria de representar Portugal e os Açores da melhor forma possível. Mas o nosso objetivo principal é o fortalecimento da nossa academia e a permanência pelo máximo de tempo possível na Primeira Divisão, promovendo talentos e vendendo talentos, porque sem a venda de jogadores é impossível. Já é impossível um clube como o Benfica, o FC Porto e o Sporting manterem-se, imaginem o Santa Clara».
Óbvio que a gente respeita muito o trabalho mister Jorge Jesus e as decisões dele. Agora eu acho que o que o Gonçalo Paciência tem feito serve de exemplo, não só pelo momento da carreira que ele vive. Geralmente, o jogador no momento da carreira do Gonçalo, já com 31 ou 32 anos, ele já tende a pensar em voltar para Portugal para não ter grandes ambições. O Gonçalo resolve ir para os Açores, nunca tinha jogado na ilha, e resolve ter um corte de salário muito alto, porque ele acreditou no projetol. Ele acreditou que conseguiria recuperar o futebol dele e acreditou que conseguiria recuperar o futebol que já o levou para a seleção. A própria contratação do Gonçalo, todo mundo fala “vocês acertaram em cheio”, mas o que me fez contratar o Gonçalo, o que me chamou muito à atenção, foi um jogador consagrado ter essa fome, ter essa fome de ir para a ilha, ter essa fome de ir buscar. E eu acho que a convocatória, caso algum dia o Gonçalo volte à seleção, vai ser um exemplo para todos os jogadores. Eles podem regressar a Portugal, podem regressar para um projeto sério como o projeto Santa Clara e ambicionar coisas grandes. Eu acho que esse é o grande exemplo do Gonçalo Paciência».
Por fim, Bruno Vicintin falou ainda do processo de centralização dos direitos televisivos, destacando a necessidade de justiça e mostrando apoio ao trabalho da Liga Portugal.
«A centralização é o maior desafio hoje do futebol português por um único motivo. Eu entendo que é muito importante manter a competitividade das grandes equipas portuguesas a nível europeu. Porém, não se pode discutir fair play financeiro quando a divisão de direitos televisivos passa de 15 a 16 vezes. Isso é a pior diferença de direitos televisivos no mundo. Não existe justiça nisso. É um desafio grande da Liga manter a competitividade dos grandes, crescendo a competitividade e a atratividade dos clubes menores. Confiamos no trabalho do Reinaldo Teixeira e da equipa dele. Nem Jesus Cristo agradou todo mundo, não vai ser na divisão de direitos televisivos de Portugal que vai agradar. Mas eu acredito que, da forma que está sendo conduzido, o futebol português vai continuar a evoluir».
O Bola na Rede está presente no Portugal Football Summit. O evento decorre na Cidade do Futebol entre os dias 23 e 25 de setembro de 2026.
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