Força da Tática: O monstro que Sarri está a criar (Parte 2)

Quando escrevo esta segunda parte, entramos na paragem para os compromissos das seleções. E surge a questão, a “roda” que Sarri inventou e trouxe de Itália, como se têm comportado?

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Quatro jogos, quatro vitórias.

É verdade. Estão a deixar o “monstro” crescer, ganhar forma, e todos sabemos que: “os monstros se combatem no início “. A quantidade de jogadores que já entende o que Sarri pretende é cada vez maior e o Italiano começa a ter menos dificuldades, para estabelecer o seu onze base.

1. Kanté

É impossível não jogar ao “quem é quem”, nas comparações entre este Chelsea FC e o SSC Nápoles dos últimos anos. Uma das respostas mais imediatos de dar é que “Kanté é Allan”. E é, o papel acaba por ser o mesmo, mas Kanté não é apenas um médio tenaz, com uma capacidade invulgar de recuperar bolas, que faz deles um dos melhores do mundo. Não é “só” isso, como se fosse pouco.

Ofensivamente, é um jogador extremamente dinâmico, com uma incrível facilidade de jogar ao primeiro toque, que lhe permite jogar em espaços curtos, onde a pressão dos adversários é enorme. Infelizmente, essa capacidade técnica é muito pouco reconhecida ao francês.

Fonte: Premier League

Esse dinamismo, invulgar, permite ao Chelsea ter uma alternativa a Jorginho para sair a jogar desde a sua área, e muito difícil de contrariar, ainda para mais quando o adversário está preocupado em evitar que o Chelsea o faça através do ítalo-brasileiro. A bola chega ao central, que procura o passe para o extremo que baixa para “apenas” dar no apoio frontal de Kanté, que já vêm em aceleração desde trás e recebe a bola de frente para a baliza adversária e com imenso espaço para acelerar.  Ah, e a imagem que apresento em seguida, está na velocidade normal, não está acelerada.

Fonte: Premier League

Parem com a conversa que “o Jorginho tirou o lugar ao Kanté”

Defendo que o campeão do Mundo, não “perdeu o lugar” para Jorginho. Kanté nunca foi o vértice mais recuado do meio campo. Aliás, vou corrigir, o melhor Kanté, nunca foi o vértice mais recuado do meio campo.

Não o era no histórico Leicester City FC, tinha Drinkwater ligeiramente por trás, e principalmente não o era no melhor Chelsea de Conte, era Matic. Já na última época de António Conte, por jogar ao lado de Fàbregas, obrigou-o a ser muitas o mais recuado dos médios.

Quando digo que Kanté têm uma “capacidade invulgar de recuperar bolas que faz deles um dos melhores do mundo “, não é pela capacidade em dar coberturas ou de abrandar os ataques dos adversários, mas por aproveitar esse trabalho realizado pelos colegas, para vir desde trás, e sem o adversário ter tempo de reagir, roubar a bola.

Fonte: Premier League

2. Jorginho, Kanté e mais?

Ross “será esta época? “Barkley

Obviamente que se continuarmos a jogar “Quem é quem?” damos por nós a ter de atribuir o papel de Hamsik a alguém, mas é uma missão bastante mais complicada que a de atribuir o papel de Allan.

A primeira aposta de Sarri, talvez por só ter contado mais tarde com Mateo Kovacic, recaiu em Ross Barkley. Um dos maiores talentos ingleses dos últimos anos, que têm aqui uma grande oportunidade de renascer e de ser o “velho Ross”, dos Domingos em Goodison Park.

Sarri pretende que o jogador que jogue nesta posição tenha, não só a capacidade de se aproximar do lateral e do extremo, para combinações curtas, mas de se infiltrar nos espaços entre os jogadores adversários, colocando-os em dúvida sobre que adversário seguir.

A evolução de Ross Barkley, em especial no timing destes movimentos, é o aspeto mais importante a salientar. O inglês temporiza e espera pelo momento em que os médios do Arsenal FC estão focados na bola, para iniciar o seu movimento.

Fonte: Premier League

Kovacic

Mateo Kovacic é um motor. A nível ofensivo, a sua capacidade de condução e a forma como avança em direção à baliza contrária, eliminando linhas adversárias é especial. Verticalidade pura, consegue com facilidade levar a bola da sua área à adversária tornando impossível aos adversários se organizarem a tempo, para responder a esta invasão.

Essa agressividade em atacar os espaços e as linhas adversárias é o que Sarri procura, mas é a sua capacidade de recuperação defensiva que o faz estar um passo à frente de Ross Barkley. A agressividade do Croata é preponderante na pressão, em especial para a forma como Sarri pretende pressionar alto. Recupera a bola e não se limita em entregar no companheiro, tem a capacidade física de avançar imediatamente em direção à baliza e de agredir o adversário.

Sarri, já era um apreciador do croata quando ele surgiu em Itália e vai aproveitar ao máximo a capacidade do ex-Real Madrid CF em ultrapassar as linhas adversárias, chamar adversários e criar espaços para os colegas. Imagine-se, se Hazard sem espaço é o que é, com espaço…

Fonte: Bleacher Report

Loftus-Cheek

Uma época como a que o Chelsea FC vai enfrentar, não se faz apenas com três ou quatro jogadores para o meio campo. Loftus-Cheek é um nome importante para integrar essa rotação. A nível físico, é o médio mais forte do plantel com uma qualidade técnica muito boa, para um jogador da sua estatura e constituição física, mas precisa de evoluir a nível tático.

Para fazer “parte da roda” é indispensável ser evoluído também taticamente e estou curioso para saber como o médio inglês vai responder quando for chamado a jogar na Liga Europa e/ou na Taça da Liga.

Também Fàbregas, que está lesionado, é um nome que suscita muita especulação. Como vai Sarri aproveitar a escola de Barcelona, do médio espanhol?

Na última parte, proponho falar da forma como os outros dois setores da equipa (Defesa e ataque) se articulam com este meio campo e qual é o calcanhar de Aquiles, deste “monstro”.

Foto de Capa: Chelsea FC

João Mateus
João Mateushttp://www.bolanarede.pt
A probabilidade de o Robben cortar sempre para a esquerda quando vinha para dentro é a mesma de ele estar sempre a pensar em Futebol. Com grandes sonhos na bagagem, está a concluir o Mestrado em Engenharia e Gestão Industrial, pela Uni-Nova e procura partilhar a forma como vê o jogo com todos os que partilham a sua paixão.                                                                                                                                                 O João escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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