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João Sousa: Será apenas uma “má fase”?

Francisco Sampaio · 3 min

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Cabeçalho modalidadesTodos os amantes de ténis já terão, ao longo da presente temporada, questionado “mas afinal, o que se passa com João Sousa?”. Muitos outros, nas redes sociais, usam todas as derrotas do tenista português para, incessantemente, colocar em causa as suas capacidades. Uma coisa é certa: João Sousa é o melhor tenista português de sempre, e contra factos (ranking e resultados alcançados) não há argumentos.

Ao longo da sua carreira João Sousa, atualmente com 28 anos de idade, disputou já nove finais de torneio do ATP World Tour, a saber: Kuala Lumpur (2013), Bastad (2014), Metz (2014), Genebra (2015), Umag (2015), São Petersburgo (2015), Valência (2015), Auckland (2017) e Kitzbühel (2017). É certo que o saldo é francamente negativo, com apenas duas vitórias nos nove encontros disputados, mas também é inegável que estes resultados são tremendamente superiores aos de qualquer outro tenista português. Nota ainda de destaque para um facto: em ano de “crise”, João Sousa atingiu duas finais de torneios ATP 250 quando, em 2016, não conseguiu tal feito em qualquer dos torneios que disputou.

Atualmente a ocupar o lugar 63 do ranking ATP, é inegável que os portugueses olham já com algum saudosismo para a 28ª posição ocupada por João Sousa em maio de 2016. De igual modo, a postura do vimaranense em court, entenda-se, a facilidade com que tem vindo a “perder a cabeça” quando não consegue jogar ao nível que desejaria, não ajuda a que os adeptos da modalidade olhem para si para uma referência.

João Sousa tem vindo a apresentar-se aquém das expetativas  Fonte:  João Sousa
João Sousa tem vindo a apresentar-se aquém das expetativas
Fonte: João Sousa

Em abono da verdade pode dizer-se que João Sousa, sob o ponto de vista técnico, não é o melhor tenista português de sempre e não é, sequer, o melhor da atualidade (Gastão Elias, por exemplo, tem recursos no seu jogo superiores aos apresentados pelo “Conquistador”). Porém, o vimaranense é extremamente consistente e, no que ao espírito competitivo diz respeito, este destaca-se igualmente dos demais (a atitude com que entra em court frente a um júnior não é diferente daquela que apresenta quando defronta, por exemplo, Roger Federer). São esses os predicados que têm guiado a sua carreira e que o conduziram ao top 30 mundial, feito nunca antes alcançado no ténis português.

Os últimos anos têm ajudado a demonstrar que, no ténis, os 30 são os novos 20, pelo que nada leva a crer que a carreira de João Sousa esteja já numa fase de declínio. Muitos afirmam taxativamente que este beneficiaria de uma mudança de treinador, até pelo facto de tal lhe permitir trabalhar diferentes aspetos do seu jogo que poderiam (e deveriam!) ser melhorados. Contudo, não existem garantias de que essa mudança fosse favorável já que, no desporto como na vida, a qualidade das relações interpessoais concorre também para o sucesso e a dupla João Sousa/Frederico Marques transpira cumplicidade e confiança mútua.

O “Conquistador” promete dar ainda muitas alegrias ao ténis português  Fonte: João Sousa
O “Conquistador” promete dar ainda muitas alegrias ao ténis português
Fonte: João Sousa

A temporada aproxima-se do final e, tanto para João Sousa como para Gastão Elias, o balanço fica algo aquém das expetativas. Quanto a isso já nada há a fazer, mas uma coisa parece certa: João Sousa continua vivo para o ténis e, logo que consiga alcançar novamente algum equilíbrio psicológico (aumentando os níveis de confiança em si mesmo e no seu jogo), os resultados voltarão a surgir e tal irá refletir-se numa escalada no ranking ATP (ainda que não seja crível que este venha a conseguir superior a 28ª posição alcançada em 2016). Como conclusão, fica ainda uma aposta: João Sousa não terminará a sua carreira sem antes vir ainda a conquistar, no mínimo, mais um título em torneios ATP 250!

Foto de Capa: Joaão Sousa

Francisco Sampaio

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