O Sporting empatou frente ao Brondby por 2-2 e foi eliminado da Europa Cup. Micael Sequeira fez o rescaldo da partida.
Apesar do empate por 2-2 que ditou a eliminação europeia diante do Brondby, Micael Sequeira elogiou a excelente atitude e a evolução tática da equipa na segunda parte, lamentando a falta de sorte no jogo e apontando ao foco imediato nas competições internas.
«Na primeira parte entrámos muito bem no jogo e acabámos por fazer o golo cedo. Depois, acabámos por ter outra grande oportunidade pela Capeta; podíamos ter feito o 2-0 claramente, com um ascendente em que o adversário praticamente não conseguia ter bola. E acabam por ser muito felizes da forma como conseguiram o primeiro golo, que foi um golpe duro da forma como foi. Ao intervalo, voltámos a conversar e a ver o que tínhamos de fazer para melhorar na segunda parte e, efetivamente, conseguimos melhorar bastante. Conseguimos ter ainda mais bola e o adversário pouca bola teve, jogando com um futebol muito direto e muito físico. Mas a nossa equipa esteve muito bem, não permitindo transições ofensivas. Não houve ataques rápidos, ao contrário do que aconteceu na primeira mão; corrigimos muito bem esse aspeto nesse momento do jogo. Acabámos por fazer o 2-1 e depois penso que o momento do jogo é a grande oportunidade aos 76 minutos, em que a bola por 20 cm não entra e que seria o 3-1. Tínhamos 15 minutos até ao final para tentar igualar a eliminatória, mas penso que, em termos gerais, foi um bom jogo por parte da equipa do Sporting, que lutou até ao final. As jogadoras tiveram uma excelente atitude e, para além disso, penso que fomos claramente melhores e merecíamos a vitória. Penso que o futebol foi bastante ingrato e injusto com o Sporting nas duas eliminatórias. Acabámos por ter uma certa infelicidade da forma como decorreu esta eliminatória».
Sobre os ajustes táticos na segunda parte, entrada de Ana Dias e modelo ofensivo:
«Claramente pretendíamos ter mais gente com golo e mais gente na área. Tínhamos o nosso plano mais ofensivo, que era construir em 2-1. Aí arriscámos já bastante: eram só as duas centrais com a média à frente, e as restantes jogadoras estavam nos espaços que tínhamos de ocupar. Mas, essencialmente, a entrada da Ana [Dias] foi por isso mesmo: para dar mais força ofensiva. Acabámos por fazer o segundo golo e tivemos a grande oportunidade aos 76 minutos, onde faltou uma certa felicidade».
Sobre os erros cometidos vs infelicidades na eliminatória e desgaste físico:
«Repara, hoje o primeiro golo do Brondby é uma jogadora que quer bater a bola para a área e acaba por fazer um chapéu à nossa guarda-redes. Portanto, não houve intenção de bater a bola à baliza; há uma certa infelicidade nisso. Depois, recordando o primeiro golo do Brondby na Dinamarca, acaba por ser um autogolo na primeira vez que a equipa vai à baliza. Ou seja, houve um conjunto de situações que, de facto, provocou golpes duros em termos emocionais para poder reagir.Mas o importante é que hoje corrigimos isso. Acho que emocionalmente a equipa não foi abaixo, apesar daquele golo do empate do Brøndby. Reagimos na segunda parte, fizemos o 2-1 e tivemos a grande oportunidade, que era o momento do jogo, para fazer o 3-1. Infelizmente, depois acabámos por sofrer um golo contra a corrente do jogo.Mas repito: é importante realçar a excelente atitude que a equipa teve, levando a eliminatória e quase disputando até ao fim. Caso fizéssemos o 3-1, ia haver jogo até ao fim. Infelizmente, acabámos por sofrer o 2-2 e isso acaba por resolver a eliminatória, mas ficou um excelente jogo por parte da equipa e uma boa reação. E com apenas dois dias de recuperação depois do jogo do Braga, é importante que se diga isso. Tivemos apenas dois dias de recuperação e fazer um jogo com uma equipa com esta intensidade, que já vai com 19 jogos no campeonato e com um ritmo elevadíssimo, conseguir jogar a este nível… estou muito satisfeito com a equipa por isso».
Sobre a palestra ao intervalo e correções no momento de construção e pressão:
«Essencialmente, foi corrigir a primeira fase de construção, eliminando mais rapidamente e de uma forma mais segura a avançada adversária, porque o Brøndby pressionava apenas com uma avançada. Demos indicações sobre como eliminar mais rápido a avançada e conseguimos fazer isso na segunda parte, porque nos permitiu ganhar mais metros à frente e ligar o jogo de outra forma, chegando mais rápido à zona de construção para depois estarmos mais perto de intervir na criação e na finalização. Penso que as jogadoras conseguiram fazer isso: melhoraram bastante na segunda parte e conseguimos chegar mais perto de uma forma mais associativa. Raramente batemos bola com a guarda-redes não me recordo em nenhum pontapé de baliza, ao contrário do Brøndby, que bateu todos os pontapés de baliza e todas as bolas que tinha no setor defensivo. Isso também por mérito das nossas jogadoras, que mantiveram uma pressão bastante intensa e preparada, que não permitia ao Brondby ter bola. Foi isso que aconteceu: o Brøndby não sentiu ter espaço, conseguindo apenas ligar o jogo quando ganhava uma bola na transição, porque nós estivemos muito bem nesse sentido, pressionando alto e corrigindo a pressão relativamente à primeira eliminatória. As jogadoras estão de parabéns porque cumpriram de facto muito bem o plano. Pena é que esta equipa do Brøndby esteja com um nível de intensidade alto e venha em ascendente no campeonato: é uma equipa que já não perde há bastante tempo, com sete vitórias consecutivas sem sofrer golos. É uma equipa intensa e hoje provou o porquê de conseguir passar a eliminatória».
Sobre o redirecionamento de foco para as competições internas (Campeonato / jogo com o Torreense):
«Sim, são competições completamente diferentes. É verdade que queríamos ir mais longe porque na época anterior chegámos aos quartos de final, sendo eliminados pelo futuro finalista por penáltis. Fizemos de facto uma excelente campanha e queríamos muito igualar o que fizemos na época anterior. Mas o que é certo e não dá como negar: não tivemos muita felicidade no sorteio, porque nos calhou um adversário fortíssimo. O Brøndby é uma boa equipa, intensa e que joga bem. Faltou-nos conseguir equilibrar no primeiro jogo; hoje provámos que poderíamos ter feito melhor se no primeiro jogo tivesse corrido de forma diferente. Mas o importante é a atitude que tivemos. A resposta que demos hoje foi uma resposta muito positiva. Relativamente às competições internas, o foco é estar concentrado nelas, esse é o nosso principal objetivo. Portanto, é para aí que nos vamos virar, continuando a trabalhar super motivados. Temos sete pontos em nove possíveis [em três jogos], e temos já uma deslocação a um adversário difícil, por isso está tudo em aberto».

