O Benfica esteve muito perto de contratar Linda Dallmann, jogadora que representa atualmente o Bayern Munique.
Fernando Tavares, antigo vice-presidente do Benfica, revelou durante este sábado que os encarnados estiveram muito próximos de reforçar o seu elenco feminino com Linda Dallmann, jogadora que pertence aos quadros do Bayern Munique.
O ex-dirigente revelou que estava tudo alinhavado, mas que a SAD do Benfica no final das contas não deu o seu aval. Fernando Tavares, na mesma publicação do LinkedIn, assumiu que as águias têm falta de ambição europeia.
Linda Dallmann tem 32 anos e atua como extremo esquerdo. Recentemente, esteve presente no Estádio da Luz, participando da vitória do Bayern Munique contra o Benfica, para a Champions League Feminina. Esta época soma oito encontros disputados e duas assistências.
Eis a publicação de Fernando Tavares:
«Linda Dallmann e o custo das oportunidades perdidas
Na noite da passada quarta-feira em que a Linda Dallmann, jogadora do Bayern, exibiu toda a sua classe na Luz, ficou evidente aquilo que distingue a capacidade de integrar talento verdadeiramente diferenciador.
Poucos saberão que existiu um pré-acordo para que a Linda Dallmann representasse o Benfica. A atleta esteve comigo em Lisboa com uma autorização concedida pelo Bayern. Poucos saberão que vimos nela uma jogadora capaz de elevar estruturalmente o patamar competitivo da equipa. E poucos saberão também que essa possibilidade acabou por não avançar porque a administração da SAD optou, erradamente, por abortar a operação.
Não escrevo isto por saudosismo nem para revisitar decisões passadas. Escrevo-o porque o futebol, tal como a gestão, vive de escolhas. E algumas escolhas definem ciclos. Contratar a internacional alemã definiria um ciclo de qualidade e de posicionamento na Europa. Estas são as escolhas que o Benfica deve fazer. Esse é o patamar que o Benfica deve procurar, ao contrário de patamares medianos. Não se tratava de receber por empréstimo uma promessa do PSG, tratava-se de contratar uma atleta referência ao Bayern, quarto clube do ranking da UEFA.
Há atletas que preenchem um lugar no plantel. Há atletas que transformam equipas. Linda Dallmann pertence à segunda categoria. A jogadora estava motivada para representar o Benfica, aceitava vir pelos nossos números salariais e nunca percebeu tal recusa. Em poucos dias destrói-se o trabalho de um ano para “vender”, como opção profissional, o Benfica à atleta e à sua família. Para além disso, o Clube deu um péssimo sinal ao mercado, principalmente quando se pretendia, agora não se pretende, estar noutra escala de contratação.
A sua qualidade técnica, visão de jogo, inteligência táctica e capacidade de decidir nos momentos críticos são atributos raros. São características que não acrescentam apenas rendimento individual. Contagiam o coletivo, aumentam a exigência interna e mudam a dimensão competitiva de uma equipa.
Por isso, quando discutimos investimento, devemos ter a coragem de distinguir o custo do investimento do valor do investimento. O custo vê-se no momento da contratação. O valor mede-se dentro de campo. O futebol feminino europeu está a crescer a um ritmo acelerado. Quem quiser estar com aqueles que lideraram terá de perceber que a ambição constrói-se com qualidade.
Ao longo dos últimos anos o Benfica perdeu grandes jogadoras. Não por razões financeiras, mas sobretudo por falta de ambição europeia.
A distância entre estar entre os melhores e ser verdadeiramente um dos melhores mede-se muitas vezes numa decisão. Numa contratação. Numa oportunidade aproveitada. Ou numa oportunidade perdida».

